Humor patológico: a doença que transforma o paciente em um compulsivo por piadas ruins

‘Compulsão por trocadilhos’ aparece em pacientes que tiveram algum tipo de dano cerebral. Mas tem tratamento

Em 1929, o neurologista alemão Otfrid Foerster observou um fenômeno curioso: enquanto operava um homem com um tumor no cérebro, o paciente - ainda consciente, o que era comum na época - começou a contar piadas terríveis, uma atrás da outra.

O distúrbio ficou então batizado de Witzelsucht, que em alemão significa “compulsão por trocadilhos”. Desde então, a literatura médica apresentou alguns outros relatos de pacientes que apresentavam uma compulsão mórbida por piadas.

Os indivíduos diagnosticados com Witzelsucht não param de contar piadas e fazer trocadilhos nem em momentos inadequados. Além disso, as piadas são descritas como ruins, daquelas que despertam apenas um sorriso educado.

Um paciente retratado pela BBC, por exemplo, chegava a acordar a mulher à noite para contar-lhe piadas. Quando a esposa pediu que ele anotasse e mostrasse o material a ela pela manhã, em pouco tempo ele tinha 50 páginas de piadas como:

“Como erradicar a fome? Afaste-se da mesa do buffet.”

Esse tipo de distúrbio aparece em pacientes que tiveram algum tipo de dano na parte direita do lobo frontal do cérebro, incluindo por exemplo um AVC na região. Além disso, o portador de Witzelsucht não só é obcecado por piadas todo o tempo, ele também é incapaz de compreender qualquer outro senso de humor que não seja o dele.

O tratamento é baseado em terapia comportamental. Em casos graves, quando a euforia e as piadas em excesso acabam impedindo que o paciente tenha uma vida normal, também são usados estabilizadores de humor.

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