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O que está em jogo na eleição do novo presidente da Fifa

Escolha de novo nome para comandar entidade máxima do futebol ocorre nesta sexta-feira em meio a escândalos de corrupção e pressão para mudanças na gestão do esporte

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    Nesta sexta-feira (26), representantes da Fifa de 209 países irão se encontrar em Zurique, na Suíça, para escolher um novo presidente e discutir reformas na instituição. O “congresso extraordinário” foi convocado em junho de 2015, pouco após Joseph Blatter renunciar ao comando da entidade depois de 18 anos de mandato.

    Há cinco candidatos concorrendo ao cargo: Ali bin Al-Hussein (Jordânia), Salman Ibrahim al-Khalifa (Bahrein), Gianni Infantino (Suíça), Tokyo Sexwale (África do Sul) e Jérôme Champagne (França).

    A eleição acontece após uma série de denúncias de corrupção envolvendo a entidade. A decisão de um novo presidente deve ter impacto não só no futuro do esporte, como nas próximas edições da Copa do Mundo, um dos megaeventos esportivos mais populares do planeta. Aqui estão alguns fatos para entender o que está em jogo nessas eleições:

    Eleição é a primeira após a maior crise da Fifa

    Joseph “Sepp” Blatter comandava a Fifa desde 1998. Em junho de 2015, em meio a acusações de corrupção, ele renunciou ao cargo. Em dezembro do mesmo ano, o Comitê de Ética da Fifa o baniu do futebol por oito anos, junto com Michel Platini, ex-líder da Uefa (União das Federações Europeias de Futebol). Foi a primeira vez que a entidade afastou seu presidente. No entanto, em fevereiro de 2016, a punição de ambos foi reduzida para seis anos.

    Blatter renunciou ao cargo em maio, quatro dias após ser reeleito pela quinta vez como presidente. Ele é acusado de assinar contratos contrários aos interesses da Fifa - o que é enquadrado como “gestão desleal” e “conflito de interesses”. Em 2011, ele teria feito pagamentos ilegais no valor de R$ 8,3 milhões a Platini. Os cartolas afirmam que o pagamento é a remuneração extra pelo trabalho de Platini como conselheiro da Fifa entre 1999 e 2002 - no entanto, não há contrato escrito. Blatter sempre negou as acusações contra ele.

    Os casos de corrupção na Fifa são relacionados entre a entidade e empresas privadas. O Departamento de Justiça dos EUA investiga ao menos nove executivos da entidade por receberem suborno em troca de direitos de transmissão dos campeonatos. Suspeita-se também em corrupção nos votos para a escolha dos países sede da Copa do Mundo, entre eles a Russia em 2012 e Qatar em 2022.

    No jornal “O Estado de S.Paulo”, o especialista em fraudes fiscais, Rogério Fernando Taffarello, mostra, por exemplo, que no Brasil, grande parte das condutas de corrupção privada, que aconteceram na Fifa, não são tipificadas como crime.

    Os favoritos são cartolas conhecidos

    De acordo com “The New York Times”, apesar de acirrada, há dois candidatos com maiores chances vencer. O jornal diz que o tamanho das campanhas, a distribuição dos países, que costumam votar em blocos, e a forma como a votação se dá colocam Infantino e Salman como os favoritos.

    O xeque Salman é um dos oito vice-presidentes da Fifa e é presidente da AFC (Confederação Asiática de Futebol). Por isso, conta com muitos votos da Ásia para sua vitória. Ele não é acusado de corrupção na Fifa, mas é denunciado por entidades relacionadas a direitos humanos. Ele e sua família são acusados de torturar e prender manifestantes em protestos contra o governo de Bahrein em 2011.

    Gianni Infantino é secretário geral da UEFA é bem visto pelo comitê europeu. Não enfrenta acusações de corrupção, mas é considerado alguém próximo ao status quo da entidade.

    No momento, o presidente interino da entidade é o camaronês Issa Hayatou, que também é acusado de corrupção. Ele teria recebido propinas de redes de TV na Copa do Mundo em 1990. Ele também é suspeito de ter aceito US$ 1,5 milhão para favorecer a escolha do Qatar para a Copa do Mundo em 2022.

    Eleições podem acontecer em vários turnos

    Cada uma das 209 confederações associadas à Fifa têm direito a um voto secreto. No entanto, Kuwait e Indonésia estão suspensos e seu direito a voto será avaliado na sexta-feira. Para vencer no primeiro turno, é necessário que o candidato tenha dois terços dos votos (139). Do contrário, elimina-se o candidato com menor votação e inicia-se o turno seguinte. Do segundo em diante, para vencer é necessário receber mais de metade dos votos.

    Por que as eleições importam para o futebol

     

    A Fifa é quem regula o futebol no mundo. É ela que organiza a Copa do Mundo e seleciona os países que poderão sediar a competição. Também é ela quem organiza torneios internacionais, como a Copa do Mundo feminina e masculina (incluindo as categorias sub-20 e sub-17) e a Copa das Confederações.. Ela ainda tem responsabilidades de proteger e desenvolver o esporte nos países.

    As decisões da Fifa são tomadas por seu Comitê Executivo, composto por 24 pessoas - o presidente, oito vice-presidentes, e mais 15 membros escolhidos pelas confederações e associações. No entanto, se a reforma for aprovada na sexta-feira, é possível que o esquema mude em até 60 dias após a aprovação e o Comitê seja substituído pelo Conselho da Fifa, com 37 integrantes.

    Espera-se que o novo presidente possa fazer uma reforma geral na Fifa, capaz de acabar com quaisquer esquemas de corrupção. Ela também será discutida no congresso de sexta-feira.

    O que será discutido no encontro

    Criação do Conselho da Fifa

    Ele substitui o Comitê Executivo será o encarregado de fixar a direção estratégica global da entidade. Já a Secretaria-Geral cuidará de setores operativos e comerciais. Além disso, os cargos do Conselho deverão passar por um processo rígido de elegibilidade e integridade, que ficará a cargo de um Comitê Independente de Revisão.

    Limite de mandatos

    O presidente, os membros do Conselho e do Comitê de Auditoria e Conformidade, terão mandatos de até 12 anos. Hoje não há limites de reeleição.

    Representatividade

    Promover mais representatividade da mulher no futebol e exigir no mínimo uma representando como membro de cada Confederação, além de aumentar substancialmente o número de mulheres no Conselho. Hoje, no Comitê Executivo, há apenas duas: Sonia Bien Aime (Ilhas Turcas e Caicos) e Lydia Nsekera (Burundi).

    Transparência

    Promover transparência nas contas e publicar anualmente os salários do presidente, membros do Conselho, secretário-geral e integrantes das comissões.

    Inclusão

    Aumentar de 32 para 40 o número de países participantes da Copa do Mundo.

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