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Al Gore está otimista em relação ao aquecimento global. Eis os motivos

Há dez anos o político apresentava um cenário catastrófico por conta das mudanças climáticas. Hoje ele acredita que as coisas podem estar mudando

Há dez anos Al Gore subia em palcos para apresentar suas preocupações sobre o aquecimento global. O ex-vice presidente dos EUA, que lançava um livro e o documentário “Uma Verdade Incoveniente”, chamava a atenção para o ritmo em que os problemas ambientais estavam se agravando. A discussão sobre o aquecimento global entrou para o mainstream.

Desde então, diferentes setores da sociedade tomaram consciência da gravidade da situação e dos riscos que o mundo enfrentava frente à crise ambiental.

Mas, em uma década, muita coisa mudou. E a última apresentação de Al Gore no TED sintetiza essa diferença. Ele voltou a participar da mesma conferência em que fez algumas de suas mais impactantes apresentações - mas desta vez foi para anunciar que estava mais otimista. O pessimismo de 2006, de alguém que parecia frente ao fim do mundo, cedeu espaço para uma perspectiva mais confiante de quem está vencendo uma batalha.

Na apresentação, em fevereiro de 2016, ele faz três perguntas: “Nós realmente precisamos mudar?”, “Nós podemos mudar?” e “Nós vamos mudar?”. E a resposta dele para as três perguntas é sim. Veja alguns dos argumentos que Al Gore utiliza para defender sua visão

‘Por que precisamos mudar?’

Al Gore diz que o mundo continua esquentando muito. Em 14 dos últimos 15 anos, batemos o recorde de temperatura. E em janeiro de 2015, o índice foi ainda maior: pela primeira vez tivemos um mês que chegou a ficar 1,13º C mais quente que a média. “Essas altas temperaturas têm efeitos nos animais, plantas e pessoas”, diz.

Outro número impressionante levantado pelo ativista: a poluição gerada pelo homem gera calor extra equivalente a aproximadamente 400 mil bombas de Hiroshima por dia.

As consequências do aquecimento global também geram problemas socioeconômicos. “Desastres climáticos que começaram na Síria em 2006 destruíram 60% das fazendas no país, mataram 80% dos animais de pecuária e fizeram com que 1,5 milhões de refugiados fugissem para as cidades, onde encontraram outros 1,5 milhões de refugiados da Guerra do Iraque", relata.

Al Gore defende que os problemas ambientais se relacionam com a mudanças nos vetores de epidemias, como no caso do Zika e do Aedes aegypti. "Quando mulheres são alertadas para não engravidar por dois anos, algo novo está acontecendo, e precisamos prestar atenção", comenta.

‘Por que nós podemos mudar?’

No entanto, o cenário catastrófico é apresentado para defender que mudar a situação é uma obrigação moral. A boa notícia, segundo Al Gore, é que o mundo está lidando bem com a situação. “Nós vamos vencer essa!”, afirma. E, para defender sua tese, ele cita alguns fatos empolgantes para quem procura reverter a crise climática.

O ativista diz que, em 2000, as melhores projeções diziam que o mundo seria capaz de produzir 30 gigawatts de energia eólica até 2010. No entanto, os países conseguiram superar a projeção em 14,5 vezes.

A diferença é maior ainda em relação ao uso de energia solar. Antes, acreditava-se que a produção de energia solar iria aumentar em um gigawatt por ano até 2010. No entanto, segundo Al Gore, em 2010 a projeção foi superada em 17 vezes. Em 2015 ela já havia sido superada 58 vezes. “Temos tudo o que precisamos: energia que vem do Sol para a Terra a cada hora é suficiente para alimentar toda a demanda de energia do mundo por um ano inteiro”, diz.

Parte da maior adoção de energias renováveis se deve à redução do custo, que cai 10% ao ano. Em 2014 foram investidos mais de US$ 391 bilhões em energias renováveis  - desses, US$ 148 bi (38%) veio do setor público e US$ 243 bilhões (62%) vieram do setor privado. Al Gore ainda cita o exemplo da Alemanha, que em dezembro chegou a ter 81% de sua geração de energia vinda de fontes renováveis.

‘Por que vamos mudar?’

Al Gore acredita que não só a sociedade tem capacidade de mudar, como isso está sendo feito rapidamente. Ele vê com bons olhos o encontro da COP21, que aconteceu em Paris em 2015, e na qual mais de 150 nações assinaram um acordo inédito para conter o aquecimento global.

O ativista cita como exemplo dois dos países que têm os maiores índices de emissão de gás carbônico: China e EUA, que também se comprometeram a conter a emissão de gases poluentes e já até estão mudando, segundo na visão do ativista.

“Alguns ainda duvidam que temos determinação para agir, mas eu digo que a determinação por si também é uma energia renovável.”

Al Gore

Ativista e político norte-americano

 

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