Cinco momentos da vida de John Coltrane retratados em quadrinhos

Considerado uma das maiores lendas do jazz, saxofonista americano ganhou biografia em HQ em 2016

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    A vida do saxofonista John Coltrane (1926-1967) já foi documentário. Agora é história em quadrinhos. A HQ “Coltrane”, do autor italiano Paolo Parisi, ganhou versão traduzida, lançada oficialmente no Brasil no início de 2016.

    Considerado uma das maiores lendas do jazz, o norte-americano, nascido no Estado da Carolina do Norte, é responsável por algumas das maiores transformações na música. Ele também é caracterizado como dono de uma alma intensa e contemplativa.

    O jazzista viveu diversos problemas com drogas, teve conturbadas relações amorosas, discutiu questões raciais, dedicou um disco a Deus e morreu cedo, aos 40 anos, vitimado por um câncer de fígado, enquanto mergulhava no jazz avant-garde.

    Sua vida e legado motivaram até a criação de uma uma igreja dedicada ao músico, a Saint John Coltrane Church, fundada em São Francisco em 1971.

    “Sinto Coltrane como um dos mais poderosos e completos músicos da história. Um músico em busca de “Peace on Earth” vindo de “Interstellar Space”. Ele sempre foi um guia pra mim”.

    Paolo Parisi

    Quadrinista, em entrevista à Patuá Discos

    Os altos e baixos de sua vida, agora, estão eternizados em forma de quadrinhos e em português. Suas reflexões, sentimentos e mágoas são capturados na HQ - dividida em quatro capítulos, narrados de forma não linear, cada um com o nome de uma parte de “A Love Supreme”, um dos principais e mais espirituais discos de Coltrane.

    O Nexo selecionou cinco trechos de “Coltrane” que ilustram momentos marcantes da trajetória do saxofonista. Veja:

     

    Fama e drogas

     

    Enquanto Coltrane fazia seu nome tocando ao lado de Miles Davis, ele também vivia seu momento mais crítico em relação às drogas, principalmente a heroína. Em 1957 ele foi demitido por Miles por conta de seu vício. Um mês depois, parou de usar a droga. 

    Gravação de “A Kind of Blue”

     

    Recontratado por Miles Davis, em 1959, John Coltrane tocou saxofone no sexteto, que também contava com o pianista Bill Evans, o baterista Jimmy Cobb, o baixista Paul Chambers e o saxofonista Julian "Cannonball" Adderley.

    Eles compuseram a obra-prima de Miles Davis: “A Kind of Blue” - o disco de jazz mais vendido da história. O mais impressionante é que o disco foi gravado em apenas duas sessões, no 30th Street Studio da Columbia Records. Davis praticamente não apareceu nos ensaios e deu poucas orientações e alguns rascunhos de melodias ao grupo, que teve que improvisar na maior parte do tempo. 

    Coltrane se divorcia de Naima

     

    Em 1955 o jazzista se casou com Juanita Naima Grubb, que se converteu muçulmana e foi responsável por levar Coltrane à sua fase espiritual. É a ela que ele dedicou “Naima”, uma carta de amor musicada, considerada pelo próprio  saxofonista sua melhor composição. No entanto, após diversas brigas, o casal se separou em 1963. Coltrane mais tarde se casou novamente com Alice McLeod, com quem teve Ravi Coltrane, hoje também saxofonista.  

    A Love Supreme

     

    Considerada por muitos a obra-prima do jazzista, “A Love Supreme” (1964) marca sua fase mais espiritual. É ela que dá a narrativa à HQ biográfica, dividida nas mesmas quatro partes do disco. Gravado em uma sessão, o “A Love Supreme” já incluía elementos mais soltos e ousados do jazz avant-garde, que daria o tom da próxima fase do músico. É considerado um dos dez maiores álbuns de jazz da história e, além de elogiado pela crítica, também foi um sucesso de vendas. 

    A fase avant-garde

    Em 1966, Coltrane entrava em uma das fases menos compreendidas  da sua carreira. Interessado pelo jazz avant-garde de músicos como Ornette Coleman, Albert Ayler e Sun Ra, ele compõe "Ascension", uma peça de 40 minutos tocada em quarteto e que se tornava seu projeto mais ambicioso até ali. 

    A carreira do artista foi interrompida por sua morte prematura, em 1967, aos 40 anos de idade.

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