Por que é preciso deixar os adolescentes dormirem mais

Sono que jovens sentem pela manhã não é apenas culpa de ficar até tarde na internet ou TV. É do horário da escola

Os adolescentes brasileiros estão entre os que têm o pior sono no mundo. E a culpa não é do fato de eles ficarem na TV ou na internet até tarde. É o horário escolar, que não respeita seus relógios biológicos.

Segundo levantamento do Sleep Cycle, os adolescentes brasileiros vão para a cama por volta de meia-noite e acordam entre as 6h30 e 7h15. Em média, dormem cerca de 7h. A recomendação é de que as pessoas dessa faixa etária durmam de 8h a 10h por dia.

Além de dormirem pouco, os adolescentes brasileiros também acordam de mau humor, segundo o mesmo levantamento, que analisou hábitos de 50 mil jovens entre 14 e 18 anos pelo mundo. Na Áustria, eles acordam mais tarde, têm uma qualidade melhor de sono e acordam mais bem-humorados.

Os adolescentes dos EUA, Espanha, Inglaterra, Canadá e Austrália, além do Brasil, estão entre os que têm o pior sono.

Nos EUA, país em que os adolescentes têm hábitos de sono parecidos com os nossos, o tema é tratado como problema de saúde pública.

Nos adolescentes, a falta de sono limita a habilidade de aprender, ouvir, se concentrar e resolver problemas. Atrapalha a memória, faz aumentar a impaciência e pode levar a comportamentos agressivos.

Os jovens que dormem mal também têm mais chances de sofrer depressão, usar drogas e ter sobrepeso.

Nos EUA, onde eles podem dirigir a partir dos 16 anos, ainda há outro fator preocupante: o sono pela manhã aumenta o risco de sofrer acidentes no caminho da escola. Lá a Academia Americana de Pediatria recomendou que as escolas começassem às 8h30, mas apenas 18% delas seguem esse horário.

Mudar o horário da escola é mais eficiente do que lutar para colocar os adolescentes na cama mais cedo. Isso porque, biologicamente, eles têm tendência a dormir mais tarde e acordar mais tarde.

“Adolescentes são incapazes de dormir antes das 22h45”, explica a pesquisadora Kyla Wahlstrom, da Universidade de Minnesota, uma das autoras de um estudo sobre o tema.

Mudar o horário das 7h55 para as 8h30, por exemplo, foi o suficiente para que estudantes de um colégio americano conseguissem melhores notas, comessem mais no café da manhã, tivessem menos problemas de saúde e uma melhor performance nos esportes.

No Brasil, não há recomendação oficial, mas iniciativas isoladas confirmam a tese dos pesquisadores.

A escola estadual Francisco Brasiliense Fusco, na zona oeste de São Paulo, decidiu colocar os adolescentes para estudarem no período da tarde. "Depois de 20 anos vendo aluno meu dormir de manhã na aula, cansei e resolvi mudar o horário", disse à BBC a diretora Rosangela Macedo Moura. Quem estuda no período integral entra na escola às 9h.

Resultado: o número de faltas despencou e o rendimento melhorou. “Vimos uma melhora imediata”, conta a diretora.

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