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A relação entre mulheres no comando e o lucro das empresas

Pesquisa analisa dados de 22 mil companhias em 91 países. Embora fatores educacionais e políticos limitem a ascensão feminina, ela reflete nos ganhos

     

    As mulheres ainda ocupam pouco espaço na economia global - a presença delas em cargos executivos é muito menor do que a de homens. Nas empresas em que elas têm posição de liderança, no entanto, há impacto: quanto mais mulheres, mais lucros.

    Os dados vêm de um estudo do Peterson Institute for International Economics. Os pesquisadores analisaram 22 mil empresas de 91 países para entender as causas e consequências da baixa participação feminina em cargos executivos pelo mundo.

    Participação feminina varia de acordo com o país e área de atuação

    Entre as 22 mil companhias  analisadas, 60% não contavam com  mulheres como membros dos seus conselhos. Menos da metade tinha mulheres em cargos de comando - e, entre elas, 57% tinham apenas uma executiva. Só 5% da companhias (945) tinham presidentes-executivas mulheres.

    14%

    É a porcentagem de mulheres que ocupam cargos executivos em todos os postos analisados pelo estudo

    A porcentagem da participação feminina varia de acordo com o campo de atuação da empresa. Empresas da área de saúde, mercado financeiro, utilidades e telecomunicações são as que têm a maior porcentagem de mulheres no comando. As áreas de tecnologia, energia e indústria têm as menores.

    A diferença de gênero se mostra, além dos números, na maneira como as mulheres ascendem na carreira. Na área de finanças, por exemplo, as posições mais baixas são ocupadas de maneira equilibrada por homens e mulheres em início de carreira - mas poucas atingem as posições mais altas. Já nas áreas que têm menos mulheres empregadas, como logística e energia, as mulheres têm maiores chances de serem promovidas.

    Ascensão feminina varia de país para país

     

    O mapa mostra que não há uma relação direta entre a renda do país e a participação feminina em cargos de liderança. No Japão, apenas 2% dos conselhos são ocupados por mulheres; nas posições executivas, elas são 3%.

    O país com a maior igualdade é a Noruega, onde as mulheres ocupam 40% dos cargos de conselho (um índice garantido por uma política de cotas) e 20% das posições executivas. No Brasil, estima-se que mulheres ocupam apenas 13,7% dos cargos executivos, segundo pesquisa do Ibope e Instituto Ethos.

    As razões para a baixa participação feminina

    Fatores educacionais

    As diferenças na educação de meninos e meninas estão associadas às diferenças nas carreiras de cada gênero. O estudo mostrou que há uma relação entre a performance de alunos no Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), teste internacional de avaliação de desempenho aplicado pela OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e nas chances de ascensão profissional. Países cujas estudantes mulheres têm melhores resultados em matemática têm mais tendência a terem mulheres em cargos de comando. E em 60% dos países analisados pelo Pisa os meninos têm desempenho melhor na disciplina. Isso não acontece por uma aptidão natural, mas porque meninas são desencorajadas pelos pais e professores e têm menos autoconfiança nas disciplinas exatas.

    Conflito com a maternidade

    Várias pesquisas mostram que homens e mulheres têm ambições semelhantes relacionadas ao mercado de trabalho. Uma pesquisa da Universidade de Chicago, no entanto, mostrou que com o avançar dos anos a chance das mulheres terem abandonado a carreira é maior. O motivo? A maternidade. A cultura corporativa, que torna difícil conciliar tarefas familiares com a ocupação, e a falta de políticas de apoio para mães que trabalham são algumas das razões que levam as mulheres a abandonarem as carreiras depois de se tornarem mães. 

    Políticas de apoio

    É por causa do desequilíbrio provocado pela maternidade que políticas como licenças parentais fazem diferença nos resultados. E o maior impacto não vem da licença-maternidade - mas, sim, da paternidade. Os 10 países que têm um maior equilíbrio de gênero no mercado de trabalho são também os que têm políticas amplas de licença-paternidade ou têm licenças familiares. Ou seja, permitem que os pais também se ausentem do trabalho para equilibrar a responsabilidade com as mães. A presença de creches também está relacionada a melhores índices das mulheres no mercado de trabalho.

    Maior presença feminina tem impacto positivo

    Analisando os dados disponíveis das empresas, os pesquisadores concluíram que há uma relação entre a performance geral e o número de mulheres em cargos de chefia - mas não em todas as esferas.

    Empresas com homens CEOs e mulheres CEOs tiveram performance semelhante. Houve uma maior lucratividade das empresas com o maior número de mulheres em seus conselhos, mas nada que fosse estatisticamente relevante.

    O que faz diferença, segundo os pesquisadores, é a presença feminina em cargos executivos. Os pesquisadores estimam que um aumento de 30% na participação feminina está associado a 15% de aumento nos lucros.

    Eles atribuem a diferença dos números ao fato de que, com mais diversidade de gênero, aumenta também a diversidade de capacidades dos gestores, o que beneficia a empresa.

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