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Muitos vivem sem conta bancária. O Banco Mundial quer acabar com isso

Entidade quer universalizar acesso financeiro até 2020. No Brasil, 32% dos adultos não têm conta

    Das mais de 7 bilhões de pessoas do mundo, cerca de 2 bilhões não possuem conta bancária - 38% dos adultos. As estimativas são do Banco Mundial, que anunciou em 2013 a meta de universalizar o acesso financeiro até 2020.

    O banco considera esse um passo fundamental para atingir sua missão de erradicar a pobreza e melhorar as condições de vida nos países em desenvolvimento.

    A exclusão financeira está diretamente ligada ao nível de renda. Os 20% mais ricos em países desenvolvidos têm mais do dobro de chance de ter conta bancária que os 20% mais pobres. Entre as pessoas em situação de extrema pobreza, 73% não têm acesso a bancos.

    Entre os benefícios da inclusão financeira estão a possibilidade de ter depósitos seguros, maior facilidade de gerenciar o fluxo de caixa e suavizar o consumo, acumulando investimentos em bons momentos e acessando crédito em períodos de aperto.

    Estudos mostram ainda que contas de poupança que restringem a possibilidade de saque antes de um determinado tempo ou valor acumulado têm potencial para aumentar o investimento produtivo, os gastos com saúde preventiva e o empoderamento das mulheres.

    Existem também 200 milhões de micro e pequenas empresas em países subdesenvolvidos sem conta bancária. A falta de um banco mina o crescimento do negócio. Crédito é importante para a expansão, geração de empregos e riquezas.

    Quando se fala em banco, não se trata apenas de instituições privadas. Estão incluídas organizações de microcrédito e cooperativas, além dos bancos públicos, em que as taxas de serviço podem ser menores.

     

    Países mais afetados

    Está na África e no Oriente Médio a maior parte dos excluídos do mundo. No Brasil, 32% dos adultos não têm conta bancária. Na África, 66%, e, no Oriente Médio, 86%. Na América Latina, é quase metade da população adulta sem acesso ao serviço.

    Situação do Brasil

    O Banco Mundial reconhece os avanços que uma parceria com o Banco Central brasileiro trouxe ao país. Aqui, 68% dos adultos e mais da metade dos jovens adultos (entre 15 e 24 anos) têm conta bancária.

    Mas há ainda 1989 municípios sem agência bancária no país, 310 deles não tem sequer caixa eletrônico ou posto de atendimento.

    A maioria das cidades sem atendimento bancário fica no Nordeste, segundo dados de dezembro de 2015 do Banco Central. Das 1.794 cidades da região, 881 não têm agência bancária.

    Obstáculo à inclusão

     

    Educação financeira

    Acesso a contas bancárias é desejável, mas não resolve todos os problemas. Junto com a possibilidade de se guardar dinheiro e ter crédito em um banco, é importante que haja educação financeira.

    Educação financeira em termos de desenvolver a capacidade de entender as operações básicas realizadas em um banco, inclusive a cobrança de taxas, de juros e os riscos do endividamento. “Aqueles que não são financeiramente alfabetizados são incapazes de fazer escolhas sobre finanças pessoais”, pondera o economista Daniel Runde, do Centro para Estratégias e Estudos Internacionais.

    No Brasil, por exemplo, em que os juros sobre saldos não pagos do cartão de crédito ultrapassam os 400% ao ano, inclusão sem educação financeira pode causar problemas às pessoas.

    Taxas de juros cobradas pelos bancos

     

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