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Por que é tão difícil cumprir nossas resoluções de ano novo?

Estudo mostrou que apenas 8% das pessoas cumprem suas metas; recomendação é ser realista e focar em poucos objetivos

     

    A pergunta é direta e merece resposta igualmente sem rodeios, mas acima de tudo sincera. Como andam suas resoluções de Ano Novo? Está conseguindo mantê-las? O momento é propício para o questionamento: acabamos de completar o primeiro mês de 2016.

    Um estudo divulgado em dezembro de 2015 pelo departamento de psicologia da Universidade de Scranton, nos EUA, mostrou que apenas 8% das pessoas são bem-sucedidas em alcançar a meta proposta na entrada do novo ano. Os mais velhos se saem pior: entre pessoas acima dos 50, só 14% chegam no resultado almejado; a taxa vai a 39% entre pessoas na faixa dos 20.

    Uma consultoria britânica, a YouGov, chegou a resultados semelhantes para o Reino Unido em dezembro de 2014: apenas 10% dos entrevistados em uma pesquisa sobre o tema conseguiram manter suas resoluções até o fim do ano.

    Por que é tão difícil?

    Um dos principais motivos pelos quais resoluções são quebradas é porque caímos na armadilha da “Síndrome da Falsa Esperança”, uma tendência de comportamento identificada por dois pesquisadores da Universidade de Toronto. Segundo eles, essa síndrome ocorre porque acreditamos na ilusão de que mudança pessoal é fácil. A partir disso, traçamos metas irreais.

    De acordo com Tom Conellan, coach empresarial e autor do livro “The 1% Solution for Work and Life: How to Make Your Next 30 Days the Best Ever” (A solução 1% para o trabalho e a vida: Como fazer dos seus próximos 30 dias os melhores de todos, inédito em português), metas irreais incluem pensar em apenas uma grande mudança para o ano.

    Para Conellan, ter várias metas menores traz mais chances de resultados e, por consequência, momentos de motivação. Assim, em vez de um projeto que se desenrolará ao longo de um ano, o melhor seria focar em metas semanais ou mensais, sugere. Conellan também diz que mudanças implicam uma quebra da rotina, de um padrão com o qual estamos acostumados, o que pode não ser fácil.

    Como faz todo ano, o presidente do Facebook, Mark Zuckerberg, anunciou uma meta para 2016. Este ano, ele prometeu correr 365 milhas até o fim do ano (ou cerca de 590 quilômetros). Parece muito, mas quando se divide o total por dias do ano se chega a uma milha (ou 1,6 quilômetro) por dia, o que significa cerca de dez minutos de corrida diária. Uma meta perfeitamente realizável. O que Zuckerberg fez é indicado pelos especialistas: uma meta realista.

    Por que você escolheu essa meta?

    Em artigo para o "New York Times", o pesquisador e economista especializado em saúde Austin Frakt, conta sobre sua experiência com resoluções. O jornal diz que chamou Frakt para escrever “porque estamos sempre impressionados com a quantidade de coisas que ele consegue fazer”.

    Frakt diz que sempre confronta a resolução com suas perguntas: “Por que já não faço isso?” e “Por que tenho necessidade de fazer isso agora?”. O autor explica que a primeira questão é de ordem prática: ela busca identificar o obstáculo no caminho daquela resolução. A segunda é “emocional”: procura a motivação que será exigida para superar a barreira de modo consistente. “Prefiro não adotar uma resolução caso eu não consiga identificar o obstáculo corretamente e ter vontade suficiente de ultrapassá-lo. Sem isso, a resolução está condenada do início”.

    Administrando a força de vontade

    A força de vontade é como um músculo, precisa ser exercitada para que se fortaleça. Mas também cansa se submetida a longas sessões de uso. É o que explica o professor Roy Baumeister, da Universidade da Flórida. Em entrevista ao jornal "Guardian", ele argumenta que pequenos atos de autocontrole do dia a dia, como fazer algo que não se quer ou não ir ao banheiro quando se tem vontade, podem atrapalhar sua determinação. “Tudo isso suga sua determinação.”

    Para ele, é por isso que não é viável tentar cumprir várias resoluções: sua força de vontade não tem energia para tanto. Para Baumeister, o mais indicado é tentar atingir suas metas em sequência. O pesquisador acrescenta que é melhor começar pela mais fácil, até como modo de já ir exercitando sua força de vontade. Ele cita estudos que mostram que voluntários submetidos a pequenos e regulares desafios de autocontrole por uma ou duas semanas melhoram sua força de vontade de modo significativo.

     

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