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Como a meteorologia explica o temporal que atingiu Porto Alegre

Tempestade com ventos de até 120 km/h varreu a cidade na sexta-feira (29). Mas não foi exatamente um furacão

    No dia 29 de janeiro, a última sexta-feira do mês, um temporal com ventos de 120 km/h varreu a cidade de Porto Alegre. Vídeos e fotos registraram a força da tespestade, que derrubou 2 mil árvores, deixou 328 mil pessoas sem luz e fez o prefeito declarar estado de emergência.

    Especialistas concordam: foi um evento raro, muito violento, e que certamente ficará marcado na história da cidade. Embora a previsão do tempo tivesse falado em possibilidade de chuvas e ventos, ninguém foi capaz de prever a intensidade do temporal.

    O evento pode até ser comparado a um furacão. Apesar de as origens serem diferentes, a meteorologia classifica como furacão de categoria 1 situações em que se registrem ventos de mais de 117km/h.

    Microexplosões como a que aconteceu em Porto Alegre são relativamente comuns no Brasil. Embora esporádicas, não são eventos raros. São Paulo teve uma no fim de 2014, por exemplo

    Mas o que aconteceu em Porto Alegre não foi propriamente um furacão. Até agora, o provável é que tenha sido um fenômeno conhecido como microexplosão, tempestades de vento que se formam em nuvens do tipo cúmulo-nimbo em razão do encontro entre ar quente e frio.

    Na capital, os medidores exibiam altas temperaturas. A cidade também tinha acabado de receber uma frente úmida do interior do Estado.

    Microexplosões são relativamente comuns no Brasil - embora esporádicas, não são exatamente raras. Um temporal do tipo foi responsável pela queda de cerca de 200 árvores na cidade de São Paulo em 29 de dezembro de 2014. Em 2013, um violento vendaval na cidade de Itu, também em São Paulo, chegou a destelhar casas.

    Veja as principais possibilidades:

    • O Metroclima, como é chamado o observatório municipal de meteorologia de Porto Alegre, acredita que o temporal tenha sido causado por um sistema chamado supercélula, um tipo de tempestade caracterizada por uma corrente de ar que sobe girando dentro de uma nuvem. Nesse caso, o calor serviu como combustível para o fenômeno. Supercélulas são um fenômeno meteorológico global. No Brasil, acontecem principalmente nas regiões Sul e Sudeste. 
    • O professor Francisco Aquino, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, disse que a culpa dos ventos é um Complexo Convectivo de Mesoescala, um sistema que reúne várias nuvens cúmulo-nimbo. O fenômeno provoca rajadas violentas de vento, chuvas torrenciais (com a possibilidade de granizo) e pode culminar com tornados. Costuma acontecer nos EUA, durante a primavera e o verão, e também no Pacífico, na África e na América do Sul.

    O prefeito em exercício, Sebastião Mello (PMDB-RS), disse que serão necessárias pelo menos duas semanas para desobstruir todas as ruas e avenidas que foram fechadas com árvores ou com estruturas destruídas.

    A prioridade, de acordo com ele, é restabelecer o abastecimento de água e energia elétrica em toda a cidade.

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