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O que é preciso saber para não boiar nas eleições americanas

Quem são os principais pré-candidatos e como funciona o sistema eleitoral indireto que definirá o novo morador da Casa Branca

     

    Os EUA escolherão no dia 8 de novembro de 2016 seu 45º presidente da República, além de 12 governadores, todos os 435 deputados e 34 dos 100 senadores, sem contar a escolha de prefeitos em diversas cidades espalhadas pelos 50 Estados americanos. Até a votação, há um longo caminho de campanhas e debates que faz das eleições americanas uma das mais extensas e vibrantes do mundo.

    Lá o voto não é obrigatório. Envolver o eleitor e convencê-lo a ir para as urnas se torna, dessa forma, um grande desafio para quem disputa a Casa Branca. Para você acompanhar todo o processo, seus personagens e datas-chave, elaboramos um pequeno guia.

    Principais nomes da disputa até o momento

    Nos EUA, dois grandes partidos protagonizam as eleições: o Democrata e o Republicano. Mas, além deles, há uma série de outros partidos muito menores e menos conhecidos - alguns com nomes tão incomuns quanto Partido da Nutrição e Partido da Proibição. Essas agremiações sem chance real de vitória são chamadas genericamente de “terceiro partido”. Junto com eles, concorrem também pré-candidatos independentes.

    Os pré-candidatos que lideram as pesquisas são:

    Democratas

    Hillary Clinton: A advogada de Chicago tem 68 anos, foi secretária de Estado de 2009 a 2013, além de primeira-dama do ex-presidente democrata Bill Clinton. Ela concorreu contra o atual presidente Barack Obama nas prévias democratas de 2008, mas acabou derrotada. Se vencer será a primeira mulher a ocupar o cargo.

    Bernie Sanders: Senador pelo Estado de Vermont, Sanders foi deputado por 16 anos e apresenta-se como um candidato social-democrata inspirado pelas políticas públicas das democracias nórdicas, com forte presença do Estado em áreas sociais, algo pouco comum no liberalismo econômico americano. Com 74 anos, construiu sua carreira lutando pelos direitos civis. Agora, corre por fora na disputa democrata.

     

    Republicanos

    Donald Trump: O bilionário americano de 69 anos já era conhecido por sua imagem de superempresário e pela participação em programas de TV como o reality show “O Aprendiz”, no qual dispensava candidatos a uma vaga gritando: “demitido!”. Depois do início da campanha, passou a ocupar o noticiário político com declarações xenófobas e sexistas, à medida que subia sem parar nas pesquisas.

    Ted Cruz: O senador pelo Estado do Texas, de 46 anos, nasceu em Alberta, Canadá. É advogado, filho de pai cubano e mãe canadense. Cruz começou atrás nas pesquisas e ainda não ameaça o líder, Trump - em janeiro, a diferença entre os dois era de 16 pontos percentuais na média nacional.  Foi assessor do ex-presidente republicano George W. Bush e satisfaz eleitores conservadores que rejeitam o perfil caricato de Trump.

    O que dizem as pesquisas

    A primeira primária americana será no Estado de Iowa, no dia 1º de fevereiro. Por isso são tão importantes as pesquisas que identificam a preferência dos eleitores nessa região.

    A surpresa de Sanders

    O favoritismo de Trump

     

    Por que Trump e Sanders estão roubando a cena

     

    Uma característica marcante dessa eleição é a presença de dois candidatos inesperadamente competitivos, tanto no campo republicano quanto no democrata. Trump lidera entre os republicanos com um perfil ainda mais conservador que o dos militantes do “tea party”, a ala mais radical do partido. Do outro lado, Sanders importa para o campo democrata propostas de um socialismo de mercado incomum na política americana.

    Trump, o polêmico bilionário americano, ficou conhecido por declarações espontâneas e intempestivas nas quais revela por vezes um viés xenófobo. Em julho de 2015, na véspera de uma visita à fronteira entre México e EUA, ele disse que os imigrantes mexicanos são traficantes de drogas e estupradores. Trump prometeu construir um muro para separar os dois países e enviar a conta da obra para os mexicanos pagarem. Nos comícios, o candidato grita: “quem pagará o muro?” e seus eleitores respondem: “os mexicanos”.

    A maior vitrine do candidato tem sido sua conta no Twitter, na qual publica em média mais de 12 mensagens por dia para um público fiel acima de 4 milhões de seguidores. Em agosto de 2015, ele atacou seus críticos dizendo:

    "[Há] muitos idiotas politicamente corretos em nosso país. Temos todos de voltar ao trabalho e parar de perder tempo e energia com nonsense"

    Donald Trump

    pré-candidato republicano

    Do lado democrata, Sanders destoa por atacar - pelo menos nos debates e discursos de campanha - as estruturas do capitalismo frenético tão fortemente associado à identidade americana. A vinculação dos grandes grupos privados com as campanhas políticas tem sido seu alvo principal.

    No último debate democrata, realizado no dia 17 de janeiro, em Charleston, no Estado da Carolina do Sul, Sanders acusou Hillary de fazer o jogo de Wall Street, centro nevrálgico e simbólico do sistema financeiro americano. Para ele, sua adversária é financiada por grupos econômicos de pressão que a impediriam de governar para os cidadãos.

    Outro ponto recorrente em seu discurso é a reforma da saúde. Enquanto Obama e Hillary celebram os avanços conquistados num primeiro ensaio de sistema público nos EUA, Sanders considera as medidas ainda tímidas e defende a cobertura universal de saúde para todos os americanos, sem qualquer discriminação de ordem econômica.

    “O que um programa de saúde para todos deve fazer é prover saúde para cada homem, mulher e criança como um direito”

    Bernie Sanders

    Pré-candidato democrata

    Primárias são levadas a sério

     

    Os pré-candidatos democratas e republicanos disputam primeiro, no interior de seus próprios partidos, o direito de concorrer como nome da legenda à Casa Branca. A primeira etapa eleitoral opõe, portanto, democratas contra democratas e republicanos contra republicanos.

    Todos os 50 Estados americanos participam dessas prévias. Em alguns deles, funcionam as “primárias abertas”, nas quais todos os eleitores podem votar. Nesse caso, quem decide votar na primária democrata não vota na primária republicana. E vice-versa.

    Em outros Estados são realizadas as “primárias fechadas”. Nelas, apenas quem está registrado num determinado partido pode votar. Cidadãos sem filiação ficam de fora.

    Um terceiro caso, híbrido, é o dos Estados com “primárias semifechadas”. Nelas, eleitores que já estejam registrados num determinado partido não podem votar na primária de outro, mas quem não está filiado a partido algum pode escolher livremente em quem votar.

    Por fim, há um sistema bastante livre chamado “top two”. Nele, o órgão eleitoral simplesmente publica a lista dos candidatos e as pessoas votam livremente. No final, o primeiro colocado de cada partido é o vencedor da primária.

    Como funciona o sistema de eleição indireta

     

    Nos EUA, os eleitores escolhem 538 delegados que integram um colégio eleitoral. Esses delegados é que votam para presidente da República. O candidato que obtiver 270 votos do colégio eleitoral é o vencedor.

    Alguns Estados são tradicionalmente republicanos, como o Texas, com 38 delegados. Outros votam repetidamente pelos democratas, como a Califórnia, com 55 votos. Mas um grupo de “Estados-pêndulo” oscila de maneira menos previsível, como Ohio, com 18 votos, e a Flórida, com 29. A disputa é mais forte tanto nesses “Estados flutuantes” quanto nos Estados que têm maior número de delegados.

    Na maioria deles, prevalece a regra  “o vencedor leva tudo”. Assim, se a maioria dos 29 votos de Nova York, por exemplo, vai para um determinado candidato a presidente, este fica com todos os votos daquele colégio eleitoral, enquanto seu oponente fica sem voto algum. Essa fórmula provoca situações inusitadas, como a ocorrida na eleição de 2000, entre o republicano George W. Bush e o democrata Al Gore.

    Bush teve nominalmente 49,7% dos votos. Al Gore teve 50,3%, mas, mesmo assim, perdeu a eleição. Isso aconteceu porque Bush, embora tenha recebido menos votos individuais, teve a maioria dos colégios eleitorais, de acordo com a regra “o vencedor leva tudo” em cada Estado onde obtém a maioria dos votos.

    Esta breve animação foi produzida pelo TED-Ed para capacitar educadores a explicarem com detalhes os sistema eleitoral americano. Ela tem apenas cinco minutos.

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