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Por que o dólar subiu tanto. E não para de subir

Economistas ouvidos pelo Nexo enumeram fatores e avisam que novos recordes são prováveis

     

    A cotação do dólar no fim do pregão da última quinta (21), R$ 4,16, é a mais alta da história do Plano Real (em termos nominais, ou seja sem levar em conta a inflação).

    O movimento de valorização da moeda americana já dura pelo menos 15 meses. E tem causas que vão além da decisão recente do Banco Central. O problema nas contas do governo é uma delas.  Entre os fatores externos, há o aumento de juros nos Estados Unidos e a falta de confiança em países exportadores de Petróleo e a desaceleração da China.

    Real desvalorizado

     

    Para explicar a desvalorização do Real, o Nexo ouviu três economistas.

    Rebaixamento da nota

    Há quatro meses, o Brasil perdeu o selo de bom pagador. A agência Standard & Poor’s sinalizou para o mercado que o país já não era mais tão seguro como destino de investimentos estrangeiros. Esse aumento da desconfiança é mencionada como um dos fatores que contribuíram para o aumento do dólar:

    André Perfeito

    economista-chefe da Gradual investimentos

    “O primeiro motivo foi a perda do grau de investimento [em setembro de 2015], o que implica em uma percepção pior do país. O segundo é uma situação de juros nos Estados Unidos, que desvalorizou várias moedas. O terceiro é que já havia a necessidade desse ajuste de câmbio. O governo já queria desvalorizar porque o patamar que tinha antes não era sustentável. Mas isso aconteceu da pior maneira possível, aos trancos e barrancos, como efeito colateral de uma crise política.

    No curto prazo, a situação do câmbio pode piorar por questões externas. O Brasil é um mercado atípico em relação aos emergentes. Por causa do tamanho da economia, o Real é a moeda emergente preferida para operações de curto prazo. Por isso sofre mais com a volatilidade.”

    Não é o teto

    Falta de sinais positivos faz consultoria acreditar que dólar deve subir ainda mais nos próximos meses. Cenário externo e sinalização de que governo pode se afastar do ajuste fiscal são causas do pessimismo.

    Alessandra Ribeiro

    Diretora de macroeconomia e política da Tendências Consultoria

    "Existem os fatores externos e internos para a alta. Um dos principais foi expectativa de juros nos Estados unidos, com fluxo de recursos saindo de mercados arriscados para o americano. Além disso, os preços das commodities tiveram uma boa queda e quando isso acontece o real se desvaloriza, dada a importância das commodities em nossa pauta exportadora.

    Dentre os fatores internos, principalmente desde julho de 2015, as incertezas em relação à situação fiscal aumentaram, o que teve um impacto grande no câmbio. Aumentou a desconfiança sobre a situação brasileira potencializada pela crise política.

    Não chegamos ao teto. Primeiro porque a normalização da política monetária (aumento de juros) nos Estados Unidos continua. E ainda tem a desaceleração China. Adicionalmente, há sinais do governo no sentido de retomada da heterodoxia na política econômica."

    O peso dos EUA

    Com economias importantes passando por maus momentos, os Estados Unidos parecem a melhor aposta. Ponto para o dólar.

    Luis Afonso Fernandes Lima

    economista na Mapfre Investimentos

    "Há uma tendência de fortalecimento do dólar perante outras moedas no mundo. Esse movimento tem pouco a ver com o real. O dólar se fortalece por causa do aumento dos juros e dinamismo da economia americana. Ao mesmo tempo, outras economias importantes, como China e Europa, demonstram fraquezas.

    Ao mesmo tempo, há fundamentos internos que complementam o movimento. As finanças públicas da economia brasileira se enfraqueceram e tendem a se enfraquecer mais. Nada indica reversão dessa tendência de piora fiscal dado que a probabilidade de aprovação de reformas é baixa."

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