As ideias do novo secretário de Educação de SP em 7 frases

Geraldo Alckmin anunciou na sexta-feira (22) o desembargador José Nalini para comandar área no Estado. Aqui estão algumas declarações que ajudam a traçar seu perfil

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    O desembargador José Renato Nalini, 70 anos, é o novo secretário de Educação do Estado de São Paulo. O anúncio foi feito pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) na sexta-feira (22).

    Nalini substituirá Herman Voorwald, que caiu após a suspensão da reorganização escolar. Entre os meses de outubro e novembro de 2015, alunos ocuparam escolas em protesto ao projeto de reforma que separaria estudantes por idade em parte dos colégios e fecharia 93 unidades. O comando da pasta estava vago desde 4 de dezembro.

    Nalini tem sua trajetória ligada ao Direito - é desembargador, foi presidente do Tribunal de Justiça por dois anos, seguiu carreira acadêmica na USP e deu aulas em universidades como Faap, Uninove, Unip e Escola Paulista de Magistratura.

    “O professor Nalini tem espírito público e é extremamente interessado nas questões da educação. É um homem do diálogo, da cultura, da Academia Paulista de Letras.”

    Geraldo Alckmin

    Governador de São Paulo, no anúncio da nomeação

    O novo secretário causou polêmica em 2014 ao defender um auxílio-moradia de R$ 4.300 para juízes. Em entrevista ao jornal da TV Cultura, ele afirmou que o salário da categoria estava defasado. E usou o seguinte argumento: um juiz não “consegue ir toda hora para Miami comprar ternos”, já que precisa usar um diferente todo o dia.

    Em outro episódio, Nalini teve rendimentos líquidos no valor de R$ 96 mil em apenas um mês de 2015, mas alegou que não tinha R$ 5 mil, na mesma época, para arcar com os custos de uma ação na qual estava envolvido.

    Ex-presidente da Academia Paulista de Letras e bastante ativo nas redes sociais, Nalini já falou sobre assuntos relacionados à educação em seus canais pessoas de comunicação e em artigos de jornal.

    Veja o que ele pensa sobre o tema, além de suas opiniões a respeito da redução da maioridade penal e da punição a manifestantes que participam de atos de vandalismo:

    Educação e o papel dos pais

    “A escola transmite conhecimento. Mas a base vem de casa. Quando não há mãe que ensine, pai que discipline, hierarquia no lar, é evidente que a escola só poderia se transformar em cenário de lamentáveis espetáculos. O que pretendemos ao acreditar que o governo é quem deve cuidar de tudo? O retrocesso é galopante."

    25 de novembro, em seu blog

    “Antigamente, se o aluno tivesse uma nota ‘vermelha’, era admoestado pelos pais. Eles aplicavam castigos, proibiam o lazer, impunham uma rápida regeneração da performance. Hoje, se a nota não corresponde à expectativa do aluno, os pais procuram o colégio, reclamam com o diretor e enfrentam o professor. Este, em vários nichos de excelência, é considerado um empregado do aluno que sustenta o equipamento. A relação de consumo também se estabeleceu na educação privada. Quem paga tem direito a exigir conduta submissa do prestador de serviço.”

    15 de outubro, em sua coluna no "Diário de S. Paulo"

    Educação e esforço pessoal

    “O que falta à juventude de hoje é exatamente isso: sonhar alto. Ousar. Acreditar em si mesmo. O conhecimento é algo que se adquire mediante empenho, esforço, sacrifício. Algo que está fora de moda. Certo psicologismo rasteiro propaga que todos são coitadinhos, são vítimas, não se pode exigir mais.”

    11 de dezembro, comentando sobre o brasileiro de origem humilde que foi aprovado na Universidade de Stanford, em seu blog

    Mudanças na educação

    “Educar é fazer com que se desenvolva a autonomia. Não é isso o que estamos assistindo. O resultado está no pífio índice obtido pelo Brasil no cotejo com as nações realmente civilizadas.”

    9 de junho, em seu blog, comentando sobre a possibilidade de dar aulas de culinária, agricultura e marcenaria nas escolas

    Crianças e tecnologia

    “O acesso à internet passou a ser uma questão de direitos humanos. As crianças parece que já nascem com ‘chips’. São desenvoltas, hábeis e aptas a trabalhar com as bugigangas eletrônicas. Como o desenvolvimento digital se dá num ritmo alucinante, a superação do fosso que separa os ‘navegantes’ dos que são ‘jejunos’ na área torna-se política pública de relevo.”

    14 de janeiro de 2016, em artigo no jornal de Jundiaí. À frente do TJSP, Nalini implantou um projeto chamado “100% Digital”, que implantou um sistema de petições eletrônicas nos tribunais do Estado. Para ele, a tecnologia permite que as “pessoas abandonem a faixa da pobreza e da exclusão por elas mesmas”

    Redução da maioridade penal

    “Sempre me posicionei contra. Acho que é um equívoco (...). Seria melhor para nós se nós pudéssemos prolongar o período de internação na Fundação Casa. E precisaríamos combater não os efeitos, mas as causas. Por que a sociedade está produzindo crianças delinquentes?”

    6 de abril de 2015, no Programa Roda Viva

    Punição em manifestações

    “Você segura o sujeito, leva para a delegacia. Do que ele vai ser acusado. De dano? Crime de dano não dá prisão. Eu, como cidadão, vejo que esses desordeiros, esse foco de gente que quer criar problema, não têm a adesão da sociedade inteira.”

    Fevereiro de 2015, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, defendendo tipificação penal para punir manifestantes desordeiros

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