Um passeio pela arquitetura de São Paulo em 6 prédios residenciais

Um corretor de imóveis conheceu de perto construções emblemáticas e resolveu divulgar o que via. O resultado virou um livro que reúne fotos de marcos arquitetônicos da cidade

O Nexo é um jornal independente sem publicidade financiado por assinaturas. Este conteúdo é exclusivo para nossos assinantes e está com acesso livre como uma cortesia para você experimentar o jornal digital mais premiado do Brasil. Apoie nosso jornalismo. Conheça nossos planos. Junte-se ao Nexo!

 

Cada prédio que sobe muda um pouco a vida na cidade. Quem diz isso é o corretor de imóveis Matteo Gavazzi, que de tanto entrar em prédios incríveis e desconhecidos da cidade resolveu criar um canal para divulgá-los, por dentro e por fora: o Prédios de São Paulo, que começou como uma página no Facebook e hoje é um livro.

A página, que hoje tem mais de 35 mil fãs, lançou em 2015 um financiamento coletivo para viabilizar um livro com prédios da cidade. O crowdfunding arrecadou mais do que o dobro da quantia prevista (R$ 80 mil) e viabilizou a primeira edição do livro Prédios de São Paulo, que se esgotou rapidamente. Com mais de 500 pessoas na fila de espera, o criador do projeto lançou o segundo financiamento coletivo, que resultou na segunda edição do livro.

O projeto conta a história e reúne fotos de mais de 150 edifícios emblemáticos da cidade. Estão ali desde clássicos bem conhecidos, como o edifício Copan, de Oscar Niemeyer ou o Bretagne, de João Artacho Jurado, até prédios menos festejados, mas igualmente impressionantes, como o Germanie Burchard, no centro, ou Prédio Santo Antônio, em Pinheiros.

“O apartamento padrão já não agrada mais a gregos e troianos. As pessoas estão sempre à procura de imóveis que combinem com seu estilo de vida e personalidade. E isso só os prédios com boa arquitetura ou emblemáticos/icônicos têm”, diz Gavazzi.

 

Mas apartamentos icônicos têm duas características: ou são antigos ou, se novos, fazem parte de uma pequena leva de lançamentos assinados por escritórios de arquitetura. A maior parte dos lançamentos atuais não têm, necessariamente, esse tipo de preocupação como elemento central do projeto.

“A maioria das coisas hoje no mercado não têm apelo arquitetônico. São construtoras que enfeitam seus produtos para compor os famosos ‘condomínios-clube’”, diz o corretor e pesquisador. Esse tipo de empreendimento, para ele, é uma maneira de tentar convencer o usuário de que os problemas resultantes de uma planta ruim e da falta de espaço poderiam ser supridos com os itens de lazer. “A verdade, porém, é que as pessoas não moram na academia e no salão de festas”.

Alguns empreendimentos recentes, no entanto, conseguiram, na opinião de Gavazzi, fazer o que ele chama de “colocar o ser humano na frente do processo”: são projetos com plantas amigáveis e áreas mais abertas para a cidade, sem perder o apelo comercial.

Conheça alguns dos prédios registrados para o projeto

Predio Santo Antônio

 

O pequeno edifício dos anos 1920, no bairro de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, foi restaurado recentemente. A reforma eliminou divisórias, mas manteve a estrutura.

Germaine Burchard

Projetado pelo arquiteto Enrico Brand, foi uma encomenda da condessa brasileira Germanie Burchard, que vivia em Paris, na França. Foi o primeiro flat da cidade - na cobertura vivia a família Burchard. O prédio abrigou um hotel, mas uma reforma recente recuperou sua vocação original residencial. Fica no centro da cidade.

Edifício Cícero Prado

 

Projeto arrojado da década de 1950 de Gregori Warchavchik. Em três torres no bairro de Campos Elíseos, ele tem apartamentos de 90 a 160 m2.

Edifício Bretagne

 

É o mais conhecido de João Artacho Jurado, construtor e designer que fez fama ao construir prédios arrojados, coloridos e fora do comum. Quando foi lançado, em 1959, foi um sucesso de vendas e faz sucesso ainda hoje - já foi considerado um dos prédios mais bonitos do mundo.

Edifício Abaeté

 

O prédio, projetado por  Abrahao Sanovicz nos anos 1960, tem a pretensão de mudar todos os dias. E conseguiu. A estrutura móvel que o recobre, executada pelo escultor Luiz Sacilotto, permite várias configurações diferentes.

Edifício Albina

 

Localizado em Santa Cecília, na região central, o prédio é marcado pelas venezianas em madeira. Elas foram substituídas uma vez desde que o prédio foi erguido, nos anos 1960, mas mantiveram o projeto original. O nome "Albina" é uma alusão à dona do terreno, Albina, que também era avó do arquiteto, Alberto Botti.

Edifício Jaraguá

 

Ele fica em uma área elevada da Pompéia, na zona oeste da cidade. O projeto de Paulo Mendes da Rocha tem sete apartamentos, que ocupam andares inteiros, poucas divisórias e paredes de vidro. Foi construído na década de 1980.

Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project.