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Esqueça os estereótipos. Saiba quem de fato usa a bicicleta no Brasil

No país, bicicleta é meio de transporte usado quase todos os dias - principalmente pela população mais pobre

     

    Engana-se quem pensa que os ciclistas brasileiros são ativistas de classe média alta e pessoas que usam a bike por lazer e aproveitam as ciclofaixas. No Brasil, a bicicleta é um meio de transporte relevante para a população mais pobre, aquela que muitas vezes fica de fora das políticas de mobilidade urbana.

    Os dados são da pesquisa Perfil do Ciclista, feita pela ONG Transporte Ativo em parceria com outras nove entidades. Eles mostram que mostram que a maioria dos ciclistas tem renda de até três salários mínimos e usa a bicicleta como meio de transporte diário, principalmente para ir ao trabalho.

    Mais pobres pedalam mais

    Trabalho é o principal destino

     

    No geral, a maior parte dos ciclistas brasileiros usa a bicicleta em trajetos entre 10 e 30 minutos. Nesse tempo, é possível percorrer uma distância que pode variar entre três e oito quilômetros.

    A distância das pedaladas

    Além disso, mais da metade dos ciclistas brasileiros usa a bicicleta entre cinco e sete dias por semana. Os números variam de cidade para cidade, mas, em geral, mostram que os ciclistas esporádicos são mais raros.

    A pesquisa foi feita com 5 mil ciclistas em dez cidades brasileiras:  Aracaju, Belo Horizonte, Brasília, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Niterói, Salvador e São Paulo.

    Quase todo dia é dia de bicicleta

     

    Nas cidades nordestinas de Aracaju e Recife, por exemplo, mais de 70% dos ciclistas têm rendimento mensal de até dois salários mínimos. Em Brasília, os ciclistas são mais jovens e têm mais escolaridade (30% têm ensino superior completo).

    “Nas grandes cidades e nas capitais, o uso vem crescendo muito, e a necessidade de se conhecer dados e fatos vai se tornando cada vez mais importante, para possibilitar um planejamento eficiente”, diz Zé Lobo, diretor-executivo da Transporte Ativo.

    Diferença no uso da bicicleta varia conforme a infraestrutura

    Brasília é a campeã no uso combinado da bicicleta com outros meios de transporte: metade dos ciclistas usa metrô para completar o trajeto. Lá é permitido transportar as bicicletas no último vagão do metrô desde 2012.

    No Rio de Janeiro, um dado relevante é a frequência com que os ciclistas pedalam: 81% usam a bicicleta pelo menos cinco dias por semana em trajetos de até 30 minutos. A cidade tem uma malha de 400 km de ciclovias.

    Em São Paulo, o número de ciclistas que utilizam a bicicleta como meio de transporte diário é bem menor: 38%. Chama a atenção a longa distância percorrida de bicicleta: 29% dos usuários pedalam entre 30 minutos e uma hora.

    Segundo Lobo, a recente construção da malha cicloviária impulsionou o uso da bicicleta em São Paulo: 40% dos entrevistados começaram a pedalar há menos de um ano. O problema é que as mudanças ainda não chegaram na periferia.

    O mapa da malha cicloviária da cidade deixa claro: as ciclovias da periferia não estão conectadas com o centro.

     

    Segundo a pesquisa, entre as pessoas que pedalam fora das ciclovias, 75% estão em bairros periféricos de São Paulo.

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