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Sua babá eletrônica pode estar transmitindo imagens para o mundo

Sites transmitem cenas de webcams sem consentimento dos usuários e escancaram o problema de privacidade da internet das coisas

     

    Babás eletrônicas vão além de transmitir imagens de bebês e dar segurança a pais que estão longe. Elas podem exibir as imagens dos bebês para o mundo - sem que os pais saibam disso.

    Vários sites transmitem a qualquer usuário imagens de webcams desprotegidas. As babás eletrônicas são apenas a parte mais sensível desse fenômeno.

    Imagens de bebês dormindo calmamente podem ser vistas por outras pessoas porque os usuários não trocam as senhas e nem mudam a configurações de seus aparelhos.

    Isso também acontece com webcams, câmeras de segurança ou qualquer outro tipo de dispositivo que capte imagens e esteja conectado à internet. Como hoje em dia grande parte das babás eletrônicas se conecta à rede Wi-Fi e permite que os pais acessem as imagens de lugares remotos, elas estão nessa categoria de objetos vulneráveis.

    Sites permitem encontrar câmeras desprotegidas

     

    Em 2014, um site que exibe em tempo real milhares de imagens de webcams começou a chamar a atenção da mídia - o objetivo é, justamente, chamar a atenção para a insegurança desse tipo de dispositivo. Mais de duzentas delas estão no Brasil. E seus donos provavelmente não imaginam que estão participando de um Big Brother involuntário. Pior: as imagens são geolocalizadas.

    Em geral, as imagens transmitidas são câmeras de segurança instaladas em locais públicos. Mas as babás eletrônicas, que captam imagens íntimas de bebês e seus pais, também fazem parte desse universo.

    O Shodan é uma ferramenta de buscas para a internet das coisas. Isso significa que ele busca aparelhos conectados e inteligentes pelo mundo - casas automatizadas, veículos autônomos, sensores climáticos. E, agora, ele também busca por webcams.

    O site ArsTechnica explorou a ferramenta de buscas, restrita a assinantes do serviço, e viu imagens em tempo real de escolas, cofres bancários, plantações de maconha e babás eletrônicas.

    Configurar uma senha é a medida básica

    Essas câmeras usam um protocolo de transmissão de vídeo em tempo real, mas não são protegidas por senha. O serviço de busca varre a internet atrás de endereços IP desprotegido - se encontra um deles que não requer autenticação, ele o indexa nos resultados de busca.

    Estima-se que haja milhões de câmeras transmitindo imagens íntimas sem consentimento de seus proprietários.

    O problema tem duas pontas: a primeira é o lado dos fabricantes, que reduzem custos e, com eles, mecanismos de proteção; a outra é dos usuários, que não se atêm às especificações de segurança.

    A proteção reforçada não é algo que se venda em produtos deste tipo - e as pessoas ainda não sabem que talvez pagar por isso seja a melhor opção.

    Uma possível solução seria forçar os clientes a configurarem uma nova senha toda vez que um novo aparelho do tipo fosse instalado, por exemplo.

    Em 2013, criminoso invadiu babá eletrônica e começou a gritar remotamente com um bebê de dois anos

    Em 2013, a Foscam, fabricante de câmeras de segurança, teve uma babá eletrônica hackeada. O invasor começou a gritar e falar coisas para um bebê de dois anos. O incidente fez a empresa rever sua política de segurança: a partir de então, todas as câmeras devem ser sua senha mudada no primeiro uso.

    O FTC (Comisssão Federal de comércio dos EUA, na sigla em inglês) também está de olho neste problema e estuda algum tipo de regulação para a área.

    E a preocupação é urgente: a internet das coisas cresce em um ritmo acelerado. A consultoria Gartner estima que em 2016 o mundo terá 6 bilhões de objetos conectados à internet. É um aumento de 30% em relação a 2015.

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