Uma flor cresceu no espaço. Bom para a ciência. E para os astronautas

Estufa especial simula as condições da Terra e é um preparativo para o cultivo de plantas em missões especiais, como a ida a Marte

    No domingo (15) o astronauta Scott Kelly postou em seu Twitter a foto de uma flor do tipo Zínia, com pétalas laranjas. Ao fundo, estava o planeta Terra. Segundo Kelly, que cultivou a planta na ISS (Estação Espacial Internacional, na sigla em inglês), é a primeira vez que uma flor cresce no espaço.

     

    Para conseguir cultivar plantas fora da Terra, a Nasa utilizou uma espécie de estufa especial chamada “Veggie” para tentar simular as condições de vento, umidade e iluminação necessárias  para as plantas crescerem. Os testes começaram em 2014.

     

    Apesar de todo o equipamento, a tarefa não foi fácil. A Nasa explicou em seu site as dificuldades enfrentadas. Antes de plantar uma flor, em 2014, eles conseguiram plantar um pé de alface. O projeto deu tão certo que os astronautas até comeram a verdura.

     

    Só depois do alface eles tentaram plantar as flores. Mas também não conseguiram de primeira. Segundo a Nasa, elas eram muito mais sensíveis às alterações ambientais e mudanças de iluminação.

    A alta umidade e o baixo fluxo de ar fizeram com que água se acumulasse na superfície das folhas, que ficaram retorcidas e desgastadas. A água também gerou mofo, que foi congelado a -80º C e será estudado na Terra. Veja na foto abaixo:

    Após o astronauta divulgar as fotos das flores, duas delas morreram de stress. Elas também foram congeladas e serão estudadas na Terra. Ainda há  outras duas que continuam vivas e crescendo.

    Kelly diz que os estudos são particularmente úteis para entender como cultivar plantas em condições de pouca gravidade. Além disso, pode ser considerado um preparativo para tentativas  de cultivar plantas em outros locais, como Marte. Por fim, a agência defende que plantas em estações espaciais também são importantes para reduzir a sensação de isolamento dos astronautas.

    A flor de Zínia tem um ciclo de crescimento maior do que o alface (entre 60 e 80 dias), e é mais útil para os astronautas dominarem ciclos de plantio. Agora, a Nasa diz que está mais perto de cultivar outros alimentos sensíveis, como o tomate.

    Outras ‘flores espaciais’

    Apesar de Scott Kelly afirmar que essa é a primeira flor a crescer no espaço, há registros de astronautas que atingiram o feito antes.

    Em redes sociais como o Reddit e Twitter, algumas pessoas atentaram a registros anteriores de astronautas, inclusive da Nasa, cultivando flores no espaço. No entanto, nem a Nasa nem Scott Kelly comentaram o assunto. Veja outros registros de astronautas que já cultivaram flores no espaço:

    • O Guinness Book, dos recordes mundiais, diz que, em 1982, astronautas soviéticos da missão Salyut-7 conseguiram cultivar flores da espécie Arabidopsis. Segundo a publicação, eles foram os primeiros a produzir sementes com gravidade zero.
    • um estudo, de 1984, que também cita o cultivo de flores na mesma missão.
    • Outra pesquisa, de 1996, também cita o desenvolvimento de Arabidopsis na missão norte-americana STS-51. Segundo o estudo, as flores chegaram até a sua fase reprodutiva.
    • Por fim, há registros do astronauta Donald Pettit, no blog da própria Nasa, mostrando o cultivo de um girassol no espaço. No entanto, Pettit levou as sementes em embalagens plásticas e não utilizou uma estufa específica para cultivar as plantas.
     

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