Netflix fecha cerco contra uso de VPN. O que está envolvido na medida

Empresa quer restringir o acesso de quem burla a localização. Mas reconhece que ter um catálogo global é o primeiro passo para evitar esse novo tipo de pirataria

     

    A partir das próximas semanas, quem acessa a Netflix usando VPN, proxies ou outra ferramenta para burlar a localização geográfica pode começar a enfrentar dificuldades. O serviço de streaming anunciou uma tecnologia que passará a bloquear esse tipo de artifício.

    “Aqueles que usam essas ferramentas só poderão acessar o serviço dos países em que eles estão no momento”, avisou o vice-presidente de arquitetura de conteúdo, David Fullagar, em comunicado no site da empresa.

    Normalmente, VPNs e proxies são usados para mascarar dados da localização geográfica de uma conexão - por questões de segurança, privacidade ou para acessar algo indisponível no Brasil. Quando o Whatsapp saiu do ar no país, por exemplo, usuários passaram a usar VPNs para ‘fingir’ que estavam acessando o serviço de fora do Brasil - e, assim, furar o bloqueio.

    Com o Netflix a lógica é a mesma: os usuários usam proxies ou VPNs para simular um acesso de outro país e, assim, acessar um catálogo diferente.

    Hoje a empresa está presente em 190 países. O serviço é universal; o conteúdo, nem tanto. Os filmes e séries disponíveis no catálogo variam de país para país e dependem dos acordos de distribuição entre a empresa e os estúdios de cinema. Esses acordos levam em conta as janelas de lançamento em outras plataformas, como os cinemas e a televisão.

     

    Para entender como funciona, veja o exemplo de “Mad Men”. A aclamada série, cujo protagonista, John Hamm, venceu o Globo de Ouro de “Melhor Ator”, teve o seu último episódio transmitido na TV americana em maio de 2015. Mas sua temporada final até hoje não está disponível no Netflix em boa parte do mundo. Ou seja: se só tivesse a Netflix à disposição, o fã brasileiro da série estaria esperando há nove meses pelo final.

    Vejamos outros vencedores do Globo de Ouro. “Mad Max: Estrada da Fúria” está disponível para os assinantes do Netflix no Japão, mas não em outros países. "Um Homem entre Gigantes", com Will Smith indicado ao prêmio de melhor ator, sequer estreou nos cinemas brasileiros, mas já está disponível na Netflix do Canadá, Reino Unido e países escandinavos.

    3,3

    Milhões é o número de assinantes da Netflix brasileiro, segundo a consultoria Digital TV Research

    É por isso que usuários recorrem aos proxies e VPNs, artifício tecnicamente ilegal. O método tem sido considerado um novo tipo de pirataria, embora haja controvérsias em relação a como o termo vem sendo empregado: afinal, as pessoas são assinantes e estão pagando pelo conteúdo.

    A revista “Wired”, por exemplo, avalia que a própria Netflix pode sair perdendo com a restrição. Vários leitores da revista afirmaram que deixarão de assinar o serviço se tiverem disponível apenas o catálogo de seus países.

    Em entrevista ao jornal britânico “The Independent” em 2015, o CEO da Netflix, Reed Hastings, manifestou interesse em romper com as barreiras geográficas na distribuição de conteúdo. Para ele, a principal solução para a pirataria seria a empresa ter um conteúdo global.

    “O fator chave sobre pirataria é que parte dela acontece porque os usuários não conseguem ter acesso ao conteúdo. Isso nós podemos consertar. Outra parte, no entanto, é porque eles apenas não querem pagar. Essa é a parte mais difícil.”

    Reed Nastings

    CEO da Netflix, em 2015

    No comunicado em que anunciou as medidas de restrição aos proxies e VPNs, David Fullagar afirmou que a empresa está trabalhando para oferecer um catálogo global, para que os usuários não tenham de recorrer à medidas para burlar o sistema. Enquanto isso não acontece, por enquanto, os usuários terão de se contentar com o catálogo oficial.

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