Índice de homicídios dolosos cai no Rio de Janeiro. Mas nem tudo é motivo para comemoração

A cidade tem a menor taxa em 24 anos. Mas outros fatores relacionados à segurança pública mostram que o problema está distante da solução

     

    A cidade do Rio de Janeiro chegou à sua menor taxa de homicídios dolosos em 24 anos. Durante o ano de 2015, aconteceram 1.202 assassinatos na capital carioca — resultando no índice de 18,6 homicídios dolosos a cada 100 mil habitantes. Os números são do ISP (Instituto de Segurança Pública) do Rio de Janeiro e foram divulgados ao jornal O Globo.

    Em 2015, foram contabilizados 85,4 mil registros de roubos de rua no Estado do Rio de Janeiro — índice de 516,4 a cada 100 mil habitantes. O total é inferior aos 95,3 mil roubos em 2014, quando o índice era de 580,4. A queda é de aproximadamente 11%.

    Outro indicador que caiu foi o de roubo de veículos: a redução da taxa foi de 51,8/ 100 mil para 47/100 mil.

    Apesar da queda em diversos índices, nem tudo é motivo para comemoração, como admitiu o secretário de Segurança José Mariano Beltrame ao jornal.

    “Há muito ainda a fazer, mas, quando reduzimos o índice de homicídios, estamos dando nossa contribuição. O número do ISP nos orgulha. No entanto, como sempre digo, não há vitória quando o assunto é segurança pública,”

    José Mariano Beltrame

    Secretário de Segurança do Rio de Janeiro, ao jornal O Globo

    Eis alguns dos motivos que ainda preocupam:

    O índice realmente caiu. Mas taxa ainda é considerada epidêmica

    O índice de 18,6/100 mil habitantes representa uma queda em relação a 2014 e 2013. Ele também é é próximo ao de 2012, quando era de 18,9/100 mil.

    Comparado à década de 1990, o índice é expressivamente menor. Em 1994, por exemplo, a taxa era de 73,9/100 mil. Veja no gráfico abaixo o histórico das taxas de homicídios na cidade do Rio de Janeiro:

    2015 teve o menor índice de homicídios na cidade do Rio de Janeiro

     

     

    Apesar da redução, o número ainda é considerado grave. A OMS (Organização Mundial da Saúde) considera epidêmicos índices de homicídios superiores a 10/100 mil habitantes.

    Considerando o cenário nacional, a taxa atual do Rio coloca a cidade junto com outras capitais onde os índices de homicídios são atualmente baixos, entre elas São Paulo,  Florianópolis, Boa Vista e Campo Grande:

    Fortaleza é a capital com maior taxa de homicídios

     

     

    Letalidade policial no Estado continua em alta

    Em 2015 o Estado do Rio de Janeiro registrou 644 casos de mortes decorrentes de intervenção policial; em 2014 foram 584. O aumento é de 10,3%.

    As polícias do Rio de Janeiro e de São Paulo são as com maiores índices de letalidade policial. Os números compõem um quadro nacional: somente entre 2009 e 2013, a polícia brasileira matou 11.197 pessoas.

    Número de adolescentes apreendidos sobe

    Em 2015 foram apreendidos 10.262 jovens infratores. No anterior foram 8.380. O aumento é de 22,4%.

    O crescimento também reflete a realidade brasileira. Em 2013, mais de 23 mil jovens de 12 a 17 anos foram internados em unidades socioeducativas em todo Brasil. A maioria foi apreendida por crimes de roubo, que representam 42% dos atos infracionais cometidos por adolescentes no ano, seguido por tráfico, que responde por 24%. Em proporção muito menor, na sequência vêm homicídio e furto. Veja:

     

    Roubos são os principais crimes cometidos por adolescentes

     

     

    UPPs em momento sensível

    Os números da queda de homicídios no Rio de Janeiro aparecem em um momento em que uma das principais políticas públicas na área de segurança no Estado vive um momento sensível. As UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) vêm sendo questionadas em relação à eficácia do seu modelo, dos resultados obtidos até agora e também em função das denúncias de abuso por parte das forças policiais.

    Essa semana, policiais civis detiveram oito PMs suspeitos de tortura e estupro contra quatro jovens na madrugada do Natal de 2015. Eles trabalhavam na UPP das comunidades da Coroa, Fallet e Fogueteiro, em Santa Teresa, na capital carioca.

    Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project.

    Já é assinante?

    Entre aqui

    Continue sua leitura

    Para acessar este conteúdo, inscreva-se abaixo no Boletim Coronavírus, uma newsletter diária do Nexo: