Advocacia tem 47% de mulheres. Nenhuma está na direção da OAB

Chapa única que comandará a entidade até janeiro de 2019 tem cinco integrantes, todos homens, e atual diretoria também é toda masculina. Não é ironia: 2016 é 'o Ano da Mulher Advogada'

     

    O Conselho Federal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) decidiu que 2016 é o Ano da Mulher Advogada. A nova diretoria da entidade será eleita em 31 de janeiro, com mandato até janeiro de 2019, e todos os cinco integrantes da chapa única são homens.

    Há 445.572 mulheres advogadas no país, que representam 47% do quadro total de 944.320 advogados. Na história brasileira, duas mulheres já ocuparam cargos na diretoria do Conselho Federal da OAB: Clea Carpi foi secretária-geral na gestão Cezar Britto (2007-2010) e Márcia Melaré, secretária-adjunta na gestão de Ophir Cavalcanti (2010-2013).

    A atual diretoria do Conselho Federal, presidida por Marcus Vinicius Furtado Coêlho, é toda masculina. Nas duas chapas que disputaram a eleição anterior, em 2013, também só havia homens.

    Em 2014, a entidade aprovou a exigência de 30% das mulheres nas chapas das seccionais, que organizam a OAB nos Estados. Essa regra não vale para a diretoria do Conselho Federal, que executa em âmbito nacional a política para os advogados, e para o Conselho Pleno, que delibera sobre assuntos relativos à categoria.

    O atual Conselho Pleno da OAB tem 81 integrantes, dos quais quatro são mulheres. Entre elas estão as ex-diretoras Clea Carpi e Márcia Melaré. A nova composição do colegiado, já eleita, terá oito representantes do sexo feminino.

    Para a presidente da Comissão Nacional da Mulher Advogada, Fernanda Marinela, que também preside a seccional de Alagoas, a única comandada por uma mulher no Brasil, a realidade da participação feminina na Ordem “não é diferente do cenário nacional”.

    Indagado pelo Nexo, Furtado Coêlho diz “esperar que nas próximas gestões possamos contar com mulheres na composição da diretoria”. Segundo ele, “há muito já está provado que as advogadas são qualificadas para ocupar tais funções”.

    Marcia Melaré também foi contatada pelo Nexo, mas preferiu não comentar.

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