Quais os destinos dos prisioneiros libertados de Guantánamo

Prisão mais criticada do mundo completa 14 anos em funcionamento e espalha ex-prisioneiros por mais de 20 países

    Desde janeiro de 2002, cerca de 780 pessoas passaram pela Base Naval de Guantánamo, uma prisão de segurança máxima erguida pelos EUA numa porção do território cubano anexada em 1898.

    O local foi preparado para receber suspeitos de terrorismo capturados durante a administração do ex-presidente George W. Bush e se converteu, desde o início, num dos símbolos da guerra ao terror e de suas consequências negativas para o respeito aos direitos humanos e ao direito internacional humanitário.

    O Departamento de Estado americano justifica a existência da prisão por meio das informações estratégicas extraídas ali. Seus críticos chamam atenção para a precária base legal usada para justificar as capturas, além das técnicas de interrogatório aplicadas em Guantánamo - sendo as mais conhecidas delas a simulação de afogamento, a privação do sono e a exposição dos presos a temperaturas extremas por longas horas, além de alimentação forçada, entre outras brutalidades.

    Promessa de mudança

     

    O presidente americano, Barack Obama, chegou à Casa Branca em 2009 com a promessa de fechar Guantánamo. Durante a campanha, o democrata se referiu ao local como “um triste capítulo na história americana”. Em seu primeiro ano de governo, Obama chegou a suspender os julgamentos na base naval, mas, entre idas e vindas, disputas com o Congresso e embates com a opinião pública, a prisão chegou ao seu 14º aniversário em funcionamento. Até janeiro de 2016, 104 prisioneiros ainda eram mantidos no local.

    Neste domingo (10), Obama voltou a prometer que não deixará a Casa Branca sem cumprir a promessa de fechar a base. Se a tentativa fracassar no Congresso - de maioria republicana - a equipe do presidente anunciou que divulgará, então, os “próximos passados”, sem que os tenha especificado por enquanto.

    O projeto Guantánamo Docket, do jornal americano “The New York Times” acompanha todos os casos relativos à base naval, separando informações por data, por nome, local de origem e outros recortes.

    Os dados apresentados pelo projeto mostram quais foram os países que mais receberam de volta cidadãos que estiveram presos em Guantánamo até agora:

    De volta para casa

     

    Num outro recorte, é possível ver quais quais os países que mais receberam cidadãos estrangeiros que estiveram presos em Guantánamo nos últimos 14 anos:

    Num novo lar

    O papel da América do Sul

    O Uruguai é o único país sul-americano que recebeu ex-prisioneiros de Guantánamo - 6, ao todo. Mas, se depender da pressão de organizações de direitos humanos, esse número pode crescer.

    A declaração final da cúpula do Mercosul, realizada em Assunção, no Paraguai, em dezembro de 2015, mencionou Guantánamo e pediu que os países da região acolham ex-prisioneiros.

    A ONG Conectas defende que a presidente Dilma Rousseff dê o exemplo. “O Brasil tem uma tradição de acolhimento de refugiados, como mostrou em setembro com a renovação da política de vistos humanitários para sírios. Esperamos que o governo Dilma perceba nesse caso uma oportunidade única de reafirmar seu compromisso com o fim da tortura no mundo”, disse Laura Waisbich, assessora de Política Externa da Conectas.

     

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