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Mais um hospital é atingido por bomba. Os casos se multiplicam

Desde outubro, Médicos Sem Fronteiras tiveram três unidades bombardeadas no Iêmen. Último incidente deixou 5 mortos

     

    Pelo menos 5 pessoas morreram e 10 ficaram feridas depois que um hospital operado pelos MSF (Médicos Sem Fronteiras) foi bombardeado no norte do Iêmen na manhã de domingo (10). Os edifícios que compõem o Hospital Shiara, em Saada, colapsaram com a explosão. Este é o terceiro incidente severo numa instalação do MSF no Iêmen em três meses.

    O país mais pobre do mundo árabe vive hoje o que a ONG Oxfam classificou como uma “emergência esquecida”. Desde março, tropas leais ao atual presidente, Abd-Rabbu Mansour Hadi, apoiadas por uma coalizão militar liderara pela Arábia Saudita, tentam derrotar grupos leais ao ex-presidente Ali Abdulah Saleh, deposto em 2012.

    Ataques anteriores

    27 de outubro

    O Hospital Haydan, na mesma localidade, foi alvo de uma sequência de ataques aéreos. Médios da equipe escaparam com ferimentos leves. O local era responsável pelo tratamento de 3.400 pacientes.

    3 de dezembro

    Três bombardeios aéreos atingiram outro hospital administrado pela organização, em Taiz, no sul do Iêmen, deixando nove pessoas feridas.

    Sobre o ataque deste domingo, a organização disse apenas que aviões foram vistos sobrevoando o local antes do bombardeio, mas não apontou claramente quem seriam os responsáveis. Os bombardeios anteriores - de outubro e dezembro - foram atribuídos a forças da Arábia Saudita, que lidera a coalizão militar governista.

     

    Além destas ações, os MSF colecionam uma longa lista de ataques semelhantes ocorridos na Síria, no Afeganistão e no Sudão do Sul, desde agosto de 2015:

    Nenhuma autoridade assumiu a responsabilidade pelos bombardeios no Iêmen. Porém, declarações do MSF dão a entender que os ataques foram deliberados, não um acidente colateral:

    “Todas as partes, incluindo a coalizão liderada pela Arábia Saudita, são informadas regularmente das coordenadas de GPS de nossos hospitais. Não é possível que alguém que tenha a capacidade de realizar um ataque aéreo ou lançar um míssil não saiba que o hospital funcionava provendo serviços de urgência médica com apoio dos MSF”

    Raquel Ayora

    Diretora de Operações dos MSF

    Em outubro, outro hospital operado pela organização foi atacado, dessa vez em Kunduz, no Afeganistão. Forças americanas assumiram a culpa e justificaram o “erro” por “fadiga das tropas”.

    Situações semelhantes, envolvendo hospitais administrados por outras organizações humanitárias, costumam envolver erros de cálculo, erros de informação de inteligência, danos colaterais provocados por ataques a alvos próximos aos hospitais ou a simples suspeita de que esses hospitais abrigam combatentes inimigos.

    Nesses casos, os ataques podem representar “crimes de guerra”. O direito internacional humanitário - que regula os meios e métodos de combate - proíbe expressamente as ações militares contra alvos civis e instalações sanitárias (de saúde).

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