A mancha da tragédia de Mariana se espalha. Seu alcance é incerto

Segundo coordenador do Ibama, ainda não é possível dizer se sedimentos que se aproximaram de Abrolhos são provenientes do rompimento da barragem da Samarco

     

    Declarações da semana passada levantaram a possibilidade  de que a lama com rejeitos de mineração da empresa Samarco (controlada pela Vale e pela BHP), vazada após a ruptura em novembro de barragem em Mariana (MG), poderia ter chegado ao sul da Bahia, na região de Trancoso e Porto Seguro, próximo ao arquipélago de Abrolhos.

    “O sobrevoo da região por especialistas leva a crer que a origem da mancha é a lama de rejeitos [de minério de ferro] da Samarco”, afirmou a presidente do Ibama, Marilene Ramos, na quinta-feira (7). Mas ainda há dúvidas sobre isso.

    Segundo Claudio Dupas, coordenador do Núcleo de Geoprocessamento e Monitoramento Ambiental da Superintendência do Ibama em São Paulo, é necessário confirmar se os rejeitos locais são mesmo provenientes do rio Doce, onde a lama foi despejada após a ruptura da barragem.

    Ele diz que possivelmente há sedimentos de outros rios na região e ainda não é possível afirmar, com certeza, o que é proveniente da foz do rio Doce e o que não é. "Não sabemos onde começam os sedimentos de um e onde acabam os de outros”, diz.

    O Ibama notificou a Samarco, que deverá analisar amostras de água da região para confirmar se os sedimentos registrados são mesmo de origem da mineradora. Os resultados devem sair em até 10 dias.

    Quando falamos em sedimento, pode-se tratar tanto dos restos da mineração quanto de detritos de erosão que chegaram pelos outros rios que desaguam no mar.  O material pode ter impacto na flora marinha e nos corais.

    “Ter essa lama no mar é como colocar uma camada de fumaça em cima da Mata Atlântica ou da Floresta Amazônica, o que taparia o sol e impediria a fotossíntese”, disse o presidente do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), Cláudio Maretti, em entrevista a "O Estado de S.Paulo".

    As imagens abaixo, produzidas pelo Núcleo de Geoprocessamento e Monitoramento do Ibama, referentes aos dias 6 e 7 de janeiro, mostram os sedimentos pela costa brasileira.

    A região da linha amarela demonstra a área estimada onde há menor concentração de sedimentos; já a região da linha vermelha demonstra a área estimada onde há maior concentração dos sedimentos, a partir da foz do rio Doce, no Espírito Santo. As áreas da linha verde são unidades de conservação federal.

    Situação em 6 e 7 de janeiro
    pluma

    As imagens abaixo mostram como era a situação entre os dias 15 e 16 de dezembro.

    Situação em 15 e 16 de dezembro

     

     

    Nos gráficos abaixo estão os dados sobre o tamanho das áreas atingidas pela mancha. O primeiro mostra o tamanho da área onde há maior concentração de sedimentos; o segundo onde há menor concentração:

    Lama segue se espalhando

     

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