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O país em chamas: por que há tantas queimadas no Brasil

Em 2015, índice ficou muito próximo do recorde histórico. A seca ajudou, mas a ação humana ainda é a principal responsável pelo fogo

     

    Em 2015, o número de incêndios florestais no país aumentou 27,5%. De acordo com o Inpe (Instituto de Pesquisas Espaciais), o número se aproxima do recorde histórico, registrado em 2010. O instituto monitora via satélite incêndios que tenham pelo menos 30 metros de extensão por um de largura.

    No ano passado, foram 235 mil focos de fogo no país. Os Estados do Pará, Mato Grosso, Maranhão e Bahia concentraram o maior número de casos.

    Amazônia e cerrado

     

     

     

    Apesar de a seca facilitar a propagação do fogo, o que aumenta o tamanho das áreas afetadas, a ação humana, proposital ou não, é a responsável pelo crescimento no número de focos, de acordo com Alberto Setzer, coordenador do núcleo de queimadas do Inpe. “Quase que a totalidade dos casos teve a ver com ação humana, por descuido ou propositadamente.”

    As queimadas podem ter motivos naturais, mas esses casos são mais raros. Fazer uma queimada é o jeito mais barato de se limpar uma área para aproveitá-la para fins agropecuários. A técnica não é necessariamente ruim, se for feita de forma controlada e em lugares permitidos. O problema é que, no Brasil, grande parte dos focos acontece em áreas protegidas, onde qualquer tipo de queimada é ilegal.

    É por isso que o problema se repete, com variações numéricas de acordo com o clima, ano após ano. Os períodos mais secos são os que têm maior número de queimadas.

    O fogo em uma década

     

    Por que houve tantas queimadas em 2015

    Clima seco, que favorece a propagação do fogo

    No último ano, a maior parte do país enfrentou um clima mais quente e mais seco que o esperado, com alguns termômetros registrando até 4ºC acima da média para o período. De acordo com Setzer, isso aconteceu especialmente nas regiões e meses em que os focos de incêndio se concentraram, entre agosto, setembro e outubro.

    Disputas de terra

    Um dos maiores incêndios de 2015, no território indígena Arariboia, no Maranhão, queimou em dois meses o equivalente a 260 mil campos de futebol. Ele se originou como consequência de conflitos entre madeireiros, que invadiram ilegalmente a terra e os indígenas. Os invasores teriam ateado fogo em represália à sua expulsão do território.

    Falta de equipes de combate ao fogo

    Um dos maiores incêndios de 2015, na Chapada Diamantina, precisou da ajuda das Forças Armadas e de brigadistas voluntários para ser combatido. O Ministério Público Federal investiga se houve negligência do poder público. Segundo o defensor público Federal Átila Dias, faltaram helicópteros, aviões e pessoas para combater o fogo. Só no ano passado, estima-se que 30 mil hectares do parque tenham sido destruídos.

    Conjuntura econômica

    Em 2015, o aumento do preço da carne levou ao desmatamento de áreas para que se tornassem pastos.

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