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Foguetes reutilizáveis inauguram nova fase da corrida espacial

Empresa conseguiu levar um foguete ao espaço e devolvê-la à Terra em um pouso bem sucedido. Com isso, estamos mais próximos de fazer turismo estratosférico

     

    No dia 23 de dezembro, a empresa SpaceX conquistou uma marca inédita na história: ela enviou um foguete ao espaço e conseguiu retorná-lo à Terra. Com isso, a empresa do bilionário Elon Musk (dono da Tesla Motors e fundador do PayPal), dá um passo na direção da era dos “foguetes reutilizáveis”.

    O foguete, batizado de Falcon 9, levou consigo 11 satélites à órbita baixa da Terra. Chegando lá, se desprendeu de sua parte superior. A parte inferior voltou ao solo, onde conseguiu pousar na vertical. Essa foi a terceira tentativa da empresa, que já havia lançado foguetes em janeiro e abril — mas que fracassaram no pouso.

    Não é a primeira vez que uma empresa consegue lançar um foguete no espaço e fazê-lo retornar à Terra. A Blue Origin, do também bilionário Jeff Bezos (dono da Amazon e do Washington Post), também fez algo parecido em novembro de 2015. A diferença é que, enquanto o foguete da SpaceX chegou à baixa órbita da Terra, o da Blue Origin só viajou 100 quilômetros.

    A imagem abaixo mostra a diferença:

     

    Por que pousar um foguete é tão difícil?

    O motor dos foguetes fica na parte inferior deles. Ele é responsável pela aceleração vertical, horizontal e angular. Ao pousar, o foguete deve equilibrar as três acelerações. Segundo a revista “Wired”, é quase como correr com um cabo de vassoura na mão enquanto rebola. Em certo momento, você deve parar de correr e não derrubar o cabo. O blog Wait But Why fez outra comparação:

    "É como jogar um lápis para cima de um prédio e tentar pousá-lo em uma caixa de sapatos no chão — em um dia com muito vento"

    Nas outras duas vezes que a SpaceX tentou e não conseguiu, o foguete pousou em uma plataforma no mar. Dessa vez, eles resolveram apostar em algo mais seguro: aterrissar em terra firme.

    Clique aqui e veja como o Falcon 9 da SpaceX pousou.

    E veja aqui como o foguete da Blue Origin fez o seu pouso.

    Foguetes reutilizáveis são o combustível da nova corrida espacial

    Antes da Blue Origin e da SpaceX, ir ao espaço significava descartar um foguete inteiro. Estima-se que os custos de produção do Falcon 9 estejam em torno de US$ 54 milhões, desconsiderando os custos de pesquisa e desenvolvimento. Imagine então que, a cada viagem, você precisasse jogar US$ 54 milhões fora. Agora, com a possibilidade de uma nave voltar e ser reutilizada em diversas missões, a viagem se torna muito mais acessível. Isso sem contar que se gera menos lixo espacial.

    O objetivo da Blue Origin com foguetes reutilizáveis é promover o turismo espacial. Jeff Bezos quer que, em alguns anos, as pessoas possam comprar passagens para irem à órbita da Terra, apreciarem a vista, e voltarem em uma nave inteira.

    Já a SpaceX é um pouco mais pretensiosa: ela realmente quer foguetes indo longe no espaço, mas também voltando inteiros. Elon Musk já afirmou que pretende criar naves para levar o homem à Marte.

    Há outros competidores na corrida. A Virgin Galactic, de Richard Branson, outro bilionário norte-americano, também mira no turismo espacial. No entanto, na última vez em que ele tentou fazer um foguete ir e voltar, a nave se chocou e um piloto morreu.

    Outras possibilidades de foguetes reutilizáveis ainda incluem levar robôs à lua e minerar metais no espaço.

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