Um emoji é a palavra do ano. Calma, não é o prenúncio do fim da escrita

Carinhas com expressões dão nuances importantes à troca de mensagens. Linguistas dizem que, apesar do sucesso, elas não vão acabar com o alfabeto

    A modelo e empresária Kim Kardashian anunciou, na última segunda (21), uma linha de emojis (esses ícones que usamos em redes sociais)  sobre ela - os kimojis. Veja:

     

    Os kimojis vêm preencher um nicho pouco explorado da comunicação por carinhas: o sexting. Faltavam emojis para quem gosta de flertar de maneira um pouco mais enfática usando mensagens de texto. Kim Kardashian resolveu isso. A novidade fez tanto sucesso que “quebrou” a “App Store”, a loja de aplicativos em que é possível baixar a ferramenta para usar os kimojis.

    Essa é uma das últimas fronteiras conquistadas pelos emojis, que já estão em todos os lugares. Você já deve ter visto essa carinha aí embaixo:

     

    Ela foi escolhida como “palavra do ano” pelo dicionário Oxford. É a primeira vez que a instituição escolhe um emoji para representar o ano.

    A onipresença desses sinais está fazendo linguistas e pesquisadores considerarem que, talvez, os emojis sejam nossa nova língua franca. Ou quase isso.

    Emojis podem ser uma nova linguagem universal

    A decisão da Universidade de Oxford alimenta um longo debate: os emojis estão nos ajudando a moldar uma nova língua universal? Será que, com o tempo, nos comunicaremos cada vez mais por ícones tal como faziam os antigos com os hieróglifos?

    O emoji é usado principalmente nos usuários de smartphones, que hoje estão nas mãos de aproximadamente um quarto da população mundial. A estimativa é que, até o final de 2016, existam 2 bilhões de pessoas com o dispositivo.

    No Instagram, metade das legendas das fotos tem um dos ícones. Há redes sociais, como a Emojicate, na qual é possível se comunicar usando apenas emojis. Em 2014, uma versão do livro Moby Dick, batizada de Emoji Dick, e escrita com emojis no lugar de palavras, foi aceita na Biblioteca do Congresso dos EUA. Há um comercial de bancos que só usa emojis e até a cantora Katy Perry já lançou um clipe apenas com os desenhos. Veja abaixo:

     

    Pesquisadores dizem que os emoji não vão substituir a linguagem escrita. Mas acrescentam a ela nuances e informações importantes, que não poderiam ser transmitidas no texto de outra maneira e acabariam perdidas.

    Vyvian Evans, professora de Linguística na Universidade de Bangor, no Reino Unido, disse à Newsweek que considera o emoji “um poderoso sistema de comunicação global”, mas não uma linguagem propriamente dita.

    Em entrevista à BBC, outro linguista, Neil Cohn, da Universidade da Califórnia, mostra ressalvas ao considerar o emoji uma linguagem que substituiria um idioma. Para ele, a função dos ícones é semelhante a das expressões corporais em uma conversa presencial: eles servem como complementos ou reforços do que estamos falando. Há casos em que os emojis falam por si, sem precisar de letras, mas seus limites são grandes demais para substituírem uma língua.

    Palavra do ano precisa ser relevante e ter impacto

    A “palavra do ano” é definida pelo conselho editorial do dicionário, editado pela Universidade de Oxford. Eles levam em consideração uma série de fatores, como “interesse léxico”, “significância para o ano” e “impacto no mundo”.

    Em 2014, a escolhida foi “vape” — o ato de inalar e exalar o vapor produzido por um cigarro eletrônico ou dispositivo similar. Em 2013, foi “selfie”. Em 2012, “GIF” — e eles até explicaram como fizeram a escolha... usando GIFs.

    O emoji escolhido este ano tem um nome oficial: “Rosto com lágrimas de alegria” e, segundo o Swiftkey (aplicativo de teclado digital, muito comum em smartphones), foi o mais utilizado em smartphones durante 2015. Há até um site que se dedica a mostrar, em tempo real, quais são os emojis mais usados no Twitter.

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