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Projeto de culinária orgânica na favela ensina como usar tudo dos alimentos

300 milhões de toneladas de alimentos são desperdiçadas todos os anos. Mas uma cozinheira ensina a reverter esses números

Quantas receitas é possível fazer com uma banana e ingredientes básicos, como sal, açúcar e temperos? Sem jogar nenhuma parte fora, pelo menos oito, de acordo com a cozinheira paraibana Regina Tchelly, fundadora do projeto Favela Orgânica.

 

A iniciativa oferece oficinas que ensinam receitas preparadas com todas as partes do alimento. Cascas, talos, folhas, sementes, caroços: nada é desperdiçado. O pouco que não pode ir para a panela é reutilizado para plantio ou compostagem.

Para entender a filosofia de Regina, veja o caso da banana. A cadeia de produção de um quilo da fruta - incluindo semeio, plantio, cultivo, transporte - gasta 500 litros de água. Por isso, a culinarista ensina a tirar o máximo da fruta.

“Além de se conectarem com a origem e o processo dos alimentos, os alunos se dão conta do nosso papel no planeta. As pessoas passam a enxergar a comida com outros olhos, se tornam gratos a ela e ao mundo”

Regina Tchelly

Fundadora da Favela Orgânica

A casca pode se transformar em um refogado salgado com cebola, ou um brigadeiro de banana bem madura (com casca e tudo), e até mesmo um bolo de casca de banana com chocolate. O talo rende um salpicão. A polpa, um doce.

O talo do brócoli, por exemplo, vira quiche, lasanha (sem massa) e estrogonofe nas mãos de Regina. A casca de melancia, misturada com açúcar mascavo e coco ralado, vira sobremesa. Casca de maracujá se transforma em geleia. Casca de abóbora se torna insumo para um pão - junto com as sementes.

Projeto tenta resgatar a conexão e o respeito pela comida

Regina chegou ao Rio de Janeiro em 2001 e trabalhava como empregada doméstica. Em 2011, morando no Morro da Babilônia, ela começou o projeto na própria comunidade. Ensinava a manter hortas domésticas e a preparar receitas com partes improváveis de frutas, legumes e verduras.

Ela conta que cresceu acostumada a aproveitar integralmente os alimentos. O que não comia ia para a horta no quintal. “Vou na feira de manhã e pego tudo que sobra e que as pessoas não comem. Descobri que tudo que é bem feito pode ser gostoso”, diz.

300 milhões

De toneladas de alimentos são jogadas no lixo por ano. Isso alimentaria 800 milhões de pessoas, segundo a ONU

O desperdício de alimentos é um tema constante em campanhas da Organização das Nações Unidas. Um terço dos alimentos que consumimos acaba desperdiçado todos os anos, segundo relatório de 2013 da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura).

Para o lixo não vai só a comida: toda a energia, a mão de obra e os gastos usados na produção e transporte daquela comida também acaba sem função. O mesmo relatório mostra que 1 em cada 9 pessoas passa  fome no mundo.

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