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Quais são os entraves para um acordo na conferência do clima

Encontro mundial em Paris chega ao fim neste sábado. Aqui estão alguns pontos sobre os quais os países ainda não se entenderam

     

    No sábado (12), o mundo conhecerá as conclusões finais da COP21, conferência mundial sobre mudança do clima. A previsão inicial era que o encontro terminasse nesta sexta-feira (11), mas por causa da falta de consenso, a divulgação do documento final foi adiada. Ao longo das duas primeiras semanas de dezembro, comitivas de países do mundo todo se reuniram em Paris a fim de firmar compromissos para reduzir emissões de gases poluentes e conter o efeito estufa.

    Um rascunho do acordo foi divulgado no dia 9 de dezembro. Mais reduzido do que a primeira versão, o documento já antecipa algumas tendências. Mas também mostra que as delegações ainda precisam chegar a um consenso em várias áreas importantes:

    • O rascunho não avança muito em definir quais países terão responsabilidades obrigatórias de redução de emissões de CO2, por exemplo, ou quem vai financiar iniciativas de contenção do aquecimento global em países em desenvolvimento.
    • Também não há consenso sobre qual o número alvo de redução da temperatura global nessa versão do texto. Esse é um dos principais entraves para um consenso.
    • De acordo com François Hollande, presidente da França, o maior foco de desentendimento para o acordo está no financiamento, isso é, no dinheiro que os países desenvolvidos devem usar para custear iniciativas de recuperação de prejuízos e danos causados por mudanças climáticas no mundo todo.
    • Há também pressão para que os países em desenvolvimento se comprometam em níveis semelhantes aos desenvolvidos. O ministro da Índia, Prakash Javadekar, rebate dizendo que “os países desenvolvidos não estão cumprindo suas obrigações” firmadas em Kyoto, em 1997.

    É papel da presidência da conferência conseguir mediar essas diferenças e chegar em um acordo que atenda às necessidades e possibilidades de cada país e atinja os objetivos da COP21.

    As principais metas propostas pelo Brasil são o fim do desmatamento ilegal, o reflorestamento de 12 milhões de hectares de terras e a recuperação de 15 milhões de hectares de pastagens degradadas. O país também quer se comprometer com o aumento do uso de energias renováveis, como a eólica.

    Estados Unidos, China e Índia lideram as discussões. Eles estão entre os maiores poluidores do mundo e a última versão do rascunho do acordo adota uma formulação defendida pelos três.

    Os EUA têm um conflito interno: Barack Obama tentou aprovar o “Plano de Energia Limpa”, projeto de contenção de usinas de carvão, mas a ideia tem resistência do partido Republicano, seu opositor. O governo quer cortar em 26% suas emissões de CO2 até 2030.

    Já a China aceitou um mecanismo de revisão do acordo de cinco em cinco anos - primeiro para garantir que as medidas estão sendo suficientes, segundo para mudá-las se necessário. O acordo se mostra mais importante depois de, essa semana, Pequim ter anunciado um alerta de emergência e fechado escolas e empresas em razão da poluição na cidade.

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