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Quem são os advogados que doam seu tempo a empreendedores

Profissionais trabalham gratuitamente para ajudar pessoas inovadoras a tirar ideias do papel

     

    Oito advogados cariocas decidiram doar seu conhecimento e tempo para pessoas inovadoras e dispostas a melhorar o mundo. O grupo, chamado "Nós 8", se apresenta como o primeiro coletivo de advogados trabalhando com "legal knowledge sharing" (compartilhamento de conhecimento legal).

    Tudo começou com Helder Galvão, professor de Propriedade Intelectual da PUC-Rio. Ele percebeu que vários de seus alunos na graduação de design tinham boas ideias, mas não conseguiam tirar seus projetos do papel porque não tinham conhecimento jurídico. Então resolveu começar a ajudar. Se juntou a mais sete amigos e ex-colegas de graduação em Direito (também na PUC-Rio) para criar, em outubro de 2015, o "Nós 8". Junto a ele estão Ariel Bandeira, Felipe Hanszmann, João Pedro Leal, Luciana Noronha, Marcelo Figueira, Veronica Sartori, Vicente Rosenfeld e Clarissa Luz.

    "Queremos ajudar empreendedores, criativos, pessoas inovadoras. Nosso público-alvo são pessoas que estão começando e não têm recurso para contratar um advogado."

    Helder Galvão

    professor de Propriedade Intelectual da PUC-Rio

    Ele explica ainda que escolheu essa forma de doar tempo porque quer ajudar projetos de alto impacto. “O tipo de pessoa que estamos ajudando não é contemplado pela defensoria pública", diz. Ele argumenta que o "pro bono" (quando uma atividade profissional é realizada em forma de voluntariado), previsto na OAB, é dirigido a pessoas carentes — e não a empreendedores iniciantes.

    Apesar de não ser voltado às pessoas carentes, o trabalho dos advogados é uma doação. Galvão diz que o grupo não cobra nada, nem mesmo participação nas empresas, pelo trabalho. Se o empreendedor cresce e começa a ganhar dinheiro, eles param de oferecer serviço gratuito. “Queremos ajudar os novatos. Não faria sentido doar nosso tempo para quem tem recursos”.

    Galvão diz que se inspira no criador da Apple, Steve Jobs, que defendia que os gênios também precisam de ajuda para fazer o mundo girar. "Doar dinheiro seria muito cômodo para mim”, diz.

    Foi nessa lógica de devolver conhecimento à sociedade que os advogados fecharam uma parceria com a PUC-Rio para ajudar tanto os novos alunos quanto os ex-alunos da universidade que estão trilhando o caminho do empreendedorismo criativo. "Nos EUA é muito comum um executivo de sucesso doar dinheiro para a universidade em que ele estudou. É uma forma de retribuir o que aprendeu lá. Estamos fazendo algo parecido agora", diz. No entanto, os beneficiados vão além de estudantes e ex-alunos da PUC-Rio.

    Segundo Galvão, em pouco menos de dois meses de operação, o grupo já começou a ajudar 117 diferentes projetos. As consultorias podem ser pela internet, por telefone, ou tomando um café com os empreendedores. Entre os beneficiados, há o projeto de uma designer criando aplicativo para ajudar familiares de presidiários, um coletivo de músicos que fazem ocupação urbana e uma ONG que vende produtos feitos por crianças com necessidades especiais, entre outros.

    O trabalho também atraiu a atenção de outros advogados. "Nunca imaginei que iria receber tantos currículos — há pessoas que querem estagiar conosco e até outros advogados experientes querendo colaborar", diz.

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