Colegas mantêm Delcídio na prisão. Direção do PT rifa senador

Antes da decisão dos parlamentares, partido divulgou nota tentando se desvincular do agora ex-líder do governo

    O Senado resolveu na noite de quarta-feira (25), por 59 votos a 13, manter a decisão do Supremo Tribunal Federal pela prisão preventiva do ex-líder do governo Delcídio do Amaral (PT-MS), suspeito de tentar obstruir as investigações da Operação Lava Jato.

    Algumas horas antes, a direção do próprio partido de Delcído já havia rifado seu filiado. Rui Falcão, presidente da legenda, afirmou em nota que o PT não “se julgava obrigado a qualquer ato de solidariedade” a Delcídio.

    Falcão disse que as “tratativas" reveladas pelo Ministério Público envolvendo o senador não tinham relação com a sua atividade partidária ou parlamentar.

    A nota irritou diversos senadores. Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente da Casa, definiu o texto como “oportunista e covarde”. Omar Aziz (PSD-AM) se dirigiu diretamente ao presidente petista: “Você é um covarde, Rui Falcão”, disse, lembrando que a legenda protegeu os condenados no mensalão.

    Senadores do PT ainda tentaram emplacar uma votação secreta para decidir o futuro do correligionário, mas foram derrotados. No final, em votação aberta, 9 dos 12 integrantes da bancada petista, já excetuando Delcídio, foram contra a manutenção da prisão.

    Estes cinco fatos explicam por que a direção partidária petista, apesar dos 9 votos públicos da bancada a favor do senador, decidiu abandonar Delcídio:

    Crime documentado

    As provas contra Delcídio são robustas. Além de delações premiadas, há áudios comprometedores que explicitam a tentativa do senador de silenciar o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, que acabou prestando depoimentos contra ele.

    Custo de imagem


    O partido de Dilma Rousseff não tem bala na agulha para gastar no momento. Proteger os condenados do mensalão e o ex-tesoureiro João Vaccari, apontado como um dos operadores do escândalo da Petrobras, já custou caro demais.
 Há ainda o temor de que a crise cole no Planalto, de quem Delcídio era líder no Senado até ser preso. 


    Mágoas do mensalão

    
O senador foi presidente da CPI dos Correios em 2005, que investigou o mensalão, e adotou uma postura independente, sem atender aos interesses da cúpula petista, que tentava emplacar a tese de caixa 2, posteriormente refutada pelo Supremo.


    Liberal demais


    Delcídio tem posturas mais liberais do que a média do PT. Ligado ao empresariado, é a favor de projetos como o que retira da Petrobras a obrigação de comandar a operação de todos os poços do pré-sal.

    Senador 'pelicano'

    Delcídio é um cristão novo no PT, apesar de manter boas relações com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ex-militante do PSDB, filiou-se ao partido em 2001. Ganhou o apelido de "senador pelicano", um híbrido de petista com tucano.


     

    Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project.

    Já é assinante?

    Entre aqui

    Continue sua leitura

    Para acessar este conteúdo, inscreva-se abaixo no Boletim Coronavírus, uma newsletter diária do Nexo: