Pandemia: origens e impactos, da peste bubônica à covid-19

A história das doenças que se alastraram por continentes e os desafios da saúde em escala mundial no século 21

A OMS (Organização Mundial da Saúde) declarou estado de pandemia do novo coronavírus no dia 11 de março de 2020, pouco mais de três meses depois do primeiro registro da infecção na China. Era a segunda vez que a autoridade sanitária fazia tal alerta no século 21.

A história da humanidade está repleta de momentos de descontrole da disseminação de doenças, que levaram morte e medo ao dia a dia da população. O Nexo explica o que são pandemias, como elas afetam a sociedade e quais são as armas para enfrentá-las hoje.

O QUE é uma pandemia

A pandemia é a disseminação mundial de uma nova doença para a qual as pessoas não têm imunidade, segundo definição da OMS. A propagação acontece de forma inesperada, cruzando as fronteiras políticas e atingindo um grande número de pessoas ao mesmo tempo.

A definição de pandemia não inclui nada sobre o tipo de doença que se espalhou, sua severidade ou a quantidade de pessoas adoecidas. É um conceito estritamente geográfico, que trata da abrangência de uma patologia que viajou o mundo (ou grande parte dele).

As pandemias fazem parte da experiência humana. As pessoas convivem com os agentes que causam as doenças infecciosas (microorganismos como vírus, bactérias, fungos, parasitas etc.) durante toda a vida, por meio do contato com o ambiente, com os animais, com o lixo ou com a água contaminada.

As infecções saem de controle quando esses microorganismos, além de se hospedarem no corpo humano, conseguem se reproduzir facilmente e se transmitir entre as pessoas. Assim funciona o vírus do sarampo, por exemplo. Ao longo da história, atividades como viagens, comércio, guerras e invasões contribuíram para propagar essas doenças.

Casos registrados de coronavírus acumulados no mundo. Até 19 de junho de 2020, havia 8.456.508, no total.

A gripe é uma das infecções que podem virar pandemias (a mais recente foi a gripe H1N1, ou suína, que levou a OMS a decretar estado de pandemia em 2009, primeira vez que isso ocorria no século 21). As pandemias de gripe costumam acontecer quando surge um novo tipo do vírus influenza, que é conhecido por ter mutações frequentes. A partir daí, ele causa sintomas como dor e febre, e pode se transmitir por espirros, tosses ou contaminação de superfícies.

As pandemias, no entanto, não incluem os casos de disseminação da gripe comum ou de outras doenças sazonais (ou seja, típicas de determinada época do ano, como o outono ou o inverno). É preciso haver transmissão simultânea da doença em todo lugar, fora de sua temporada, para que uma epidemia de gripe vire uma pandemia.

A severidade das pandemias variou na história, dependendo da época e do local em que ocorreram e do preparo das sociedades para enfrentá-las. A letalidade da peste negra (também chamada de peste bubônica), no século 14, e da gripe espanhola, em 1918, é comparável à de grandes guerras. Outros eventos, como a gripe suína, foram brandos, embora tenham feito vítimas.

500 milhões

de pessoas foram infectadas pela gripe espanhola entre 1918 e 1920, equivalente a 36% da população mundial na época; estima-se que entre 17 e 50 milhões morreram

Glossário

Surto

É o aumento inesperado do número de casos de uma doença específica, ou de uma doença comum, mas dentro de limites geográficos. Às vezes, a dengue é tratada como surto, por ocorrer apenas dentro de alguns bairros. Em outro exemplo, no fim de 2019, as autoridades de saúde São Paulo classificaram como surto o registro de duas ocorrências de toxoplasmose dentro da cidade.

Epidemia

É o aumento dos casos de uma doença, em números muito acima do esperado pelas autoridades de saúde e de forma não delimitada a uma região específica. É também caracterizada quando há ocorrência de diversos focos de surtos em uma região. A abrangência de uma epidemia pode ser municipal (como a dengue na cidade de São Paulo), estadual ou nacional (como o novo coronavírus em todo o Brasil).

Pandemia

É a propagação de epidemias para além das fronteiras nacionais. É tarefa da OMS declarar quando uma doença chegou a esse estado. Em 2009, por exemplo, a gripe suína se tornou uma pandemia quando as autoridades de saúde registraram casos nos seis continentes. Em 2020, o coronavírus chegou o mesmo status depois de viajar 114 países.

QUEM define quando há uma pandemia

A OMS é uma agência especializada da ONU (Organização das Nações Unidas), regida por 194 Estados-membros, que tem como foco lidar com a saúde global. A organização foi fundada em 1948, pouco depois da criação da própria ONU, com o propósito de garantir “o nível mais elevado” de saúde para todas as pessoas, em todo lugar.

A agência é um organismo multilateral, ou seja, sua gestão é realizada em conjunto por seus Estados-membros. A instância máxima do órgão é a Assembleia Mundial da Saúde, reunião anual onde representantes dos países determinam as políticas da organização, direcionam seus recursos ou elegem seus novos dirigentes, como o diretor-geral (eleito a cada cinco anos).

A OMS é o único órgão com autoridade para declarar quando há uma nova pandemia. A declaração está entre as principais atribuições da organização, que também coordena iniciativas de prevenção e combate a doenças pelo mundo, com enfoque naquelas que têm potencial de se disseminar e ameaçar a saúde internacional.

A declaração de uma pandemia não é trivial — a OMS afirma que “entende a implicação da palavra” — e serve para despertar atenção para a doença que justificou o decreto, segundo a agência. Ao declarar uma pandemia, a organização apenas confirma que há uma doença que atingiu proporções internacionais.

Antes de tomar a decisão, a OMS leva em conta a opinião de profissionais de saúde e dados sobre o estágio das epidemias nos países afetados. Apesar disso, não há fórmula matemática (como um piso de infecções ou de países que a doença deve atingir) para haver o decreto. A epidemia de ebola matou 11 mil pessoas na África entre 2013 e 2016, mas não foi considerada uma pandemia.

O passo a passo

Aparecem os surtos

A OMS monitora a todo o tempo casos de surtos de doenças que têm potencial de virar uma emergência global. A agência fica sabendo desses casos por meio das autoridades nacionais e de outros parceiros. A partir das informações, ela pode avaliar se há risco de pandemia. Quando há risco, a OMS dá apoio (com pessoal, suprimentos, recursos etc.) aos países afetados e informa os outros governos sobre o caso.

A OMS faz o alerta

A partir da evolução dos surtos, a OMS pode fazer uma declaração de Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional. A decisão de fazer essa declaração cabe ao diretor-geral da agência. A declaração significa que há um “evento extraordinário que pode constituir risco à saúde pública de outros Estados” e exigir ação coordenada. Ainda não é uma pandemia, mas é uma situação séria, incomum e inesperada. A partir desse alerta, a OMS cria um comitê que faz recomendações aos países para tentar conter a epidemia.

6

foram as vezes em que a OMS declarou Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional desde 2009; foram os casos de H1N1, poliomielite, Ebola (duas vezes), zika vírus e novo coronavírus

A OMS declara a pandemia

Após a declaração de emergência, a OMS pode considerar, com base em mais avaliações, que a epidemia global se tornou uma pandemia. Na prática, a pandemia não é tão diferente da emergência internacional de saúde. Ao decretar a pandemia do coronavírus, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que suas recomendações para os países continuavam as mesmas. Ainda assim, o anúncio de pandemia pode soar o alarme para a situação.

Os procedimentos durante a pandemia

Ao declarar uma pandemia, a OMS segue as regras do Regulamento Sanitário Internacional, um acordo de governança global de saúde que determina o que a agência e os países devem fazer em caso de emergências sanitárias globais. Atualizado em 2005, o tratado foi assinado por 196 países após a epidemia de Sars, que atingiu mais de 20 nações entre 2002 e 2003.

Ao assinar o regulamento, a OMS e os países concordaram em trabalhar em conjunto para combater pandemias, sob liderança da agência global. A OMS detecta novos surtos das doenças em foco, envia ajuda aos países e pode coordenar suas respostas às emergências, segundo o texto. Ao mesmo tempo, as autoridades nacionais cooperam e repassam as informações locais à organização.

A OMS, apesar das regras que sugere, não é um governo. A agência pode indicar ações e persuadir os países a cumpri-las, mas não pode aplicar sanções (não é como a Organização Mundial do Comércio, por exemplo). Ao longo dos últimos anos, a posição dos países em relação à organização variou, entre alguns momentos de adesão e outros de desconfiança quanto às determinações do órgão.

Após a pandemia de H1N1, em 2009, a agência revisou parte das normas mais específicas que a orientavam a declarar pandemias, em parte por querer atualizar e flexibilizar seus protocolos e em outra, por divergências que teve com os governos durante a crise. A agência diz que deve fazer o mesmo quando acabar a pandemia do coronavírus.

QUANDO pandemias marcaram a história

A memória das pandemias não é tão presente quanto a da política, das revoluções e das guerras nos livros escolares, mas seus efeitos se comparam aos dos principais eventos da história. As grandes doenças do passado refletiram sua época e mudaram o curso dos acontecimentos, desafiando e redefinindo o mundo que as criou.

A peste bubônica, uma das pandemias mais letais já irrompidas, viajou da Ásia à Europa pelas rotas do comércio na Idade Média e se espalhou num tempo em que, apesar do crescimento incipiente, as cidades europeias tinham parcas condições de higiene. Sem recursos médicos contra a infecção, a sociedade viveu anos de pânico.

1/3

da população da Europa é a baixa estimada da peste bubônica; a doença matou de 75 a 200 milhões de pessoas no mundo entre 1346 e 1353

A pandemia mostrou, na época, a principal marca que ainda hoje define as grandes doenças: o rompimento das relações sociais, seja porque os surtos costumam fazer muitas vítimas, seja porque, no caso das epidemias altamente transmissíveis, eles podem isolar ou restringir a comunicação de parte da população com o exterior.

A República de Veneza, que hoje pertence ao território da Itália, criou na época a noção de quarentena, isolando as pessoas em casa. Nessa situação, a cidade se viu num trauma coletivo, “confrontada com a angústia cotidiana e obrigada a um estilo de existência em ruptura com aquele a que se habituara”, disse o historiador francês Jean Delumeau em “História do medo no Ocidente, 1300-1800: Uma cidade sitiada”.

A gripe espanhola, que irrompeu em 1918 e hoje é chamada de “mãe das pandemias”, mostrou outra característica que costuma acompanhar as grandes doenças: a negação, tanto por parte das autoridades públicas, que demoram a admitir a emergência, quanto pela população em geral, que, conforme a epidemia avançava, tendia a resistir a medidas de saúde coercitivas.

“As epidemias parecem seguir a sequência narrativa de uma peça teatral”, disse ao Nexo a historiadora Christiane Maria Cruz de Souza, doutora em história das ciências e da saúde pela Fiocruz e autora de “A gripe espanhola na Bahia: Saúde, política e medicina em tempos de epidemia”. “A doença surge misteriosamente em um lugar e há um esforço para ignorá-la ou ocultá-la”, afirmou. “A admissão da epidemia só acontece quando há um expressivo número de doentes.”

Após a fase inicial de rejeição e censura, as autoridades de 1918 empregaram uma corrida médica, científica e sanitária contra a gripe, para a qual não havia tratamento nem vacina. Entre as recomendações da época, estava mais uma vez o isolamento social e a adoção de hábitos de higiene, como a lavagem contínua das mãos, do rosto, da garganta e das superfícies.

Ao longo desse processo, as pandemias incentivaram avanços da medicina e na saúde pública. A cólera e a varíola nos séculos 19 e 20 deram a cientistas como Louis Pasteur e Norbert Hirschhorn estímulo para desenvolver substâncias hoje essenciais no combate a doenças, como soros e vacinas. A gripe espanhola no Brasil, por sua vez, plantou a semente do atual Ministério da Saúde.

As pandemias foram também muito usadas para fins políticos, segundo historiadores. “É comum haver a eleição de culpados ou responsáveis pelo surgimento e disseminação da doença, em geral os ‘outros’”, disse Souza ao Nexo. A emergência de H1N1 em 2009 prejudicou as relações comerciais do México por meses (o país não conseguia exportar seus porcos, associados à gripe suína). Anos mais tarde, o coronavírus se tornaria motivo para manifestações de racismo e xenofobia contra chineses e a comunidade asiática em outros países.

Ainda em outros casos, as epidemias ajudaram a redefinir os rumos políticos e econômicos. A peste bubônica foi uma das razões para a Europa transitar do feudalismo para um modelo de economia baseado no comércio, enquanto a varíola facilitou a conquista dos colonizadores nas Américas e a febre amarela ajudou a expulsar os franceses do Haiti no século 19.

As pandemias na história

A peste ateniense

A primeira grande epidemia de que se tem notícia é a peste ateniense, que surgiu em 430 a.C., durante a guerra do Peloponeso, na Grécia Antiga. A doença, originária da Etiópia, chegou a Atenas pelos portos. Atualmente, acredita-se que a epidemia era uma febre tifoide, transmitida por água e alimentos contaminados. Ao escrever sobre o evento, Tucídides disse que “ninguém podia fazer o que fosse, nem os médicos que, tratando a doença pela primeira vez, se encontravam perante o desconhecido”. A febre tifoide está hoje restrita aos países mais pobres. A doença tem uma vacina, mas, como sua imunidade é de curta duração, ela é indicada apenas em situações específicas.

A peste bubônica

A peste bubônica atingiu a Ásia e a Europa entre 1346 e 1353. A doença, causada por uma bactéria e transmitida por ratos, tinha os sintomas de uma gripe forte, mas também provocava inchaço nos gânglios e manchas negras na pele — motivo que deu a ela o nome pelo qual é conhecida hoje. A pandemia se espalhou em viagens marítimas e se proliferou nas cidades, que não tinham nenhum saneamento. A peste bubônica teve diversas ondas na história e persiste ainda hoje em países com condições precárias de higiene, como Peru, Congo e Madagascar. A doença tem vacina, mas a OMS não recomenda seu uso. O tratamento com antibióticos é eficaz.

A varíola

A varíola, doença que existia havia séculos, causou epidemias severas entre os indígenas que viviam na América na época da colonização, a partir do século 15. A doença, que causava erupções na pele, foi trazida ao território pelos europeus, quando os povos locais não tinham nenhuma imunidade para os patógenos vindos de fora. A colonização trouxe também outras doenças, como a gripe, a malária e o sarampo. Aliadas à violência, as enfermidades dizimaram populações e facilitaram a conquista do território americano. A varíola foi erradicada nos anos 1980, após intensas campanhas de vacinação nas décadas anteriores.

A cólera

A primeira epidemia global de cólera surgiu em 1817, na época da Revolução Industrial, quando a população e urbanização cresceram, mas a higiene ainda era precária. A doença, provocada por uma bactéria, causava diarreia, cólicas e enjoo, às vezes chegando a matar por desidratação. A infecção causou vários ciclos epidêmicos nos séculos 19 e 20 e fez centenas de milhares de vítimas, segundo a OMS. Atualmente, a doença é mais comum em países mais pobres. A cólera é tratável e tem vacinas, mas seu uso é recomendado apenas em situações específicas. Indica-se a higiene como forma de prevenção.

A gripe espanhola

Intitulada “mãe das pandemias”, a epidemia correu o mundo entre 1918 e 1920. A gripe, causada pelo vírus influenza do tipo A H1N1, surgiu provavelmente em campos militares dos EUA, espalhando-se depois que os americanos embarcaram na Europa na Primeira Guerra Mundial (1914-1918). A doença foi chamada de “gripe espanhola” porque a Espanha, de fora da guerra, foi o primeiro país a noticiar os casos da infecção, enquanto nos outros corria a censura. A infecção tinha os sintomas de uma gripe forte e despertou reações semelhantes à do coronavírus, com restrições da circulação e o recurso à higiene. Após a pandemia, outras formas de gripe surgiram a partir de variações do vírus H1N1 — a mais recente foi a gripe suína de 2009. A vacinação é hoje a forma mais eficaz de prevenir as gripes e suas complicações.

A aids

A aids foi identificada nos anos 1980, nos EUA, e circula até hoje. A doença é causada pelo HIV, vírus que ataca o sistema imunológico. A transmissão se dá por meio de sexo sem proteção, compartilhamento de seringas ou de mãe para filho. Inicialmente, a maioria dos infectados pelo HIV eram homens HSH (Homens que Fazem Sexo com Homens), como gays e bissexuais, motivo que levou as autoridades a ignorar ou estigmatizar a pandemia. A doença chamou a atenção depois de protestos do movimento LGBTI. A aids hoje é tratável com o uso de medicamentos antirretrovirais, mas não há vacina para a infecção.

A gripe suína

A gripe suína foi identificada no México em 2009 e, em pouco tempo, se espalhou para todos os continentes. A doença foi causada por uma variação do vírus H1N1. A pandemia foi a primeira do século 21, numa época em que as doenças correm muito mais rápido que nos séculos passados. Entre 2009 e 2010, houve de 1,6 milhão de casos da gripe confirmados pela OMS, mas estimativas apontam que o número de infectados pode ter sido de 700 milhões a 1,4 bilhão. Apesar disso, a mortalidade da doença foi baixa.

A covid-19

A covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, foi identificada em dezembro de 2019 na China. A infecção transmite-se da mesma forma que uma gripe comum e provoca sintomas gripais típicos. Em casos graves, porém, o vírus pode causar pneumonia e matar. A pandemia é a maior do século 21 e a primeira a irromper numa sociedade tão interconectada pelas redes digitais. A infecção foi inédita por levar a uma quarentena global.

COMO enfrentar uma pandemia

As pandemias são previsíveis por uma série de razões. A principal, quase óbvia, é a própria evolução dos seres infecciosos, que torna inevitável que surjam novos vírus e bactérias (ou versões atualizadas dos que já existem) capazes de causar doenças às quais não somos imunes, como se tem visto na história.

A crise do novo coronavírus foi precedida por anos de uma série de alertas de cientistas, profissionais de saúde e autoridades sanitárias de que um evento como a gripe espanhola de 1918 não era desejável, mas, apesar disso, não demoraria a chegar no século 21. A questão não era se haveria a próxima pandemia, mas quando ela iria acontecer.

A principal estratégia para impedir que uma pandemia ocorra (ou viralize em proporções maiores) é a preparação. A expressão é usada pela OMS e outras autoridades de saúde para definir as ações que governos, comunidades e organizações (como a própria agência da ONU) devem empregar para enfrentar as doenças de possível alcance internacional.

A ideia se desdobra em algumas tarefas que cabem às autoridades para tornar os países mais resilientes a essas emergências, como incrementar os sistemas de saúde e criar políticas de segurança sanitária (ou seja, segurança contra ameaças à saúde) capazes de prevenir, detectar e responder rapidamente a novos surtos de doenças infecciosas.

A preparação antecipada pode representar a diferença de doentes que um país consegue poupar ou de vidas que pode salvar em uma epidemia. A experiência mostra que lugares que têm planos e recursos voltados à preparação conseguem responder com eficiência a emergências, enquanto outros, pegos de surpresa, tendem a causar prejuízos à saúde da população.

Atualmente, há orientações de como se preparar no Regulamento Sanitário Internacional, acordo de 2005 que estabeleceu a cooperação entre os países e definiu o que cada um pode fazer para responder a crises de saúde globais. A OMS também produziu documentos sobre o assunto nos anos seguintes, à luz das lições deixadas pela pandemia de gripe suína entre 2009 e 2010.

As etapas

Prevenção

A prevenção refere-se a ações que tentam impedir o surgimento ou a propagação de doenças. Incluem-se nesse campo o controle de zoonoses (doenças animais), o combate à resistência bacteriana e a biossegurança (que tenta minimizar riscos do trabalho em laboratórios). A prevenção também inclui as campanhas locais de vacinação.

Detecção

A detecção diz respeito à capacidade dos países de identificar rapidamente novos surtos e reportá-los, caso as doenças tenham potencial de se espalhar. Incluem-se aqui os programas de vigilância epidemiológica, que devem detectar a evolução de infecções em tempo real, e os laboratórios, que precisam de capacidade para fazer testes e diagnósticos de doenças.

Resposta

A resposta refere-se às ações que os países tomam para enfrentar rapidamente os novos surtos de doenças, com o objetivo de impedir que eles se espalhem ainda mais. A boa resposta inclui planos de emergência para epidemias, equipes prontas para trabalhar nesses eventos e acesso a boa infraestrutura de comunicação, para informar o problema às pessoas. Aqui aparecem também medidas que restringem viagens e o comércio exterior.

Saúde

A resposta às pandemias deve incluir um sistema de saúde robusto, capaz de cuidar dos doentes e dos profissionais de saúde. Aqui se medem a quantidade de clínicas e hospitais no país, sua capacidade (quantos leitos, médicos e enfermeiros eles têm, por exemplo) e o grau de acesso da população ao sistema de saúde. Exige-se também capacidade dos profissionais de saúde para lidar com infecções no ambiente clínico e para testar e aprovar novos tratamentos.

Cooperação

A cooperação refere-se à adesão dos países às normas globais. Aqui se mede se as autoridades nacionais incorporaram as normas do RSI a suas políticas saúde. Além disso, investiga-se sua relação com a OMS, a quem devem reportar os casos de doenças de interesse internacional. A cooperação também inclui outras iniciativas dos países, como o compartilhamento de informações relevantes sobre doenças (o genoma de um novo vírus, por exemplo).

A preparação na prática

A crise de H1N1 e a Sars, em 2003, são exemplos lembrados ainda hoje de como doenças podem ser freadas sem causar tantos danos quando países agem em conjunto e com rapidez. A Sars foi contida com forte liderança da OMS, que convenceu os países a rastrear a doença, impor quarentena e vigiar viagens. A H1N1, por sua vez, foi controlada num tempo em que, após o novo RSI, a maior parte dos países tinha planos prontos para novas emergências.

Além desses, há o exemplo da varíola, doença que, depois de séculos em circulação e milhões de mortes no caminho, foi erradicada em 1980. A eliminação foi possível depois mais de uma década de uma campanha global de vacinação coordenada pela OMS. A iniciativa teve o apoio de governos e laboratórios de pesquisa dos países, entre eles a Fiocruz, no Brasil.

“A cooperação internacional é fundamental na resposta à pandemia. Ao que é global só se pode responder globalmente”, disse ao Nexo Deisy Ventura, professora na USP (Universidade de São Paulo) e pesquisadora em saúde pública e direito internacional. Ao todo, ela considera que os países tiveram “grande grau de obediência” às orientações de preparação da OMS nos últimos anos, desde o RSI.

Ao mesmo tempo, a preparação para pandemias entrou na pauta de projetos científicos e filantrópicos robustos, como o Cepi (Coalizão para Inovações na Preparação para Epidemias, na sigla em inglês), um fundo global que financia pesquisa na área de vacinação. A iniciativa tem apoio de governos e de instituições não governamentais, como a Fundação Bill & Melinda Gates.

A pandemia do novo coronavírus, contudo, mostrou que houve demora e falhas dos países na resposta à emergência, segundo especialistas. Muitos dos planos criados na crise de H1N1 estavam agora desatualizados ou haviam sido apenas deixados de lado, em contextos de cortes orçamentários nas áreas de saúde e de ciência.

A OMS também passa por uma crise de legitimidade, por razões como cortes de recursos, a decadência do multilateralismo (com ascensão de líderes que se opõem à autoridade da ONU, como Donald Trump, nos EUA) e a própria pandemia de H1N1, que rendeu certo desgaste à agência. “Alguns dizem que a OMS exagerou, e não houve de fato uma pandemia, porque o número de casos foi menor que o avaliado”, afirmou Ventura.

ONDE as pandemias são mais perigosas

A principal medida para avaliar se um país está ou não preparado para uma pandemia é a qualidade de seu sistema de saúde. A segurança sanitária inclui serviços médicos acessíveis, bons profissionais, disponibilidade de remédios, acesso à higiene e outras políticas para manter as pessoas saudáveis.

A Universidade Johns Hopkins e a ONG Nuclear Threat Initiative, ambas dos EUA, criaram, para avaliar isso, o Índice de Segurança Global de Saúde, que traça o quadro de 195 países que se comprometeram com as regras sanitárias internacionais. A iniciativa mede seu grau de preparação a partir de dados sobre sua capacidade de prevenir, detectar e responder a doenças, seus sistemas de saúde e a exposição a riscos biológicos.

A pesquisa concluiu que a segurança de saúde global é fraca, e nenhum lugar está realmente preparado para lidar com pandemias. A pontuação média dos países avaliados foi de 40,2 (de possíveis 100 pontos), segundo sistema de contagem criado pelo próprio estudo. Mais de 90% dos lugares não têm estrutura para se antecipar a novas doenças ou para reagir a elas, caso se espalhem.

Mapa mostra países mais bem preparados, bem preparados ou pouco preparados para emergências de saúde. Mais bem preparados estão nos países mais ricos, enquanto os bem preparados ou menos preparados se concentram nos países em desenvolvimento, em geral.

Apesar da pontuação geral, o índice mostra que países mais ricos costumam estar mais bem preparados para emergências (51,9 pontos) que os de renda média e baixa (abaixo de 50). Entre eles estão EUA, Reino Unido e Holanda, que tiveram as três melhores pontuações. Já as piores colocações estão concentradas na África, no Oriente Médio e na América Latina, como a Somália, a Síria e o Haiti.

A desigualdade apontada no estudo se confirma na realidade. Ainda são comuns epidemias como de malária, tuberculose e dengue (as chamadas doenças negligenciadas) no Sul global. A explicação está em fatores como a pobreza, o tamanho da população nesses países, a infraestrutura precária de saúde, falta de acesso a água e saneamento, pouco investimento público e ausência de educação sanitária.

22

é a posição do Brasil no Índice de Segurança Global de Saúde; na América Latina, o país fica em 1º

A análise do Brasil no Índice de Segurança Global de Saúde mostra que o país divide bons e maus indicadores. A principal vantagem nacional é o SUS (Sistema Único de Saúde), sistema que se destaca pela abrangência e por serviços como o de vigilância epidemiológica. A pesquisa também aprova os laboratórios do país. Por outro lado, o Brasil tem problemas de financiamento e pouco se prepara para situações de emergência.

A influência da política

Ao Nexo, Elize Massard da Fonseca, professora da FGV (Fundação Getulio Vargas) e pesquisadora de políticas de saúde, acrescentou aos méritos do SUS a governança (com cooperação do governo federal com governos locais) e elogiou a resposta do Brasil a epidemias do passado, como a da aids e a do zika vírus. A pandemia do coronavírus, porém, mostrou que a crise política pode prejudicar as políticas de saúde.

“O Brasil tinha tudo para ser um caso de sucesso. Temos regras e capacidade técnica para responder a pandemias. Além disso, em termos de governança, todos — o Ministério da Saúde, os estados, os municípios — estão preparados para esse tipo de problema. Mas nada disso adianta se há conflito político forte por trás”

Elize Massard da Fonseca

professora da Escola de Administração de Empresas da FGV em São Paulo, em entrevista ao Nexo sobre a pandemia do coronavírus

Massard se refere ao que chama de “obstrução” do presidente Jair Bolsonaro da resposta à crise. Suas ações incluem minimizar a pandemia e condenar o isolamento social como medida sanitária, numa insistência que rendeu embates com prefeitos, governadores e ex-ministros da Saúde. “Isso cria desconfiança entre as pessoas na hora de aderir às recomendações sanitárias”, disse.

Mais tarde, o governo federal tentou ocultar os dados da covid-19. Após o país ter chegado a mais de 600 mil infectados e 30 mil mortes pela doença, em junho, o Ministério da Saúde deixou de divulgar os casos e mortes nacionais acumulados desde o início da pandemia até aquele momento. A pasta recuou depois de contestação da sociedade civil.

Novos casos de coronavírus registrados por dia nos países. A China tinha mais registros em fevereiro, mas logo foi superada por outros países da Ásia, pela Europa e pelas Américas. Em junho, Brasil e EUA lideravam os países com mais casos por dia.

Ainda que tenha considerado a situação política e econômica ao avaliar os países (o grau de democracia é um critério para definir o ranqueamento), o Índice de Segurança Global de Saúde não previu os eventos de 2020. Além do Brasil, EUA e Reino Unido tiveram respostas aquém do esperado à covid-19 por causa de decisões políticas não previstas.

Ao mesmo tempo, países como Argentina (25º) e Uruguai (81º), com posições piores no ranking, mostraram respostas positivas ao coronavírus. Ambos aderiram rapidamente ao isolamento social e passaram mensagens claras à população sobre a emergência. Após seis meses desde o início da pandemia, as taxas de mortes da covid-19 por milhão de habitantes dos dois países estavam entre as mais baixas da América do Sul.

POR QUE pandemias são prováveis agora

A pandemia do novo coronavírus teve início provavelmente a partir da contaminação de pessoas por animais. A principal suspeita é que o vírus tenha surgido de um morcego e migrado para o organismo humano por meio de um intermediário, o pangolim (espécie de tamanduá), animal tradicionalmente consumido na China. Logo ele criou uma pandemia.

A trajetória do novo coronavírus mostra que, apesar dos avanços científicos e tecnológicos da medicina no século 21, as pandemias hoje são uma ameaça tão grande quanto eram nos tempos da gripe espanhola. A OMS fala nos tempos atuais como uma “nova era de surtos de alto impacto”, detectados com mais frequência e cada vez mais difíceis de gerenciar, segundo o relatório “A world a risk”, de 2019.

1.483

epidemias foram detectadas em 172 países pela OMS entre 2011 e 2018, segundo o relatório “A world at risk” (“O mundo em risco”); entre elas estão a Sars, o Ebola e a Mers, que ocorreu em 2012 no Oriente Médio

A primeira razão que torna as pandemias prováveis no século 21 é simples: hoje há muito mais de nós que 100 anos atrás. A população mundial atual é estimada em 7,7 bilhões, enquanto em 1918 esse número era de 1,8 bilhão. A quantidade de habitantes do planeta dobrou nos últimos 50 anos. Há mais pessoas que podem se infectar com novas doenças, especialmente nas cidades grandes e povoadas.

Além de serem mais numerosas, as pessoas se movimentam mais no século 21. A globalização diminuiu as distâncias, aumentou o trânsito entre os países e fortaleceu as trocas comerciais. Houve 4,4 bilhões de viagens aéreas no mundo em 2018, por exemplo. Mais ágeis e frequentes, os deslocamentos conseguem espalhar infecções pelo mundo num espaço de dias.

O impacto ambiental

As pandemias são também mais prováveis hoje porque a quantidade de doenças novas aumentou nas últimas décadas. Atualmente, estima-se que surjam cinco novas infecções todos os anos em diferentes lugares do mundo. Entre elas, destacam-se as zoonoses (doenças transmitidas de animais para humanos), como a covid-19.

60%

das infecções que afetam as pessoas são zoonoses; entre elas estão doenças que viraram epidemias conhecidas, como o sarampo, a dengue, a aids, a Sars e o Ebola

A explicação para o aumento das zoonoses está em outro aspecto das sociedades modernas que se intensificou nas últimas décadas: a ação predatória do meio ambiente. Atividades como o desmatamento, a caça, a pecuária e a mineração nos colocam em contato com animais selvagens e nos expõem a vírus e bactérias que eles podem carregar.

Um lugar onde uma nova doença pode surgir, por exemplo, é uma área de mina recém-instalada para onde os trabalhadores se mudam e, sem encontrar comida, recorrem à caça de animais silvestres. Ou uma fazenda que está se expandindo e chegando perto de uma área de floresta onde vivem morcegos que podem espalhar vírus para o gado.

Ao Nexo, o escritor de ciência americano David Quammen, autor de “Spillover: Animal infections and the next human pandemic” (“Transbordamento: Infecções animais e a próxima pandemia humana”, em tradução livre), livro de 2012 considerado premonitório da pandemia da covid-19, disse que anos atrás cientistas suspeitavam de que a próxima grande doença surgiria de um vírus animal.

Ainda que as zoonoses sempre tenham existido, o autor defende que o modo de vida do século 21, ao autorizar a intensa devastação ambiental, nos torna responsáveis pela crise do coronavírus. “As pandemias não são eventos que simplesmente acontecem: elas são resultado de decisões que tomamos”, disse ao Nexo. “E o que decidimos fazer foi extrair cada vez mais recursos do meio ambiente.”

“A covid-19 nos lembra que há consequências quando perturbamos a natureza. Agora estamos vivendo essas consequências. Ela nos lembra, também, que devemos tomar uma atitude. Precisamos agir para reduzir nosso impacto [sobre o meio ambiente]. [...] Do contrário, teremos cada vez mais problemas”

David Quammen

escritor de ciência e autor do livro “Spillover: Animal infections and the next human pandemic” (“Transbordamento: Infecções animais e a próxima pandemia humana”, em tradução livre), em entrevista ao Nexo

Além desses riscos (o demográfico e o ambiental), a OMS afirma que conflitos, migrações e a mudança climática podem agravar os perigos de uma pandemia nos tempos de hoje, segundo o relatório “A world at risk”. Acrescentam-se a eles os riscos de vazamentos de patógenos de laboratórios (incluindo possibilidades de bioterrorismo) e a resistência bacteriana aos antibióticos, segundo especialistas.

Atualmente, a ciência está a par dos riscos que novas doenças podem representar no século 21. A fim de superar ou se antecipar a esses perigos, pesquisadores trabalham há anos em projetos que rastreiam surtos incipientes, catalogam novos vírus e bactérias ou mesmo tentam prevenir possíveis pandemias.

É o caso de projetos como o Predict, nos EUA, e o Global Virome Project, uma parceria global de cientistas. Ambos foram lançados para monitorar animais e identificar novos vírus dos quais eles podem ser hospedeiros, na tentativa de impedir sua transmissão para as pessoas.

1.000

novos tipos de vírus foram descobertos pelo Predict em 10 anos; o projeto, dos EUA, atuou em epidemias como a do Ebola

Um dos projetos, o Predict, foi suspenso pelo governo dos EUA em 2019, numa onda de cortes de gastos promovida na administração do atual presidente, Donald Trump. A iniciativa, voltada à prevenção de novas doenças, foi considerada cara na época, quando não parecia haver ameaça de uma epidemia. Agora, com a crise do coronavírus, a suspensão do Predict foi questionada pelo Congresso americano.

EM ASPAS

“Há só três coisas inevitáveis neste mundo. Morte, impostos e pandemia de gripe”

Allison McGeer

ex-diretora do Hospital de Controle de Infecções de Mount Sinai, no Canadá, em entrevista para a série documental “Explicando”, de 2019

Se você pensar em qualquer coisa que tenha a ver com matar milhões de pessoas, a pandemia é nosso maior risco. [...] Uma pandemia se compara às maiores guerras do passado

Bill Gates

fundador da Microsoft e da Fundação Bill & Melinda Gates, em entrevista para a série “Explicando”

“As coisas mudaram da noite para o dia e deixaram o gosto de ‘nossa, que foi mesmo que eu deixei para trás, quem eu esqueci de abraçar, o que eu fiz com a minhas economias e o projeto que eu tinha?’. A pandemia foi mudando o que a gente é”

Denise Diniz

psicóloga comportamental e coordenadora do Setor de Gerenciamento de Estresse e Qualidade de Vida da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), em entrevista ao Nexo

“Uma lição que devemos lembrar é que os governos têm responsabilidade de se preparar para uma pandemia; eles têm a obrigação de investir em sistemas de saúde pública para proteger seus cidadãos tanto da ameaça quanto da realidade da próxima pandemia”

Olga Jonas

pesquisadora sênior do Instituto de Saúde Pública da Universidade Harvard, nos EUA, em entrevista à revista The Harvard Gazette em maio de 2020

“Por muito tempo, permitimos haver ciclos de pânico e negligência quando se trata de pandemias: aumentamos os esforços quando há uma ameaça séria, depois os esquecemos rapidamente quando a ameaça desaparece. É hora de agir

Organização Mundial da Saúde

agência da ONU, no relatório de 2019 “A world at risk” (“O mundo em risco”), que avaliou capacidade global de responder a pandemias

NA ARTE

Artistas de diversas áreas pensaram, escreveram ou filmaram sobre doenças reais ou fictícias que abalaram a vida social e desafiaram a saúde humana. Abaixo, o Nexo apresenta livros, filmes e séries que tratam do tema, passando por gêneros como a literatura portuguesa e o cinema coreano.

A peste” (1947), de Albert Camus

Ensaio sobre a cegueira” (1995), de José Saramago

O amor nos tempos do cólera” (1985), de Gabriel García Márquez

“Contágio” (2011), de Steven Soderbergh

“A gripe” (2013), de Kim Sung-su

“Epidemia” (1995), de Wolfgang Petersen

“O enigma de Andrômeda” (1971), de Robert Wise

“O hospedeiro” (2007), de Bong Joon-ho

“Pandemia” (2020)

“Explicando… O coronavírus” (2020)

Vá ainda mais fundo

A pandemia do coronavírus no Brasil e no mundo”, índex de reportagens, entrevistas, gráficos, vídeos e ensaios do Nexo

Site da OMS sobre o coronavírus

Como as pandemias se espalham”, vídeo de Mark Honigsbaum, escritor e jornalista especializado em ciência e saúde, para o canal TED-Ed no YouTube (em inglês, com legendas)

Pandemias: A humanidade em risco” (Contexto, 2011), livro do escritor e infectologista Stefan Cunha Ujvari

Armas, germes e aço” (Record, 2017), livro do escritor e biólogo Jared Diamond

Pandemic: Tracking contagions, from cholera to Ebola and beyond” (“Pandemia: Rastreando o contágio, da cólera ao Ebola e além”, em tradução livre), livro da jornalista de saúde Sonia Shah (em inglês)

Spillover: Animal infections and the next human pandemic” (“Spillover: Infecções animais e a próxima pandemia humana”, em tradução livre), livro do escritor de ciência David Quammen (em inglês)

Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project.

Já é assinante? x

Entre aqui

Continue sua leitura

Inscreva-se abaixo no Boletim Coronavírus, uma newsletter diária do Nexo: