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Mudança climática: do aquecimento da Terra ao colapso ecológico

Aceleração da atividade econômica trouxe prosperidade, mas poluentes afetam a atmosfera e as temperaturas, com riscos para o ambiente e a vida no planeta. Entenda os aspectos que envolvem o tema no século 21

 

Ainda neste século, a temperatura da Terra ficará 1,5ºC mais alta que no século 19, quando os ingleses investiam nos processos com queima de carbono que pouco antes haviam criado a indústria. Até hoje, a alta avançou um pouco menos que isso — em 2019 há 1,1ºC a mais que na era pré-industrial. A marca pode avançar ainda até 2ºC, ou 5ºC, ou 6ºC a mais até 2100, segundo a OMM (Organização Meteorológica Mundial).

Anunciada como uma das maiores ameaças à humanidade, a mudança climática recente, diretamente causada por atividades humanas poluentes — a indústria, a agropecuária, o desmatamento — que se espalharam no mundo, mostra cada vez mais sinais de seus impactos, como a concentração de CO2 na atmosfera e a alta das temperaturas.

As previsões de cientistas para o futuro da Terra, diante das alterações do clima, incluem secas e ciclones mais intensos, oceanos mais ácidos, extinção de espécies que garantem o equilíbrio ecológico. Alguns falam ainda na piora da vida nas cidades, por causa da poluição do ar e das ilhas de calor, entre outros efeitos danosos para a vida. Ativistas e pesquisadores falam em enfrentar o problema enquanto há tempo.

12 anos

é o tempo que a humanidade teria em 2018 para “reverter a rota” do problema do clima, segundo cientistas vinculados à ONU (Organização das Nações Unidas); ações envolvem reduzir poluentes e se preparar para impactos

Apesar de a ciência ser unânime sobre o tema, grupos econômicos e parte dos políticos resistem à ideia do aquecimento global, seus efeitos e as causas humanas. Isso porque superar a crise implicaria profundas mudanças nos modos de vida, produção e consumo que têm sido prósperos desde a Revolução Industrial. O Nexo conta como o clima chegou a este ponto e o que pode ser feito para superar a crise.

O QUE é a mudança climática

 

A expressão “mudança climática” refere-se a qualquer alteração do clima que ocorra ao longo do tempo devido à variabilidade climática natural ou a atividades humanas. Aqui, refere-se especificamente ao conjunto de alterações, observado desde o século 20, decorrente de ações humanas que lançam os chamados gases do efeito estufa na atmosfera.

Atividades como a agropecuária (que libera poluentes por causa de fertilizantes e dos dejetos do gado bovino), o descarte de lixo, a queima de combustíveis fósseis, como carvão e petróleo, e mudanças no uso do solo (como o desmatamento) emitem grande quantidade de gás carbônico, entre outros poluentes. A retenção desses gases na atmosfera causa perturbações em suas dinâmicas e fenômenos, como o efeito estufa. A principal evidência disso é o aquecimento global.

400 ppm

é o número de partículas por milhão de gás carbônico na atmosfera atingido em 2019, segundo estudo divulgado em abril; alavancado por emissões humanas, número é recorde dos últimos 3 milhões de anos

Como o planeta aquece

Emissões

Atividades humanas emitem grande quantidade de gases formadores do efeito estufa, causando um desequilíbrio na composição da atmosfera, camada gasosa no entorno da Terra que se estende até 1.000 km acima da superfície. A atmosfera é importante porque regula as condições do clima e, consequentemente, afeta a vida na Terra. Entre os principais  gases derivados da atividade humana estão o metano (CH4), o óxido nitroso (N₂O) e o gás carbônico (CO₂). Esses gases podem durar de 50 a 200 anos na atmosfera, influenciando temperaturas, regimes de chuvas, correntes marítimas e de ar.

CO₂

é o mais abundante dos gases do efeito estufa — representa 70% das emissões; é resultado do uso de combustíveis fósseis e de mudanças no uso da terra, como a remoção de florestas (a vegetação naturalmente absorve o gás)

N₂O

é resultado do tratamento de dejetos animais, do uso de fertilizantes, da queima de combustíveis fósseis e de alguns processos industriais; tem poder de aquecimento global 310 vezes maior que o gás carbônico

CH4

é resultado da decomposição de matéria orgânica; é encontrado em aterros sanitários, lixões, reservatórios de hidrelétricas e na criação de gado; tem 21 vezes mais poder de aquecimento que o gás carbônico

Efeito estufa

O efeito estufa é um fenômeno que ocorre a partir da ação de uma camada de gases — entre eles, metano e gás carbônico — na atmosfera. Os gases retêm parte da radiação solar que chega à Terra e, com isso, impedem que o planeta seja fatalmente frio. Trata-se de um fenômeno natural, necessário à vida na Terra. O problema acontece quando há um agravamento desse fenômeno. A emissão de gases formadores do efeito estufa pelas atividades humanas tem tornado a camada mais espessa, o que leva a mais retenção de calor.

Aquecimento global

O aquecimento global é o resultado do aumento das emissões de gases-estufa e a principal evidência da mudança no clima. Sua consequência mais visível tem sido o aumento da temperatura do ar, mas ele também provoca modificações nas correntes marítimas e de ar e efeitos como o derretimento de calotas polares e a elevação do nível das águas.

 

Na década de 1950, cientistas começaram a divulgar registros do aumento médio da temperatura global, algo que se tornaria uma tendência nos anos seguintes. Entre a Revolução Industrial, entre os séculos 18 e 19, e 2018, o planeta ficou 1,1ºC mais quente, segundo relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), organização de cientistas vinculada às Nações Unidas.

A temperatura média global tem sido mais quente que a média de todo o século 20 desde 1976, segundo dados da Noaa (Administração Oceânica e Atmosférica Nacional) dos Estados Unidos. Além disso, desde o início do século 21, o recorde de temperaturas altas foi quebrado cinco vezes — 2017 foi o terceiro ano mais quente desde 1880.

A evolução da temperatura desde o período industrial coincide com o aumento das emissões de gases do efeito estufa, especialmente o gás carbônico. A organização Climate Central reuniu dados da Nasa e medições da Noaa e mostra que as curvas de ascendência de aquecimento e emissões seguem o mesmo padrão. Um vídeo do Nexo compara os impactos do CO2 e de outros fatores sobre a temperatura.

Informações como as do vídeo explicam a influência humana sobre as temperaturas, dizem cientistas. Ainda que eventos naturais — como variações na órbita terrestre e na temperatura solar — também provoquem aquecimento, a curva de impacto de fenômenos como esses não acompanha o aumento recente da temperatura da Terra.

Aquecimento global ou mudança climática?

A expressão “mudança climática” é mais abrangente que “aquecimento global” e vem sendo preferida por cientistas. Isso porque ela engloba todas as alterações no clima decorrentes das emissões de gases do efeito estufa — como no regime de chuvas e nas massas de ar atmosféricas — além do aumento da temperatura média do ar.

Além disso, o uso de “mudança climática” evita confusões como a do presidente dos EUA, Donald Trump, que debochou da existência do aquecimento global em um dia de extremo frio no leste dos Estados Unidos em 2018. É possível fazer frio e nevar em uma região de um planeta que está aquecendo porque, segundo a ciência, variações no tempo nem sempre definem características mais amplas do clima.

Entenda os conceitos

Tempo

É o estado da atmosfera em local e tempo restritos, como em São Paulo, quando faz frio e calor no mesmo dia. Seus principais indicadores são temperatura, chuva, umidade e vento.

Clima

É a condição média permanente da atmosfera, que equivale aos conjuntos de tempos mais comuns em um lugar. Pode ser tropical (no Brasil) ou polar (na Antártida), sendo influenciado por fatores como latitude, massas de ar, correntes marítimas, entre outros.

Alguns pontos do planeta podem realmente esfriar, pois, por mais contraditório que pareça, os efeitos da mudança do clima não se limitam ao aquecimento. Por causa de perturbações em outros aspectos da atmosfera, a tendência é que a mudança climática leve ao aumento de eventos climáticos extremos, tanto de calor como de frio.

QUEM cunhou a expressão na ciência

 

Um dos principais responsáveis por disseminar os conceitos de mudança climática e aquecimento global foi o geofísico americano Wallace Smith Broecker (1931-2009), professor na Universidade de Columbia, nos EUA. Em 1975, ele publicou artigo relacionando as emissões de gases-estufa ao aumento da temperatura mundial.

À época, citando medições (de temperatura e de CO₂ na atmosfera) feitas ao longo de 15 anos por outros cientistas — dois dos mais conhecidos são Roger Revelle e David Keeling, que falaram no tema em 1957 —, Broecker defendeu que a Terra passava por um processo de aquecimento inédito, que poderia provocar impactos imprevisíveis.

“[...] o crescimento exponencial do conteúdo de dióxido de carbono atmosférico tenderá a se tornar um fator significativo e, no início do próximo século [21], terá levado a temperatura planetária média para além dos limites vividos nos últimos 1.000anos”

Wallace Smith Broecker

geofísico, no artigo “Climate change: are we on the brink of a pronounced global warming?” (“Mudança climática: estamos à beira de um aquecimento global pronunciado?”, em tradução livre)

Antes da publicação do artigo, entre as décadas de 1940 e 1970, a Terra havia passado por um fenômeno de resfriamento — resultado de emissões industriais de gases aerossóis, que haviam compensado os efeitos do gás carbônico sobre a temperatura —, motivo pelo qual poucos cientistas estavam dispostos a escutar Broecker. Mas “ele não se deixou enganar”, afirmou mais tarde o cientista Michael Oppenheimer.

 

Anos depois da publicação do artigo de Broecker, em 1977, cientistas de mais de 50 países se reuniram na Primeira Conferência Mundial do Clima, organizada pela OMM (Organização Meteorológica Mundial). Pela primeira vez, a academia difundiu suas descobertas e apelou às nações para investigarem os impactos da mudança climática sobre áreas como agricultura, recursos hídricos, energia, biologia e economia.

As evidências da mudança do clima

A temperatura

A temperatura média da Terra aumentou desde o século 19, e pode aumentar ainda mais, segundo a Nasa. Pesquisas apontando o aumento da temperatura global na era pós-industrial existem ao menos desde 1827. Para calcular a média anual das temperaturas, cientistas em estações meteorológicas observam as tendências das chamadas anomalias, variações do clima consistentes em todo o globo. Para calcular a temperatura no passado, eles fazem modelos matemáticos a partir dos dados de eventuais medições feitas por estações da época e dados de satélite.

6.300

é o número aproximado de estações metereológicas que, em diversos países, calculam a temperatura média da Terra

As águas, o gelo

A ciência tem observado, na prática, que o aumento da temperaturas está causando o derretimento dos blocos de gelo em calotas polares no Ártico. Em 2012, segundo a Nasa, a área de gelo na região era a menor desde o início dos registros. O aumento do calor provoca ainda o aumento da temperatura dos oceanos, assim como a elevação do nível do mar — em média, a elevação foi de mais de 20cm em todo o globo no último século. As emissões mais abundantes de carbono também tornaram os oceanos 30% mais ácidos em relação ao início da Revolução Industrial.

Os extremos climáticos

Desde 1950, cientistas atestaram o aumento de eventos extremos relacionados a altas temperaturas e a tempestades nos Estados Unidos. Ao longo do tempo, pesquisadores em outros países registraram o aumento de ciclones mais intensos, por exemplo. Para saber a relação de eventos como esses com a mudança climática, os cientistas usam modelos matemáticos que reproduzem as variáveis (emissões, massas de ar, correntes marítimas) do sistema do clima e sua dinâmica, observando se as altas de CO na atmosfera têm efeito sobre a outra ponta da equação.

 

Uma das principais iniciativas a consolidar a crescente produção científica sobre o tema foi o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), criado em 1988 nas Nações Unidas, onde cientistas de diferentes áreas do conhecimento (climatologia, biologia, oceanografia, entre outras) trabalham para sintetizar e divulgar o conhecimento mais avançado sobre o tema produzido no mundo.

Até 2019, o IPCC fez cinco grandes relatórios — ele prepara o sexto para 2021 —, a partir das descobertas de, literalmente, milhares de estudos internacionais, sobre as bases científicas da mudança climática, novas projeções para o futuro e recomendações de ação para líderes e gestores públicos. As divulgações do grupo dão suporte para a maior parte de ações políticas sobre o clima, e ganham destaque na imprensa.

Atualmente, o IPCC afirma que o aquecimento global é “inequívoco”, que a influência humana sobre o sistema climático é “clara” e que as emissões recentes de gases-estufa são as mais altas da história. A natureza complexa do clima, assim como os diversos fatores que o influenciam, no entanto, tornam incertos os impactos das mudanças, ainda que a ciência busque alcançá-los com equações e pesquisa.

QUANDO a humanidade se deu conta

 

A primeira reunião feita entre chefes de Estado para tratar do meio ambiente foi a Conferência de Estocolmo (ou Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano), realizada em 1972 entre 113 países. Mais focado em discussões sobre poluição e desmatamento, o encontro inaugurou a noção de equilíbrio entre desenvolvimento econômico e a redução da degradação dos recursos naturais.

À época, a comunidade internacional começava, de forma progressiva, a perceber efeitos negativos da explosão fabril, urbana e demográfica impulsionada pelo capitalismo industrial e que atingiu o ápice na metade do século 20. Foi um período de crescimento e prosperidade, mas que deu os primeiros sinais dos danos ambientais das atividades humanas, entre eles a contaminação do ar e a devastação vegetal.

Qual era o contexto

Esgotamento

A década de 1970 marcou a primeira vez em que a Terra entrou no “cheque especial” — ou seja, a primeira vez em que a quantidade de recursos consumida pela população mundial ultrapassou a capacidade de regeneração do planeta. Houve, pela primeira vez, a percepção da escassez de água, com o secamento de rios, e da exploração crescente de madeira e terra, que não conseguia ser compensada de forma natural na mesma velocidade do consumo. Atualmente, mais de 80% das pessoas vivem em países “no vermelho” em termos ambientais.

CFCs

A descoberta da destruição da camada de ozônio na atmosfera foi outro problema ambiental a despertar atenção e a impulsionar uma ação política internacional em meados do século 20, especialmente nos anos 1980, segundo pesquisadores. Uma série de estudos científicos alertou a sociedade de que a emissão de CFCs (clorofluorcarbonetos, compostos antigamente usados para aerossóis e gases para sistemas de refrigeração) estaria abrindo um “buraco” na camada, que protege a Terra de raios ultravioleta emitidos pelo Sol. A mobilização foi tanta que a produção de CFCs foi proibida. A destruição da camada de ozônio nada tem a ver com o efeito estufa ou com o aquecimento global.

Alerta nuclear

Acidentes em usinas nucleares em Three Mile Island, nos EUA, em 1979, e em Chernobyl, na União Soviética, em 1986, lançaram grandes quantidades de partículas radioativas na atmosfera, resultando em graves casos de contaminação para as pessoas e o meio ambiente. Isso despertou a atenção da sociedade para eventuais riscos do uso daquele tipo de energia. As décadas de 1970 e de 1980 foram marcadas pelo surgimento de movimentos sociais a favor do desarmamento nuclear.

 

A preocupação ambiental logo deslocaria a discussão sobre a mudança climática da academia para o debate público. Com a divulgação de novos estudos sobre o tema, o Canadá sediou, em 1988, a Conferência de Toronto, primeiro encontro público mundial para tratar do aquecimento global. Ali foi criado o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, a mesma que é referência hoje.

1988

foi, até então, o ano mais quente registrado desde o início das medições; é considerado pela academia como um “ano-chave na emergência das alterações climáticas como uma questão pública”

Por implicar relações e mudanças profundas no ambiente global, a discussão sobre mudança climática ganhou cada vez mais relevância geopolítica — afinal, o clima não tem fronteiras. Antes quase inexistentes nas relações exteriores, temas como emissões de carbono, economia verde, justiça ambiental e desenvolvimento sustentável passaram a estar na base de dilemas e acordos internacionais.

Algumas das principais iniciativas para combater a crise climática surgiram depois de Toronto, nos anos 1990 — década em que, além das autoridades, a opinião pública começou a despertar para o aquecimento global e outros problemas ecológicos. Uma dessas ações, a ECO 92, lançou as bases para tratados sobre o clima que teriam destaque depois, como o Protocolo de Kyoto, de 1997, e o Acordo de Paris, de 2015.

 

A ECO 92

Após a Conferência de Toronto e outros encontros de cientistas sobre o clima, a ONU organizou, em 1992, a ECO 92 (Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento), ou Cúpula da Terra, encontro que reuniu no Rio de Janeiro 172 representantes de Estado para debater a agenda ambiental. Pela primeira vez, discutiram-se formas de desenvolvimento sustentável, conceito até então novo.

“[desenvolvimento sustentável é] o desenvolvimento que satisfaz as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades”

Nosso Futuro Comum

também chamado de Relatório Brundtland, é um documento da ONU de 1987 que concebeu o conceito de desenvolvimento sustentável

Na ECO 92, foi iniciado o processo para a criação da UNFCCC (Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima), tratado internacional que, pela primeira vez, reconheceu o papel da humanidade no aquecimento global e estabeleceu um compromisso conjunto para a mitigação (ou seja, a desaceleração) dos efeitos da mudança climática, reduzindo suas emissões de gases-estufa.

A convenção, que inicialmente não fixou limites obrigatórios para as emissões, baseou-se na noção de “responsabilidades comuns, mas diferenciadas” — que estabeleceu que as nações que mais haviam contribuído para a mudança do clima (as desenvolvidas) deveriam concentrar mais esforços para ajudar o mundo a enfrentá-la. Ainda hoje um dos pontos mais importantes de negociações sobre o clima, essa noção norteou o Protocolo de Kyoto, atualização de 1997 da UNFCCC e primeiro esforço global significativo para reduzir emissões de carbono.

Os países-membros da UNFCCC

 

A partir da criação da UNFCCC, seus 196 países-membros decidiram que se reuniriam anualmente nas chamadas Conferências das Partes (ou Conferências dos Membros), também conhecidas como COP. A primeira edição foi de 1995 — a convenção, assinada em 1992, entrou em vigor em 1994. São reuniões voltadas a discussões específicas sobre a mudança do clima, em que as nações discutem soluções em comum e gestam novos acordos ambientais.

O Protocolo de Kyoto

A fim de operacionalizar decisões da UNFCCC, as nações integrantes das Nações Unidas elaboraram, em 1997, o Protocolo de Kyoto, acordo que estabeleceu o compromisso de redução dos gases-estufa em 5,2% em relação aos níveis de 1990. Foi a primeira vez que se criou um compromisso legal internacional em relação ao tema, com metas específicas de emissões para cada país que assinou o tratado.

A princípio, essas metas se aplicariam apenas aos países desenvolvidos (inseridos no Anexo 1 criado pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima), que deveriam investir em reformas no setor de transportes, adotar fontes de energia renováveis e proteger florestas, entre outras medidas. Por esse motivo, os EUA, um dos maiores poluidores globais, nunca o assinaram.

192

países ratificaram o Protocolo de Kyoto, que entrou em vigor em 2005, com a adesão da Rússia; segundo a regra, o acordo só entraria em vigor se representantes de 55% das emissões globais o ratificassem

 

Ao longo do tempo, reuniões internacionais e acordos seguintes buscaram flexibilizar o Protocolo de Kyoto — considerado rígido, sem espaço para que os próprios países fixassem suas metas individuais. Em 2008, três novos mecanismos tornaram o tratado politicamente sustentável, facilitando seu cumprimento pelas nações participantes.

Mecanismos de flexibilização

Comércio de emissões

Definiu que países do Anexo 1 que haviam cumprido com suas metas de redução de emissões poderiam “comercializar” seus créditos de carbono (também chamados de RCEs, Reduções Certificadas de Emissões) com outro país do grupo cujas emissões estivessem acima do teto do protocolo. Cada RCE equivale a uma tonelada de CO2.

Implementação conjunta

Definiu que países do Anexo 1 poderiam cumprir com suas metas implementando ou incentivando projetos de redução de emissões em outros países do grupo em troca de créditos de carbono. A implementação conjunta oferecia aos países um meio flexível e mais econômico de cumprir com uma parcela de seus compromissos. A “parte anfitriã” se beneficiava especialmente do investimento externo.

Mecanismos de Desenvolvimento Limpo

Definiu que países do Anexo 1 implementassem projetos de redução de emissões em países do não-Anexo 1 (ou seja, países em desenvolvimento), produzindo créditos de carbono que poderiam ser contados para cumprir com as metas do protocolo.

A vigência do Protocolo de Kyoto foi até 2012, com adesão fragilizada e pouco sucesso na redução de emissões de gases do efeito estufa. A Emenda de Doha, proposta de tratado elaborada naquele ano, havia sugerido um segundo período para o prosseguimento do documento, de 2013 a 2020. Mas o início das negociações de outro tratado, que se tornaria o Acordo de Paris, desestimulou a adesão.

O Acordo de Paris

Inaugurando uma nova fase de ações de combate à crise do clima, o Acordo de Paris foi assinado em dezembro de 2015 como resultado de negociações entre 195 países que naquele ano participavam da COP 21. É o primeiro tratado universal de combate ao aquecimento global — ou seja, foi o primeiro a ser assinado por todos os países que participam da conferência do clima (incluindo, na época, os Estados Unidos).

2ºC

é aumento máximo de temperatura (em relação ao nível pré-industrial) que o acordo quer conter — deve haver esforços para freá-lo em 1,5ºC

 

Ao contrário do Protocolo de Kyoto, que restringia as metas de reduções aos países desenvolvidos, o Acordo de Paris envolve todas as nações — que, uma a uma, apresentaram as chamadas NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas, em português). São metas de mitigação individuais, que cada país desenhou voluntariamente para o acordo.

A China, por exemplo, propôs-se a reduzir suas emissões de carbono entre 60% e 65% até 2030, em comparação aos níveis de 1990. A União Europeia fala em diminuir 40% — em 2015, o bloco havia reduzido 19% —, incluindo políticas nas áreas de energia, indústria, agricultura, florestamento e desperdício de lixo. A princípio, os EUA aderiram ao Acordo de Paris, mas, em 2017, após a eleição do republicano Donald Trump, eles anunciaram que deixariam o tratado.

169

países ratificaram o Acordo de Paris; ele passou a valer em 2016, com a adesão de nações que representam 55% das emissões globais

Ainda que busque aumentar as responsabilidades das nações em desenvolvimento, o Acordo de Paris determinou que os países mais ricos devem continuar a apoiá-las, financiando a adoção de energia limpa e ações de adaptação (ou seja, de redução de danos) nos lugares que não têm infraestrutura para enfrentar eventos climáticos extremos, por exemplo. O tratado criou um fundo global de US$ 100 bilhões.

O que mudou com o tratado

O que se resolveu

Por ser flexível e horizontal, o Acordo de Paris foi o tratado que mais uniu países em torno do compromisso de reduzir as emissões. Avançou em relação às responsabilidades dos países em comparação com o Protocolo de Kyoto, ainda que imponha ajuda externa para nações em desenvolvimento. Além disso, destaca a importância de medidas de adaptação — pois eventos extremos já são inevitáveis, diz o tratado — além das ações de mitigação da crise do clima.

O que não se resolveu

As metas de reduzir as emissões não terão efeito a não ser que, de fato, os países que se comprometeram com o acordo não se esforcem para implementá-las, assumindo os riscos de uma transição para uma economia de baixo carbono. A divisão da conta da crise entre países ricos também está em aberto, apesar do fundo proposto pelo tratado.

Ainda que, na prática, o Acordo de Paris esteja valendo desde 2016, as nações que o ratificaram têm até 2020 para planejar e comunicar suas estratégias de reduções de carbono. A realização dos planos deve ocorrer “o quanto antes”, sugere o tratado, que não tem prazos fixos. As metas deverão ser revisadas a cada cinco anos, como modo de se fortalecer a cobrança internacional sobre o combate à crise do clima.

COMO a mudança climática afeta o mundo

As intensas alterações ambientais provocadas pelo aumento das emissões de gases-estufa podem levar a sociedade a enfrentar sucessivas crises ecológicas, econômicas, financeiras, políticas, urbanas e de abastecimento já no século 21, dizem estudos.

Alguns desses danos — mais calor, mais tempestades, mais queimadas em florestas — desde já podem ser observados e mostram consequências sociais significativas. Outros ainda estão no campo da previsão de cientistas, que se apoiam em diferentes cenários atmosféricos para calculá-los.

Abaixo, o Nexo reuniu evidências de impactos que a mudança climática já registrou ou pode vir a registrar no futuro se o ritmo de lançamento de gases-estufa se mantiver como está hoje. Os cenários foram apresentados no quinto relatório do IPCC, publicado em 2014, e em outros estudos recentes sobre o tema.

Impactos para o meio ambiente

 

Ao interferir na dinâmica do clima, a emissão de gases-estufa altera a dinâmica de elementos que com ele interagem, como as massas de ar e as águas. Além disso, interfere nas condições para manutenção da vida na Terra. Mudanças que alteram o regime de chuvas podem provocar aumento de eventos como enchentes e períodos de seca, por exemplo. Nesse caso, a vegetação também é afetada, pois depende de chuvas para se manter.

Mais frequentes com a crise, eventos extremos de inundações, por exemplo, podem transformar paisagens e afetar a biodiversidade local. Mais intensas, secas podem provocar incêndios em florestas. Mudanças no clima podem ainda aumentar a frequência de fenômenos como o El Niño, que influencia temperaturas, chuvas e secas no mundo.

218 mil

foi a quantidade de focos de incêndios e queimadas em florestas e fazendas que o Brasil teve até julho de 2018, segundo o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais); no ano anterior, haviam sido 141 mil

Há impactos específicos da mudança do clima nos ecossistemas marítimos, como o aquecimento da água, a variação do nível do mar, a acidificação dos oceanos e alterações no hidrodinamismo (o movimento do mar, provocado pela interação das águas com as massas de ar atmosféricas). Todos esses fatores afetam a vida marítima. O hidrodinamismo, por sua vez, interfere na ocorrência de eventos como tempestades, furacões e ciclones.

A biodiversidade

Um estudo publicado em maio de 2019 pela IPBES (Plataforma Intergovernamental para Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos), ligada à ONU, mostra que atualmente mais de 1 milhão de espécies de animais e plantas estão ameaçadas de extinção, tanto por causa da mudança climática como pela poluição nos ecossistemas e por mudanças nas formas de exploração humana do mar e da terra.

 

A análise, baseada em mais de 15 mil fontes científicas e governamentais de diversos países, afirma que quase metade (47%) dos mamíferos terrestres que não voam e cerca de um quarto (23%) das aves ameaçadas podem ter sido afetadas pela mudança do clima, como mudanças nos ecossistemas atribuídas ao aquecimento.

680

espécies vertebradas conhecidas pela humanidade foram levadas à extinção desde o século 16; atualmente, são conhecidas 8 milhões de espécies, incluindo plantas e animais não vertebrados

Ainda que o aquecimento global se limite a 1,5ºC ou 2ºC em relação aos níveis pré-industriais, a previsão é de que a quantidade de espécies terrestres encolha profundamente, segundo o estudo. No mar, a retração pode variar entre 3% e 25%, a depender do aumento do calor.

Impactos para a segurança alimentar

 

Por depender diretamente do regime de chuvas, o sistema agrícola deve ser um dos setores mais afetados pela mudança climática, com mais ou menos danos a depender da região. Mais frequentes, chuvas ou secas intensas podem levar à escassez de alimentos e à fome, segundo o IPCC. Em 2014, alterações no clima já afetavam negativamente safras de milho e trigo em alguns locais do planeta.

Além da quantidade, a qualidade de alguns alimentos pode cair, o que deixa milhões de pessoas suscetíveis à desnutrição, segundo cientistas. Um estudo publicado em 2018 na Nature Climate Change afirma que o aumento de gás carbônico na atmosfera altera a composição de produtos como arroz e trigo — pois, nesse cenário, os grãos produzem mais carboidratos, à custa de nutrientes como proteína, zinco e ferro.

800 mi

é a quantidade de pessoas que passam fome no mundo, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura

529 mil

adultos podem morrer até 2050 por causa da redução de oferta de comida provocada pela mudança climática, segundo estudo de 2016

A crise do clima também deve afetar estoques de peixes e de outras espécies aquáticas em diferentes regiões, a depender da variação das temperaturas e da acidificação dos mares, segundo o IPCC. Para o painel, pescadores mais pobres e outros dependentes da pesca e da aquicultura de subsistência serão os mais vulneráveis às mudanças.

Impactos para a saúde

 

Impactos diferentes da mudança do clima podem afetar direta ou indiretamente a vida e a saúde, segundo o IPCC. Inundações, incêndios, furacões e ondas intensas de calor e frio são capazes de levar as pessoas à morte, por exemplo. Alterações ambientais profundas podem ainda modificar padrões de incidência de doenças ou impactar a disponibilidade e a qualidade de água e comida.

“Acima de tudo, a mudança climática vai aumentar ameaças à saúde humana, especialmente nas populações de baixa renda, predominantemente nos países tropicais e subtropicais”

Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas

em relatório de 2001, que faz 1.166 menções à saúde; desde então a relação entre clima e saúde é considerada um consenso científico

A qualidade do ar

Um dos principais exemplos da relação entre mudança climática e danos à saúde, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), é a poluição do ar nas cidades — que anualmente leva à morte de mais de 7 milhões de pessoas. “As fontes que produzem as emissões de gases-estufa [indústria, energia, transportes] e as que poluem o ar são as mesmas”, apontou a entidade em relatório de 2015.

A qualidade do ar também pode ser afetada pelo próprio aumento das temperaturas, segundo a OMS. Um dos efeitos possíveis do aquecimento global é a extensão de incêndios florestais, por exemplo. Um clima mais seco pode ainda provocar tempestades de poeira em outras áreas. O pólen e outras substâncias que circulam pelo ar capazes de causar alergia podem ser mais prevalentes.

44 mil

pessoas morreram na Europa em 2003 devido a ondas de calor, segundo o projeto Countdown, rede global de instituições acadêmicas e intergovernamentais para estudar a mudança do clima e a saúde

A Organização Mundial da Saúde estima que a mudança climática será a causa principal de 250 mil mortes anuais entre 2030 e 2050, levando em conta outros fatores que também impactam a saúde, como a escolaridade das pessoas. A estatística foi feita a partir de quatro problemas de saúde quantificáveis — a desnutrição infantil, a malária, a diarreia em adolescentes e a exposição de idosos às ondas de calor.

Impactos para as cidades

 

Altas temperaturas, o aumento do nível do mar, o aumento de chuvas intensas, as ilhas de calor e a poluição do ar são impactos que afetam especialmente as cidades, aumentando os riscos de estresse por calor, inundações e deslizamentos de terra, entre outros problemas que afetam a vida, a infraestrutura, a economia e os ecossistemas locais.

Ações voltadas às áreas urbanas são essenciais para uma adaptação bem-sucedida à mudança climática, diz o IPCC. Além de abrigarem mais da metade da população mundial e a maior parte das atividades econômicas relevantes, as cidades (e seus habitantes, e sua economia) estão entre os principais responsáveis pelas emissões de gases-estufa.

3,6 bi

pessoas no mundo vivem em cidades; é mais da metade da população mundial — em 2050, espera-se que o número cresça para no mínimo 5,6 bilhões

Por serem mais sujeitas ao aumento do nível do mar, a eventos de fortes chuvas e à erosão, as cidades costeiras, que abrigam mais de 10% da população global, estão entre as mais desprotegidas da mudança climática — sobretudo na Ásia, mas também em países como o Brasil, segundo o Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas. 

Além delas, cidades (costeiras ou não) construídas em países mais pobres tendem a ser mais vulneráveis a eventos extremos do clima, devido ao deficit de infraestrutura, a deficiências de planejamento urbano e uso do solo e à ausência políticas de resiliência e gestão de desastres. Um exemplo de região sob riscos desse tipo é o conjunto de favelas e outros assentamentos informais nas metrópoles do Brasil.

Extremos no mundo

Nova Orleans

Em 2005, o furacão Katrina, tempestade com ventos que alcançaram mais de 280 km/h, arrasou a região litorânea do sul dos EUA, atingindo especialmente a região metropolitana de Nova Orleans, uma das mais populosas do país, no estado de Luisiana. Ao todo, o furacão causou cerca de 1.800 mortes. Segundo o Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos, em comunicado de 2006, os prejuízos do desastre chegaram a US$ 81 bilhões.

Nova Friburgo

A cidade de Nova Friburgo, na região serrana do Rio de Janeiro, teve em uma noite chuva equivalente à média de um mês inteiro em janeiro de 2011. Houve deslizamentos, ventos fortes destruíram casas e negócios locais e mais de 400 pessoas morreram. Na época, o episódio, que atingiu outras cidades na serra fluminense, revelou problemas de gestão de riscos e foi considerado a maior tragédia climática da história do país.

Buenos Aires

Uma onda de calor extremo tomou a Argentina por mais de 15 dias — a onda mais longa dos 75 anos anteriores —, levando ao colapso o sistema de energia da capital do país, Buenos Aires. Mais tarde, o evento, de dezembro de 2013, foi objeto de estudos de cientistas argentinos, que afirmam que o aquecimento global gerado pelo homem foi um dos causadores da onda extrema de calor. Na época, ao menos sete pessoas morreram, a maioria idosos.

Ilhas Salomão

Aquecimento global, erosão, ventos e correntes marítimas estão provocando o desaparecimento de territórios nas Ilhas Salomão, que estão sendo tomadas pelo aumento do nível do mar, no Pacífico Sul, apontaram cientistas em estudo de 2016. O aumento do nível das águas na região tem sido de entre sete a dez milímetros anuais — maior que a média mundial de três milímetros por ano. A maioria das ilhas estava desabitada na época da pesquisa, embora em algumas delas houvesse vegetação relevante e a comunidade local aparecesse para pescar.

Impactos para a economia

 

Impactos globais da mudança climática sobre a economia são difíceis de se estimar, e na maioria dos setores produtivos eles devem ser menores do que os de outros fatores — como estilo de vida, tecnologia, o crescimento demográfico e variações de preços —, segundo o IPCC. Apesar disso, atividades que demandam o uso de água, por exemplo, ou que são afetadas por mudanças na temperatura devem se adaptar.

“Os impactos da mudança climática podem diminuir a produtividade e o crescimento econômico nacionais, mas a magnitude desse efeito ainda não é bem compreendida. O clima pode ser uma das causas pelas quais alguns países ainda estão presos na pobreza — e a mudança climática pode dificultar sua saída desse estado”

Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas

em relatório de 2014 sobre adaptações à crise do clima

Alguns dos setores que mais devem ser afetados por alterações no clima são de energia, saneamento, turismo, saúde e seguros, diz o IPCC. A demanda por ar-condicionados deve aumentar sob temperaturas mais altas, por exemplo. No turismo, destinos vulneráveis a extremos climáticos, como praias, podem passar a atrair menos pessoas. Por outro lado, seguradoras deverão oferecer planos não tão caros, mas que deem conta desses eventos.

A economia da adaptação

A mudança climática pode causar um prejuízo econômico global entre US$ 77,6 bilhões e US$ 89,6 bilhões até 2050, segundo o relatório Economics of Adaptation, publicado pelo Banco Mundial em 2010. As maiores perdas viriam dos setores de infraestrutura, gestão da água, regiões costeiras, saúde pública e agricultura e pesca, entre outros.

US$ 13,5 bi

é a estimativa mínima de perdas do setor de infraestrutura devido à crise do clima até 2050, segundo o Banco Mundial

US$ 6,5 bi

é a estimativa mínima de perdas em eventos extremos devido à crise do clima até 2050, segundo o Banco Mundial

 

Antes, estima-se que as perdas econômicas causadas por eventos climáticos extremos tenham somado US$ 3,08 trilhões, ou 0,3% do PIB mundial acumulado, segundo o estudo Global Climate Risk Index 2017, que analisou o período de 1996 a 2015. No Brasil, eventos do tipo representaram perdas de até R$ 355,6 bilhões entre 2002 e 2012, segundo a Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável.

A transição para uma economia de baixo carbono, se ocorrer, significa que empresas intensivas em emissões devem ficar menos competitivas, apesar de as mudanças representarem "riscos e oportunidades" sem precedentes para investidores, aponta a ONU. Uma análise da organização sobre 30 mil empresas mostra, por outro lado, que, sem ação dos governos, os prejuízos privados podem atingir US$ 1,2 trilhão.

ONDE mais se contribui para a crise

 

Por conta de seu desenvolvimento industrial, regiões desenvolvidas (sobretudo EUA e União Europeia) são historicamente as principais responsáveis pela maior parte das emissões de gases-estufa, como mostrou a Convenção do Clima da ONU. Por outro lado, por causa da desindustrialização recente em parte desses lugares, países em desenvolvimento, como China e Índia, vêm aumentando proporcionalmente suas emissões.

A plataforma Climate Watch, criada pelo World Resources Institute, uma instituição global de pesquisa, mostra que China, EUA e União Europeia foram as três regiões que mais lançaram gases-estufa em 2014, quando foi feita a última estatística. O Brasil está em sétimo lugar.

69,1%

é quanto os 10 países mais poluidores representavam do total das emissões no mundo em 2014, segundo a plataforma Climate Watch

As regiões mais poluidoras

 

Entre os dois que mais poluem, China e EUA, as maiores taxas de emissões vêm do setor energético, seguidas pela indústria (no caso da China) e da agricultura (nos EUA). No mundo, energia, indústria, transportes (e combustíveis) e florestas (a devastação de florestas, ou mudanças no uso da terra) são os quatro setores predominantes.

Os setores mais poluidores

 

A lista de países que mais poluem não é a mesma que a dos países que mais sentem os efeitos do clima — as dinâmicas climáticas têm efeitos sobre todo o globo, e não há, na verdade, uma relação precisa de quais lugares são individualmente mais afetados pela crise. Por outro lado, há um consenso de que nações mais pobres tendem a ser prejudicadas, pois não têm infraestrutura de adaptação a eventos climáticos extremos.

A desindustrialização dos países desenvolvidos

A diferença de emissões entre países ricos e pobres começou a diminuir por volta do fim do século 20, quando nações desenvolvidas, como Alemanha, EUA, Reino Unido e Dinamarca, viram acontecer uma queda significativa no uso de energia e de gases-estufa no setor industrial, acompanhada de um protagonismo crescente do setor de serviços.

1.525%

foi quanto a riqueza financeira cresceu entre 1980 e 2007; o período foi marcado por mudanças na estrutura produtiva mundial, com perda de espaço da indústria e ganho do capital financeiro

 

Ao mesmo tempo, países asiáticos do Pacífico, como China e Índia, iniciaram um inédito processo de industrialização e acelerado crescimento — motivo que explica o aumento da participação dessas regiões nas emissões de gases-estufa. A China, em especial, tornou-se um dos maiores exportadores de industrializados do mundo, com um estrutura dependente do carvão mineral, atendendo inclusive à demanda de quem passava pela desindustrialização.

Segundo o pesquisador Carlos Germán Meza González, doutor em energia e ambiente pela USP, a queda no consumo de energia de Alemanha, EUA, Reino Unido e Dinamarca vem unicamente do setor industrial — outros setores, inclusive os poluentes, e especialmente o de transportes, cresceram “vigorosamente” no mesmo período. Além disso, se a energia e as emissões de gás carbônico embutidas nas mercadorias importadas também fossem incluídas nas taxas de cada país, é provável que os desenvolvidos teriam índices maior que hoje, ele diz.

A adoção das fontes renováveis

Além da desindustrialização das principais economias, outra tendência nas últimas décadas que alterou o fluxo de emissões, tanto em países do Pacífico asiático como da Europa e os EUA, foi a adoção, cada vez maior, da energia renovável — ou seja, de fontes de energia gerada a partir de recursos naturais que são continuamente reabastecidos, como o vento (para energia eólica), a luz do Sol (energia solar) e a biomassa.

A razão para a mudança, além das pressões políticas pelo meio ambiente, está na diminuição dos preços das tecnologias de energia renováveis e no aumento substancial dos preços internacionais dos combustíveis fósseis, sobretudo a partir dos anos 2000. De 2011 a 2014, o barril de petróleo passou de US$ 40 a mais de US$ 100.

 

Um desafio da adoção desse tipo de fonte energia é o baixo fator de capacidade (ou seja, a baixa potência) de usinas como a solar e a eólica, em comparação com as que usam combustíveis como carvão e gás natural. Assim, mesmo com as altas dos combustíveis fósseis, há casos em que as fontes tradicionais continuam mais vantajosas para grandes demandas — e as energias renováveis são usadas como complementos.

1 kWh

de eletricidade gerado com fontes não fósseis equivale a 0,1 kWh de eletricidade gerada com fontes fósseis, segundo estudo de 2012

Ainda que seja um avanço, a adoção de energia renovável não representa uma redução significativa de emissões de gases do efeito estufa — o aumento de 1% na geração de eletricidade com fontes renováveis reduz as emissões de gás carbônico em 0,03%, segundo estudo que analisou 25 economias. As conclusões entre pesquisas divergem, por causa de metodologias e objetos de análise diferentes, mas cientistas concordam que é preciso combinar essa com outras medidas.

O que o Brasil tem feito pela mudança climática

Ao mesmo tempo em que está entre os maiores poluidores, o Brasil desempenha um papel importante no combate à mudança do clima, tanto pelo protagonismo que alcançou em negociações internacionais sobre o ambiente como por sua biodiversidade, em especial na Amazônia, que tem um dos maiores estoques de carbono do mundo.

2 bi

toneladas brutas de gases-estufa foram lançadas pelo Brasil em 2017, segundo estudo do Observatório do Clima; país é o 7º mais poluidor

 

Atualmente, segundo um levantamento sobre o ano de 2017 do Observatório do Clima, quase metade das emissões brasileiras são causadas por mudanças de uso da terra (46,1%) — ou seja, ações do homem em áreas de natureza, como o desmatamento —, seguidas pelo setor da agropecuária (23,9%). Atrás, estão os setores de energia (20,8%), processos industriais (4,8%) e resíduos sólidos (4,4%).

5 mi km²

é a extensão da Amazônia no Brasil

463 mil km²

é a área desmatada da Amazônia brasileira de 1988 a 2018, segundo o governo federal; a área é um pouco maior que a extensão da Suécia

Apesar do quadro grave de devastação, iniciativas como o uso de biocombustíveis no transporte rodoviário, o uso de fontes de energia renováveis e serviços florestais na Amazônia — apesar do desmatamento — motivaram uma série de discussões sobre o Brasil no nível nacional e internacional.  Isso se traduziu em mais negócios e comércio para o Brasil e destaque nos rumos da política climática.

O Brasil no mundo

Iniciativas

Além de ter sediado a ECO 92, que associou a imagem do país a uma visão progressista dentro da política climática, o Brasil desempenhou papel de destaque na criação do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo e de outros instrumentos flexíveis durante o Protocolo de Kyoto. Além disso, contribuiu para consolidar o conceito de responsabilidades históricas entre países. Para Alice Amorim, do Instituto Clima e Sociedade, o país adota o papel de “mediador” de interesses nas convenções do clima, mostrando alternativas viáveis para o problema.

Mitigação

Apesar de não ser obrigado a reduzir as suas emissões de gases de efeito estufa devido ao seu status de país não Anexo I dentro da UNFCCC, em 2009 o Brasil apresentou um compromisso nacional voluntário de reduzir entre 36,1% e 38% as suas emissões até 2020, principalmente pela redução do desmatamento e maior uso de energias renováveis. A estratégia foi incorporada a uma lei federal que criou a Política Nacional sobre Mudança do Clima.

Adaptação

Ao longo dos últimos anos, o Brasil passou a investir em medidas de adaptação, sobretudo no semiárido nordestino, vulnerável a chuvas irregulares, à falta de acesso à água e a longos períodos de secas. A região é uma área que está em risco sob a crise do clima, que pode afetar pessoas mais pobres e agricultores familiares locais. A adaptação é um dos pontos frágeis de países em desenvolvimento.

Algumas das ações mais relevantes que o Brasil desempenha para combater a mudança do clima envolvem a venda de créditos de carbono a outros países, como parte do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, e atividades de REDD (Mecanismos de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação), pelas quais o país recebe recursos estrangeiros para buscar encerrar a devastação das florestas.

Um exemplo dessas atividades é o Fundo Amazônia, por meio do qual o Brasil recebe incentivos de países como Noruega e Alemanha sempre que comprova ter reduzido suas emissões via queda das taxas de desmatamento. O fundo é gerido pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que atrai os investimentos.

A situação da Amazônia

 

Iniciativas como essas podem sofrer mudanças a partir de 2019, com a chegada de Jair Bolsonaro (PSL) à Presidência. Avesso ao que considera um “excesso de ambientalismo” na gestão federal, ele considerou deixar o Acordo de Paris e fala em derrubar regras que “impedem” o crescimento. Para Ricardo Salles, seu ministro do Meio Ambiente, o aquecimento global é um problema “secundário”.

POR QUE o tema é uma controvérsia política

 

Apesar de a comunidade científica e de organismos políticos como a ONU encararem a mudança climática como uma ameaça global desde o século passado, autoridades públicas e empresários de setores com interesse direto no tema resistem à ideia de que a atividade humana está alterando o clima, ou rejeitam fazer mudanças profundas.

Imaginar uma nova economia em países que cresceram e prosperaram por causa da expansão de setores poluentes — a indústria do carvão, do petróleo, ou a mineração, ou a agricultura não sustentável — poderia destruir empregos, travar o crescimento econômico e levar à falência atores econômicos poderosos e indústrias para as quais não há substituto equivalente, dizem as autoridades.

O que precisa mudar, segundo o IPCC

  1. Para a energia, é preciso “descarbonizar” ainda mais, investindo em recursos como vento, sol e água para gerar eletricidade
  2. Para transportes, é preciso investir em veículos de massa, como trens e ônibus, e incentivar veículos movidos a combustíveis menos poluentes, ou veículos movidos a eletricidade
  3. Para a construção civil, é preciso implantar inovações tecnológicas de redução de emissões de gases do efeito estufa
  4. Para uso da terra, agricultura e florestas, é preciso reduzir o desmatamento, conservar florestas existentes, recuperar terras degradadas e manter boas práticas na agricultura
  5. Para a população, recomenda-se transformar hábitos de consumo, como de energia e alimentos, investindo em dietas com menos carne e mais grãos e leguminosas, por exemplo

A assinatura do Acordo de Paris, em 2015, renovou a atenção da opinião pública para a mudança climática, tanto do ponto de vista de quem a vê como entrave ao crescimento quanto de quem defende que as nações deveriam combatê-la, priorizando o ambiente e transformando a indústria e os empregos baseados em emissões de carbono em uma economia e em empregos limpos. São visões de mundo em disputa, que expõem os limites do sistema econômico.

Qual o pano de fundo

Alerta do clima

Após o Acordo de Paris, com o compromisso quase unânime dos Estados-membros da ONU em reduzir emissões, a questão climática, ao menos no campo do discurso, parece ter ela mesma se tornado quase unânime entre autoridades públicas. Uma série de alertas divulgados em seguida levou parte da sociedade a se preocupar mais com o tema — 2015, 2016 e 2017 foram os anos mais quentes na Terra desde os primeiros registros, por exemplo, e relatórios do IPCC apresentaram projeções climáticas com danos graves à vida social.

Crise econômica

Por causa da desindustrialização de economias desenvolvidas, acompanhadas de aumento das importações, os mercados de trabalho nacionais nesses países — na indústria e em áreas associadas a ela, como transporte e varejo — foram gravemente afetados nas últimas décadas. Houve aumento do desemprego, declínio de salários e queda na renda média de famílias, sobretudo das de trabalhadores não qualificados. Ao lado de outras crises, as mudanças na economia fazem parte da sociedade pedir por respostas rápidas, à parte a questão climática.

Atualmente, as disputas pelo clima são protagonizadas pelos mesmos atores que se destacam em outros campos da política — de um lado, líderes da direita populista, como o presidente dos EUA, Donald Trump, capitalizaram a insatisfação de quem se prejudicou com a crise econômica, incentivando as indústrias nacionais de carvão e petróleo e negando a gravidade da questão do clima, que associa às esquerdas.

Na oposição estão lideranças novas, especialmente mulheres jovens ligadas à sociedade civil, como a deputada Alexandria Ocasio-Cortez, nos EUA, e a ativista sueca Greta Thunberg. Ao lado de movimentos como o recém-criado Extinction Rebellion, no Reino Unido, elas pedem por justiça climática, e suas ações, idealistas e mobilizadoras, têm ajudado a expor as tensões políticas e geracionais em torno do tema.

As novas forças políticas

Fridays for Future

A adolescente Greta Thunberg, de 16 anos, iniciou em 2018 uma onda global de protestos contra a crise do clima após ter boicotado suas aulas em uma sexta-feira e realizado um protesto diante do parlamento em Estocolmo, na Suécia. A ação, que se prolongou e chamou a atenção da imprensa, transformou-se no movimento #FridaysForFuture de crianças e adolescentes. Milhares de jovens passaram a acompanhar Thunberg nos boicotes periódicos às aulas de sextas, optando por ir às ruas. A onda de protestos chegou a reunir um milhão de jovens em mais de cem países em um só dia. Por ter inspirado o movimento, Thunberg tornou-se uma importante ativista política, tendo sido indicada ao Nobel da Paz em 2019.

“Nós, jovens, somos mais da metade da população global. Nossa geração cresceu com a crise climática e teremos que lidar com isso pelo resto de nossas vidas. Apesar disso, a maioria de nós não está incluída no processo decisório local e global. Não aceitaremos mais essa injustiça. Temos o direito de viver nossos sonhos e esperanças”

Juventude pelo Clima

em carta divulgada em 7 de março de 2019

Extinction Rebellion

A segunda frente de ação nas ruas pelo clima é o movimento Extinction Rebellion, criado em 2018 com o apoio de acadêmicos e ativistas, cujo objetivo é usar a resistência não violenta para combater a crise do clima e minimizar os riscos de colapso ecológico e extinção em massa das espécies. A atuação do grupo se destaca em países como Reino Unido, Alemanha e Nova Zelândia. Inspirado em movimentos de base como Occupy, o sufragista e o movimento pelos direitos civis de Martin Luther King, nos EUA, o Extinction Rebellion realizou diversos atos de desobediência civil em 2018, especialmente em Londres, onde os ativistas bloquearam vias e dezenas deles foram à prisão. Em maio de 2019, o Parlamento Britânico decretou emergência climática na região — decisão simbólica, mas inédita — devido a novas ações do grupo.

Green New Deal

Nos EUA, a jovem deputada Alexandria Ocasio-Cortez elegeu-se ao Congresso em 2018, em sua primeira eleição, com uma campanha de base bem-sucedida, forte presença nas redes sociais e uma plataforma mais à esquerda do Partido Democrata, voltada a temas como imigração, racismo, justiça social e meio ambiente. Em fevereiro de 2019, ela apresentou o Green New Deal, plano de investimentos públicos que busca transformar o país em uma economia de carbono neutro até 2030, nos moldes do que foi o New Deal, conjunto de reformas na indústria americana após a crise econômica de 1929. Desde então, a resolução tem sido o principal tema do mandato de Ocasio-Cortez, que o divulga com discursos que viralizam na internet e ganham adesão de jovens americanos. Ela enfrenta, por outro lado, grande resistência da ala republicana.

Para o Instituto Clima e Sociedade, a transição para um futuro de baixo carbono pode acontecer se, com vontade política e políticas públicas, os países criarem normas, incentivos e oportunidades de investimento para direcionar as indústrias e motivar a inovação na área sustentável. Ocasio-Cortez, nos EUA, defende que uma transição deve criar novos empregos, e que não reagir à crise do clima também pode sair caro.

 

Segundo Carlos González, por outro lado, transições como essa costumam ser de “muito longo prazo”, e a competitividade de produtos como o petróleo ainda é um desafio. Por isso, mais que encontrar substitutos para os atuais modelos de emissões, ele aponta, é preciso buscar uma “nova economia”, com metas que vão além da lógica do capital, considerada limitada para o desenvolvimento sustentável.

Para alavancar a ação climática e pressionar os países a criar políticas compatíveis com o Acordo de Paris, indivíduos, empresas e a sociedade civil têm recorrido à Justiça. Uma organização infantil nos EUA, por exemplo, processou o governo em 2018 por ter adotado medidas que contribuem para a mudança do clima, impedindo que os mais jovens desfrutem do direito civil de conviver com um ambiente seguro.

EM ASPAS: a crise do clima

“A mudança climática é sobretudo um agravador de problemas. Ela é a diferença entre andarmos na corda bamba e despencarmos no chão”

Carlos Rittl

secretário-executivo do Observatório do Clima, rede de ONGs voltada ao meio ambiente, em entrevista ao Nexo de janeiro de 2019

“A mudança do clima vai muito além da agenda ambiental. Ela envolve repensar uma série de privilégios, uma série de decisões sobre como a gente vive e consome, e como lidamos com as populações mais vulneráveis. São itens que geram controvérsias políticas e de ordem econômica. E há muitos interesses envolvidos”

Alice Amorim

coordenadora de política climática e engajamento no Instituto Clima e Sociedade, em entrevista ao Nexo

“A lentidão da mudança climática é um conto de fadas, talvez tão pernicioso quanto aquele que afirma que ela não existe, e chega a nós em um pacote com vários outros, numa antologia de ilusões reconfortantes”

David Wallace-Wells

jornalista americano especializado em mudança climática, no livro “A terra inabitável: uma história do futuro”

“A montanha à nossa frente é muito alta, mas não é intransponível. Sabemos como escalá-la. [...] O mundo conta conosco para enfrentar o desafio [da emergência climática] antes que seja tarde demais”

António Guterres

secretário-geral das Nações Unidas, em discurso de 2018

“Os adultos ficam dizendo: ‘devemos dar esperança aos jovens’. Mas eu não quero a sua esperança. Eu não quero que vocês estejam esperançosos. Eu quero que vocês estejam em pânico. [...] E eu quero que vocês ajam. Quero que ajam como agiriam em uma crise. Quero que vocês ajam como se a casa estivesse pegando fogo, porque está”

Greta Thunberg

ativista adolescente pelo clima, em discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, em janeiro de 2019

NA ARTE: Film4Climate

Um dos momentos de “boom midiático” sobre a crise do clima, já no início do século 21, ocorreu quando Al Gore, ativista ambiental e ex-vice-presidente dos EUA (1993-2001, na gestão de Bill Clinton), lançou o filme “Uma verdade inconveniente” (2007), que introduziu discussões contemporâneas sobre o aquecimento global e ainda levou o Oscar.

Assim como Gore, o ator Leonardo Di Caprio produziu uma série de filmes sobre o clima, e o audiovisual se tornou uma plataforma popular para a divulgação de dilemas políticos, discussões científicas e histórias reais relacionadas ao tema. De 2007 a 2019, Al Gore produziu um  novo filme, a Netflix fez séries documentais e o Banco Mundial organizou o Film4Climate, concurso global de cinema sobre o assunto.

“Uma verdade inconveniente” (2007), de Al Gore

“A última hora” (2007)

 

“Faça as contas” (2013)

 

“Cowspiracy” (2014), de Leonardo Di Caprio

 

“Snows of the nile” (2014), de Nathan Dappen (em inglês)

 

“Captando o sol” (2015), de Shalini Kantayya

 

“Seremos história?” (2016), de Leonardo Di Caprio

 

“Uma verdade mais inconveniente” (2017), de Al Gore

 

“O amanhã é hoje” (2018), de sete ONGs brasileiras

 

“Nosso planeta” (2019), de Alastair Fothergill

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