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Plástico: de mil e uma utilidades a problema ambiental

Barato e versátil, o material se tornou praticamente onipresente no cotidiano. Mas também se transformou em um dos maiores desafios ambientais da atualidade

 

 

A criação do plástico e o desenvolvimento de sua produção no início do século 20 revolucionaram diversas áreas, da medicina à moda, da indústria bélica à comunicação, além de mudar hábitos de consumo. No século 21, porém, o descarte do material virou um problema ambiental grave.

 

Leve, econômico, resistente e adaptável. Mas de difícil decomposição. Conheça a história do plástico, como ele transformou a vida moderna e quais os esforços de organismos internacionais, ONGs, ativistas, membros da sociedade civil e governos para que ele deixe de ser uma ameaça para a natureza e para a própria humanidade.

 

O QUE é plástico

Plástico é um material sintético criado a partir do rearranjo das moléculas do petróleo bruto. Trata-se de um polímero, formado por longas cadeias repetitivas de moléculas. É devido a essa origem química que muitos tipos de plástico têm “poli” no início de seus nomes. Existem vários tipos diferentes de plástico. Eles são, majoritariamente, divididos entre duas categorias: os termoplásticos e os termorrígidos.

 

  • termoplásticos são aqueles que podem amolecer e até derreter quando aquecidos, e endurecer quando resfriados – tudo isso de forma reversível
  • termorrígidos são os plásticos que se alteram quimicamente quando aquecidos e não podem ser remodelados (o que reduz as possibilidades de serem reciclados)

Termoplásticos mais comuns

PET

O politereftalato de etileno, conhecido como PET, é um dos plásticos mais consumidos no mundo e é muito conhecido por estar associado a garrafas plásticas, utilizadas para armazenar bebidas. Também é usado em frascos de cosméticos e de material hospitalar, além de fibras têxteis. É um tipo de plástico que adquiriu grande importância mercadológica por ser muito resistente ao ataque de outras substâncias e a deformações no geral, além de apresentar baixo nível de absorção de umidade e baixo custo.

 

Poliftalamida

A poliftalamida é uma resina da família do Nylon. É um material de alta resistência química e com maior rigidez quando em altas temperaturas. É utilizada na indústria de automóveis, principalmente na área de peças, que vão desde bobinas de motor até ar condicionado, luzes de LED, protetores de fios e conectores USB. Devido a sua capacidade de resistir a altas pressões, é um material utilizado na indústria do petróleo (por exemplo, em gasodutos). Na área da saúde, é aplicada na fabricação de tubulação para cateteres. Também está presente em cerdas de escovas de dente e de cabelo, equipamentos esportivos, peças de aviões, entre outros usos.

 

Polietileno

O polietileno é amplamente produzido ao redor do mundo e é um dos polímeros mais baratos. Dependendo de sua densidade, tem diferentes aplicações na indústria. As aplicações vão desde embalagens plásticas flexíveis, como sacolas plásticas de supermercados e embalagens de sabão em pó e leite, até dutos para sistemas de drenagens e tubos para esgoto, irrigação, condução de cabos elétricos, entre outros.

 

Polipropileno

O polipropileno é muito usado na fabricação de recipientes e embalagens e, quando reforçado com fibra de vidro, é bastante presente na indústria de autopeças. As suas principais características são a grande resistência a rupturas, impactos e químicos.

 

Policarbonato

É um tipo de plástico que se assemelha ao vidro, por ser permeável à luz, mas é mais resistente a impactos. É usado na fabricação de janelas de avião, vidros blindados, telhados e revestimentos industriais, além de outros objetos, como capas de CDs, mamadeiras e lentes. É leve e de fácil instalação, por isso tem sido mais utilizado no ramo da arquitetura.

 

PVC

O policloreto de vinila, também conhecido como PVC e vinil, não é 100% originário do petróleo, mais da metade do seu peso é formada por cloro. É, por isso, um plástico menos suscetível a mudanças de preço do mercado de petróleo. O vinil é versátil, devido ao seu processo pouco usual de obtenção. A forma primária como é comercializado exige a incorporação de aditivos, que podem levar a inúmeras combinações e produtos finais com características específicas. Há materiais de PVC que têm aspecto totalmente rígido (como tubos para distribuição de água potável) até muito flexíveis e com aspecto borrachoso, como mangueiras de jardim. O PVC é completamente atóxico e inerte e é muito utilizado para a fabricação de materiais médico-hospitalares.

 

Poliestireno

O poliestireno é a matéria prima de copos descartáveis e diversas embalagens. As suas características predominantes são o baixo custo, a fácil coloração, a semelhança ao vidro, a elevada resistência a ácidos, a baixa absorção de umidade e a possibilidade de ser reciclado. O poliestireno expandido é conhecido como isopor, cujas principais características são a leveza, a capacidade de isolamento térmico e o baixo custo. O isopor é muito utilizado na construção civil e na confecção de caixas térmicas para armazenamento de bebidas e alimentos.

 

Termorrígidos mais comuns

Poliuretanas

No plural pois suas características podem variar (a depender da técnica de preparação, por exemplo), as poliuretanas são usadas como espumas macias na fabricação de colchões e estofados ou como espumas duras na fabricação de embalagens e pranchas de surfe.

 

Silicones

Os silicones – quimicamente inertes, estáveis perante variações de temperatura e atóxicos – são mais conhecidos pelo uso em cirurgias plásticas, mas são um tipo de plástico versátil. Na forma de óleos, são usados na impermeabilização de superfícies (como na fabricação de ceras usadas no polimento de automóveis). Mas também podem adquirir consistência de borracha, sendo usados para vedação (de janelas e boxes de banheiro, por exemplo). Podem, ainda, ser utilizados para produzir objetos esterilizáveis, como chupetas e bicos de mamadeiras.

Fabricação

 

Alguns dos dados mais importantes sobre o plástico usado hoje foram divulgados em 2017. Naquele momento,  pesquisadores publicaram na revista Science um artigo amplo, chamado “Produção, uso e destino de todos os plásticos já criados”, que analisou o mercado do plástico internacionalmente desde sua disseminação, nos anos 1950, até 2015.

 

QUEM criou o plástico

Antes da criação do plástico como é conhecido atualmente, essa designação já existia para caracterizar qualquer material com alta maleabilidade – ou seja, que pode ser modelado a partir do calor, da pressão ou de reações químicas.

 

De origem grega, a palavra “plastikós” significa “flexível”. Por isso, algumas resinas de árvores conhecidas desde a Antiguidade são consideradas plásticos naturais. O marfim também tem esse status, por ter sido moldado para fins comerciais desde o século 17.

 

As descobertas

O plástico como ele é utilizado hoje – em inúmeros formatos, com diferentes composições químicas e em escala industrial – não foi criado por uma só pessoa. Ele foi desenvolvido por diferentes cientistas ao longo das décadas.

 

Em 1839, Charles Goodyear, inventor americano, descobriu a vulcanização da borracha, ao adicionar enxofre à borracha bruta, obtida a partir da extração do látex da árvore seringueira. Esse processo fez com que a borracha se tornasse mais resistente ao calor, durável e elástica.

 

 

 

Outro passo no desenvolvimento do plástico moderno foi a criação da trinitrocelulose, pelo químico alemão Christian Schöenbein, em 1846, a partir de um processo que envolve o algodão. Essa substância seria importante mais tarde para a produção do celuloide, uma classe de compostos químicos que seriam considerados os primeiros materiais termoplásticos e que têm origem na celulose das plantas.

 

O primeiro celuloide foi produzido em 1862 – mas ainda sem essa denominação específica – pelo metalúrgico inglês Alexander Parkes, a partir da nitração da celulose. Ele patenteou o produto com o nome Parkesina, considerado o primeiro plástico fabricado pelo homem e importante por permitir a moldagem de produtos plásticos pela primeira vez.

 

O termo celuloide só passou a ser utilizado de fato em 1870, quando o americano John Wesley Hyatt simplificou o processo para sua obtenção, conferindo à substância maior viabilidade comercial.

 

Um dos marcos mais importantes do surgimento do plástico aconteceu em 1907, com a produção da baquelite pelo químico e empresário belga Leo Baekeland.

 

Leo Hendrik Baekeland, em 1916
 

 

O surgimento da baquelite se deu no contexto da industrialização da eletricidade, quando a demanda por isolantes abundantes e de baixo custo aumentou. Até então, o principal produto utilizado era a goma-laca, que tinha como matéria-prima uma resina natural produzida por um parasita de árvores da Ásia. Baekeland, então, passou a pesquisar uma alternativa que fosse sintética, em vez de baseada em um recurso natural. Chegou a um resultado com aplicações mais amplas: uma resina altamente resistente ao calor, que poderia ser moldada em sua fase inicial de produção e originar diversos objetos – a qual denominou baquelite.

 

A baquelite é considerada o primeiro plástico comercialmente viável. Ela  foi a porta de entrada para a produção em massa do plástico, a chamada “era do plástico”. Foi considerada revolucionária, tendo sido conhecida como “o material de mil utilidades”, presente na composição de utensílios de cozinha, rádios, bijuterias, brinquedos, telefones, bolas de bilhar, máquinas fotográficas, carros, aviões, entre outros. As peças feitas a partir da baquelite também apresentavam elevada resistência mecânica, podendo ser manipuladas, como os cabos de penela.

 

 

 

Hoje, porém, os produtos feitos de baquelite são considerados antiguidades. A maioria dos produtos plásticos atualmente tem como base o petróleo, que garantiu a existência de produtos ainda mais baratos e duráveis. Isso se deve, de início, ao incentivo à pesquisa científica relacionada a hidrocarbonetos e ao desenvolvimento da indústria petroquímica no período entreguerras, nos anos 1920 e 1930, principalmente na Alemanha, na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos.

 

Esses esforços, após o fim da Primeira Guerra Mundial (1914 -1918), estavam relacionados a um aumento da demanda por matéria-prima barata para a produção de diversos tipos de produtos. Nesse momento, principalmente durante a década de 1930, surgem os primeiros plásticos feitos a partir do petróleo e do gás natural. Entre eles, estão o poliéster (1932), o PVC (1927), o poliestireno (1935) e o Nylon (1935).

 

200%

é quanto a produção de plástico anual no mundo cresceu entre a década de 1950 e 2015

 

381 milhões de toneladas

é a quantidade de plástico produzida ao redor do mundo em 2015. Em peso, esse valor é equivalente a quase dois terços da soma da população mundial (considerando a média de 75 kg por pessoa)

 

QUANDO o plástico se disseminou

Houve uma evolução gradual da produção de plásticos durante o final do século 19 e início do século 20, acompanhando o desenvolvimento dos processos fabris e industriais pelo mundo, em especial entre as potências europeias e os Estados Unidos. Mas há um ponto de inflexão na Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

 

Em 1939, houve uma edição da Exposição Universal em Nova York, com o tema “O Mundo do Amanhã”. Nela, vários pequenos objetos de plástico foram expostos, como canetas, apontadores, facas e crachás. As Exposições Universais são grandes exposições públicas em que avanços tecnológicos são exibidos. Elas acontecem periodicamente em diferentes partes do mundo até hoje, no século 21, e são atualmente conhecidas pelo nome Expo.

 

Em meados do século 20, eram eventos de grande prestígio que pretendiam mostrar invenções importantes para o futuro. É nesse momento que começa de fato a disseminação do plástico em escala global.

 

Na época, a cortiça era considerada um material mais flexível para o uso industrial, com alta resistência mecânica. Ela estava presente em parabrisas de carros, contêineres de refrigeração, além de ser usada como isolante e para a vedação de motores de automóveis e aviões. Também era utilizada na área militar, fundamental para tanques, caminhões, aviões bombardeiros e sistemas de armamento.

 

A entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra acontece pouco mais de dois anos depois da Exposição Universal de Nova York. Nesse contexto, o governo americano passou a se preocupar com o fato de ser dependente da cortiça, que tem origem vegetal e era 100% importada de florestas europeias.

 

A cortiça se tornou um objeto de disputa na guerra. Com os bloqueios feitos pelos nazistas no Oceano Atlântico, os americanos tiveram que racionar o uso do material, priorizando a indústria militar. Houve, então, um incentivo para a pesquisa e o desenvolvimento da ainda relativamente tímida indústria de sintéticos.

 

O plástico ganha importância, sendo usado durante a guerra para suprir a indústria bélica. O Nylon, por exemplo, serviu na fabricação de pára-quedas, cordas, coletes à prova de balas e forro de capacetes.

 

A disseminação do plástico foi rápida no pós-guerra, revolucionando o mundo dos materiais. Esse patamar de destaque foi atingido porque, entre outras características, os plásticos são:

 

  • mais leves que materiais como a madeira, metais e cerâmicas
  • mais econômicos, tanto por seu custo de produção como indiretamente, ao tornar mais leves equipamentos antes pesados como aviões e carros
  • mais facilmente processáveis a temperaturas baixas
  • baixos consumidores energéticos
  • baixos condutores elétricos e térmicos
  • altamente resistentes ao ataque químico de substâncias como oxigênio, ácidos e bases
  • facilmente misturáveis a outras substâncias, que podem alterar suas propriedades, ampliando as possibilidades de aplicação

Crescimento

 

7,8 bilhões de toneladas

é a quantidade acumulada de plástico que foi produzida no mundo de 1950 a 2015 – o equivalente a mais de uma tonelada de plástico por pessoa viva hoje

 

A primeira vez que um cientista deparou com o problema potencial do plástico foi no início dos anos 1970, quando o biólogo marinho Ed Carpenter encontrou pedaços do material no Oceano Atlântico e publicou um estudo na revista Science. Após algumas décadas, no início dos anos 2000, outros estudos passaram a descrever os problemas ambientais decorrentes do plástico, algo que vem crescendo desde então.

 

ONDE mais se produz e mais se polui

Um estudo publicado pela Science em 2015, com projeções para 2025, fez uma avaliação ampla da produção e do descarte de plástico por país do mundo para entender os caminhos percorridos até a poluição oceânica.

 

Os pesquisadores indicaram que a China, com a maior população do planeta, liderou a produção de plástico mundial, chegando a 59 milhões de toneladas em 2010. Em segundo lugar ficou os Estados Unidos, que produziram 37,8 milhões, seguido pela Alemanha, que produziu 14,4 milhões. O Brasil, na quarta posição, produziu 11,8 milhões de toneladas.

Ranking

Isso não significa que os primeiros no ranking são os países que mais poluem a partir do plástico. Além do quanto se produz, a dimensão populacional e a qualidade dos sistemas de manejo de resíduos sólidos locais – que são mais eficientes em países de alta renda –, determinam quais nações contribuem mais ou menos para a poluição decorrente do plástico.

 

Há dados distintos sobre como essa poluição acontece. E isso começa na forma como o plástico é descartado. Há duas principais categorias:

 

  • resíduo plástico de descarte inadequado: é o que iria para centros de armazenamento específicos, mas que, devido à falta de políticas eficientes, acaba indo para lixões ou misturando-se a outros resíduos, por exemplo.
  • plásticos descartados sem qualquer cuidado com o seu destino, em local inapropriado

 

O estudo apresenta altos índices de resíduo plástico de descarte inadequado em países de baixa ou média renda. Em diversos países localizados no sul asiático ou na África subsaariana, por exemplo, entre 80% e 90% dos resíduos plásticos entram nessa categoria e, portanto, são riscos em potencial para a poluição de rios e oceanos.

 

 

 

Ao mesmo tempo, em países ricos, o que inclui a maioria dos países da Europa, América do Norte, Austrália, Nova Zelândia, Japão e Coreia do Sul, há infraestrutura eficiente para o manejo dos resíduos. Isso inclui processos de reciclagem, incineração e armazenamento em aterros sanitários fechados e controlados. O índice de descarte inadequado chega perto de 0% em países como Estados Unidos e Alemanha. Esse índice é de 74% na China e 9% no Brasil.

 

Isso não significa, no entanto, que países que têm processos eficientes de manejo de resíduos não contribuem para a poluição decorrente do plástico de forma absoluta. O estudo estima que cerca de 2% dos resíduos plásticos são descartados sem qualquer cuidado, podendo chegar aos oceanos por meios como rios e ventos.

 

A indústria e as empresas na produção e no descarte

Para compreender quais são os principais usos do plástico ao redor do mundo, é preciso olhar para os diferentes setores industriais que aplicam esses materiais primariamente.

 

De acordo com dados obtidos pela pesquisa publicada na Science em 2017, o principal destino dos plásticos em 2015 foi a produção de embalagens, que utilizou 146 milhões de toneladas no geral, o equivalente a 42% do total produzido. Em segundo lugar, com 65 milhões de toneladas e 19% do total, ficou o setor de construção civil.

 

O quanto se cria

 

O setor de embalagens também é o que mais descarta plástico. Em 2015, foram geradas 141 milhões de toneladas de resíduo. Isso se dá principalmente pelo curto tempo de vida do produto final: a média de uso de uma embalagem plástica é de seis meses.

 

Essa lógica não se aplica para o segundo colocado em volume de produção, o setor de construção civil. Os materiais utilizados por essa indústria demoram a virar resíduo: continuam tendo a mesma função por, em média, 35 anos. Por isso, o setor é um dos que menos descarta: em 2015, foram 13 milhões de toneladas.

 

Um relatório divulgado pela ONG Greenpeace e pelo movimento Break Free from Plastic em outubro de 2018 indicou as empresas Coca-cola, PepsiCo e Nestlé, da indústria alimentícia, como as que mais contribuem para a poluição com plásticos no mundo. Elas foram responsáveis por 14% de todas as embalagens analisadas, coletadas em 42 países.

 

 

O comércio de resíduos plásticos no mundo

Os resíduos resultantes das mais diversas atividades podem não ter utilidade para quem os gera, porém podem ser reincorporados em outros processos produtivos como matéria-prima secundária, o que os difere de rejeito ou lixo.

 

Com o aumento da produção de plástico no mundo ao longo dos anos,  novas possibilidades de reciclagem mostraram que resíduos podem ser produtos comercialmente vantajosos. Hoje, milhões de toneladas de plástico reciclável são comercializadas ao redor do mundo, compondo parte do mercado global de commodities.

 

Nem todo plástico, porém, é facilmente reciclável e, portanto, um bem comercial interessante. Um plástico sujo ou misturado com outros materiais (o metal que reveste internamente sacos de salgadinho ou biscoito é um exemplo disso) tem sua reciclagem dificultada ou mesmo impedida em alguns casos. Plásticos termorrígidos também são mais difíceis de serem reciclados.

 

 

 

Desde a descoberta do plástico, o mundo está hoje no seu maior patamar de reciclagem e incineração. Mas ainda é muito pouco em relação ao todo: 55% dos materiais plásticos produzidos no mundo ainda são descartados como lixo, de acordo com dados de 2015.

 

 

As transações comerciais de resíduos plásticos recicláveis geralmente são feitas de países mais desenvolvidos para os menos desenvolvidos. Isso é interessante para ambas as partes porque os países desenvolvidos não precisam lidar com o destino de todo o plástico que produzem – o que pode ser uma atividade bastante cara, principalmente quando contêm aditivos químicos e diferentes misturas. O país importador, por sua vez, tem acesso a uma matéria-prima barata, de valor inferior ao plástico que produziria a partir do petróleo internamente.

 

Porém, o comércio mundial de plásticos recicláveis é uma atividade complexa, que envolve várias etapas e diferentes atores – como empresas de reciclagem, comerciantes, negociantes e empresas de transporte, o que faz dele um setor de difícil controle e transparência.

 

 

 

Muitos países não contam com um aparato legal bem estabelecido para esse tipo de comércio internacional e, muitas vezes, as vendas são feitas via internet – o que abre margem para operações ilegais e informais. A complexidade dessas transações já tem recebido a atenção de alguns países como China e Estados Unidos e organismos internacionais como a União Europeia, que instituiu uma legislação regional.

 

A falta de regulação em relação a esse comércio também abre brechas para o comércio de plástico de baixa qualidade, que dificulta o seu reaproveitamento no país importador. A exportação para países com sistemas de manejo do plástico piores, ineficientes ou até mesmo inexistentes é, inclusive, uma forma indireta de como países mais desenvolvidos podem poluir. No país que importou, esses resíduos podem acabar misturados a outros tipos de lixo, em lixões a céu aberto e podem ser levados pelo vento e pelas chuvas até os oceanos.

 

Países desenvolvidos contam também com regulamentações ambientais mais rígidas. Nesse sentido, nos últimos anos, algumas análises sobre o comércio internacional passaram a identificar os chamados “paraísos de resíduos”, ou seja, países menos desenvolvidos que recebem esses materiais, por vezes plásticos provenientes do lixo doméstico ou plásticos misturados com outros materiais.

 

O caso chinês

A maior demanda por esses resíduos plásticos recicláveis está na Ásia, principalmente na China. Em 2016, o país ficou com pouco mais da metade de todo o plástico exportado no mundo, que somou 14,1 milhões de toneladas naquele ano.

 

7,3 milhões de toneladas

foi a quantidade de resíduos plásticos recicláveis importados pela China em 2016

 

61 milhões de toneladas

é a quantidade aproximada de plástico gerado pela China internamente em 2016

 

Esse comércio de matéria-prima secundária é financeiramente mais interessante do que o investimento em produção local de plástico primário. Mas, para que esse fim seja alcançado efetivamente, o material importado deve ter uma qualidade mínima – o que nem sempre acontecia com as importações chinesas.

 

Desde 2007, a China tem aumentado as restrições a importações de resíduos plásticos recicláveis. Em 2010, foi implementado o “Green Fence” (“cerca verde”, em tradução livre”), o maior e mais rígido programa chinês para a restrição da importação de resíduos plásticos de baixa qualidade, contaminados com outros materiais.

 

No primeiro semestre de 2013, segundo o jornal britânico The Guardian, a estimativa foi de que a entrada de mais de 800 mil toneladas de plásticos recicláveis na China foram rejeitadas, com base no “Green Fence”. Oficiais chineses de portos conduziram checagens que suspenderam a licença de importação de 247 empresas.

 

Em 2017, a China implementou regras ainda mais estritas, banindo permanentemente a importação de plásticos recicláveis que não têm origem industrial. O caso chinês é relevante porque diminuir importações significa impactar significativamente o comércio global do plástico e, assim, o manejo desses resíduos em outros países.

 

A reforma chinesa foi responsável pelo aumento em cinco vezes no fluxo de importação de resíduos plásticos no Vietnã e na Malásia em 2018 – países que não estavam preparados para a mudança e já vinham enfrentando problemas internos com a gestão do  material. Segundo relatório da ONG internacional WWF (Fundo Mundial para a Natureza, na sigla em inglês), de 2019, esses plásticos “podem ter ido parar em aterros, incineradores ou despejados em local aberto”.

 

 

De acordo com um estudo publicado na revista Science em 2018, chamado “O banimento de importações chinês e seu impacto no comércio global do plástico”, se as restrições chinesas continuarem, estima-se que até 2030 cerca de 110 milhões de toneladas de plástico terão de ser realocadas no mundo.

 

Esse material terá que ser gerido internamente pelos países de origem ou terá de ser exportado para outros países. Pode, ainda, haver um aumento da quantidade de plástico que é incinerado, despejado em local aberto ou em aterros sanitários, enquanto os países que retiverem esses resíduos não desenvolverem estrutura suficiente para lidar com esse plástico.

 

COMO o plástico ameaça o mundo

As enormes quantidades de plástico produzidas no mundo, a dependência da população em relação a esse material, sua baixíssima taxa de decomposição (que, a depender do material, pode chegar a 600 anos) e a incapacidade de lidar suficiente e ecologicamente com esses materiais têm alarmado organismos internacionais, ONGs, ativistas, membros da sociedade civil e governos.

 

Tempo estimado de decomposição de diferentes materiais plásticos

  • saco plástico: 20 anos
  • copo de espuma plástica: 50 anos
  • canudo: 200 anos
  • garrafa plástica: 450 anos
  • fralda descartável: 450 anos
  • linha de pescar: 600 anos

 

A conscientização de diferentes setores se dá principalmente a respeito do impacto do plástico na vida marinha – os oceanos são o principal fim de resíduos plásticos que não têm destinação adequada.

 

De acordo com um estudo publicado em setembro de 2015 na revista Pnas, cerca de 90% dos pássaros marinhos ingeriram plástico durante suas vidas. Em 2016, uma sacola plástica foi encontrada na Fossa das Marianas, o local mais profundo dos oceanos, localizado no Pacífico.

 

 

 

10 milhões de toneladas

é a quantidade aproximada de plástico que chega aos oceanos todos os anos, de acordo com um relatório divulgado em março de 2019 pelo WWF

 

Para efeito de comparação, esse número representa 23 mil aviões Boeing 747 pousando nos mares e oceanos todos os anos – ou seja, seriam mais de 60 aviões por dia.

 

A publicação de estudos como o mais recente da WWF é um mecanismo de pressão para que países lidem com plásticos de forma mais consciente.

 

A Grande Porção de Lixo do Pacífico

Em várias partes do mundo, já é possível encontrar aglomerações de plástico flutuante. A estimativa é de que haja, no mínimo, 5,2 trilhões de partículas de plástico flutuante, que pesam ao todo 269 mil toneladas. Uma das formações mais famosas de plástico flutuante é a Grande Porção de Lixo do Pacífico, que se forma entre a altura do Havaí e da Califórnia e se estende até a costa do Japão, devido a atuação de correntes marítimas.

 

A Grande Porção de Lixo do Pacífico está se tornando visível do espaço, segundo a ONU. O núcleo dessa aglomeração tem a área de 1 milhão de km² e ela se estende com densidade menor por outros 3,5 milhões de km². Este texto do Nexo detalha mais o problema e fala sobre soluções possíveis a longo prazo.

 

Os microplásticos

Os microplásticos são plásticos que têm menos de 5 milímetros de extensão. Em termos de massa, a superfície oceânica é majoritariamente ocupada por plásticos maiores. Em termos de número de partículas, porém, a maioria é microplástico. Eles estão presentes nos oceanos e fazem parte de um campo de estudo emergente, então pouco se sabe ainda sobre seus impactos.

 

 

 

Eles têm origens variadas, e podem surgir a partir de detritos de plástico maiores que se degradaram, gradualmente, em pedaços cada vez menores. Geralmente, isso se dá quando esses plásticos maiores são expostos a raios ultravioleta, ondas e choques com areias e pedras, pulverizando plásticos descartados nos oceanos.

 

Mas há também tipos de microplásticos que são pequenas peças de polietileno fabricadas para a indústria dos cosméticos e de higiene, como em esfoliantes e pastas de dente. Essas pequenas partículas passam pela filtração da água e também acabam nos oceanos.

 

Plásticos no geral podem atrapalhar a vida de animais marinhos de diferentes formas, seja por meio do entrelaçamento com objetos, seja a partir da ingestão desses materiais. Ou ainda pela própria interação com o plástico, colidindo com espécies marinhas, gerando escoriações ou obstruindo sua passagem, por exemplo.

 

No caso dos microplásticos, o maior problema está na ingestão pelos organismos marinhos. Como ainda há poucos estudos sobre esse tema, fala-se em “efeitos potenciais”, que podem ir do nível celular até ecossistemas inteiros. Não há números disponíveis  sobre concentrações letais de microplásticos em um organismo.

 

Mas alguns estudos encontraram evidências de que a ingestão de microplásticos pode afetar a caça e a captura de presas, pois o material pode ser confundido com alimento, ocupar espaço no sistema digestivo do animal e levar à diminuição de sinais de fome. O animal pode, então, ter queda de energia, ter o crescimento inibido e sofrer impactos na fertilidade.

 

Um estudo publicado em 2018 realizado por pesquisadores da Universidade de Exeter, do Laboratório Marinho de Plymouth e do Greenpeace analisou 102 tartarugas marinhas dos oceanos Atlântico, Pacífico e do Mar Mediterrâneo – ou seja, de espécies diferentes – e encontrou microplásticos no intestino de todas elas.

 

Os impactos na saúde humana

No caso de seres humanos, ainda não há evidências de possíveis malefícios decorrentes dos microplásticos. Mas o meio científico tem observado essas partículas em específico, pois são elas, além dos nanoplásticos (ainda menores, com menos de 100 nanômetros de diâmetro), que podem ser ingeridas por seres humanos. E isso pode ocorrer de várias formas: a partir da água; do consumo de produtos de origem marinha (via cadeia alimentar); a partir da pele, por meio de cosméticos (o que é considerado improvável, mas possível); ou a partir da inalação de partículas pelo ar. A passagem de microplásticos via cadeia alimentar, passando de organismos marinhos menores para peixes maiores, por exemplo, já foi documentada.

 

 

No caso de seres humanos, essa passagem pode ser dificultada pelo fato de que microplásticos em peixes tendem a estar em seu trato digestivo – partes que, no geral, não são consumidas. Ainda não há pesquisa suficiente sobre a presença de microplásticos em tecidos de peixes, por exemplo, mas já foi identificada sua presença em frutos do mar, como ostras.

 

Um estudo apresentado em congresso em outubro de 2018, realizado pela Universidade Médica de Viena e pela agência estadual do meio ambiente da Áustria, identificou a presença de microplásticos no intestino humano. Pessoas de países distantes entre si (Reino Unido, Itália, Rússia e Japão) tiveram suas fezes analisadas. Nelas, foram encontradas partículas de PVC, polipropileno, PET, entre outros plásticos. Trata-se ainda de um estudo piloto, mas a distância geográfica dos participantes e os tipos de plástico identificados já foram considerados fatores de alerta para os cientistas, que ressaltaram a urgência de pesquisar os impactos dessas partículas no organismo humano, ainda mais se estiverem acrescidas de aditivos (muitas vezes cancerígenos).

 

“Existem estudos com animais que mostram que partículas de microplástico são capazes de entrar na corrente sanguínea, no sistema linfático e de atingir até o fígado. Além disso, estudos com animais também demonstraram que os microplásticos podem causar danos intestinais, alteração nas vilosidades intestinais, distorção da absorção de ferro e estresse hepático”

Philipp Schwabl

médico e pesquisador, liderou o estudo realizado pela Universidade de Medicina de Viena, em nota à BBC News Brasil

 

Microplásticos, em baixa proporção, também já foram identificados no sal de cozinha, na água engarrafada e da torneira, em cerveja e no mel.

 

O plástico também pode impactar a saúde humana de forma indireta, a partir de aditivos em sua composição. Um exemplo é o bisfenol A, conhecido como BPA, que está presente em materiais plásticos usados para armazenar alimentos, bebidas e produtos de higiene e é absorvido pelo corpo, de acordo com um estudo feito pela Universidade Politécnica do Estado da Califórnia em 2016.

 

 

Alguns estudos sugerem que a substância está associada ao desenvolvimento de obesidade, diabete, infertilidade e alguns tipos de câncer, mas não há consenso no meio científico sobre os efeitos do BPA à saúde. Há, ainda assim, iniciativas para a prevenção do contato com o BPA. É o caso de embalagens "BPA free", que indicam a ausência da substância ao consumidor, e da proibição do BPA em mamadeiras fabricadas no Brasil pela Anvisa, em 2011.

 

POR QUE é preciso usá-lo de forma mais racional

Da década de 1950 até hoje, a produção de plástico superou a de qualquer outro material. E muitos dos plásticos são produzidos com o objetivo de serem utilizados uma só vez e depois descartados. O plástico não é considerado um material biodegradável, pois poucos fungos e bactérias são capazes de digeri-lo. Portanto, a maior parte do resíduo plástico jogado na natureza continua a existir indefinidamente, mesmo que na forma de microplásticos.

 

 

 

De acordo com um estudo divulgado em 2016 durante o Fórum Econômico Mundial, a expectativa é que a quantidade de plástico produzida no mundo ao longo dos anos dobre até 2036. Nesse ritmo, segundo o estudo, os oceanos do planeta terão mais plástico do que peixes, em peso, até 2050.

 

De acordo com um estudo de 2019 feito pelo WWF, se o volume de plástico que chega aos oceanos continuar no mesmo ritmo, até 2030, haverá o equivalente a 26 mil garrafas de plástico no mar a cada km².

 

Mudar a chamada “economia do plástico” não é tarefa fácil, principalmente devido a enorme presença de materiais plásticos, disseminados no cotidiano da população mundial, e também pela dificuldade em encontrar substitutos tão versáteis quanto o plástico e que se mostrem ecologicamente corretos a longo prazo.

 

Mesmo assim, organismos internacionais têm elaborado recomendações para que governos desenvolvam iniciativas de contenção à poluição dos plásticos. O braço da ONU para o meio ambiente divulgou um relatório em junho de 2018 a respeito de plásticos descartáveis, que via de regra são utilizados uma vez só. Nele, elaborou um passo a passo para ações governamentais baseado na experiência de 60 países.

 

  1. Identificar os plásticos descartáveis mais problemáticos, a extensão do problema e os impactos da má gestão desses resíduos
  2. Considerar as melhores ações para enfrentar o problema
  3. Avaliar os potenciais impactos sociais, econômicos e ambientais das ações escolhidas. Um exemplo de pergunta a ser respondida, segundo a ONU, é: “como os pobres serão afetados?”
  4. Identificar e engajar as partes interessadas nessas mudanças – varejistas, consumidores, representantes de setores da indústria, governo local, fabricantes, sociedade civil, ambientalistas, associações para o turismo – para garantir uma ampla adesão
  5. Conscientizar as pessoas sobre as consequências do uso indiscriminado de plásticos descartáveis (investimento em comunicação)
  6. Promover alternativas antes que proibições ou restrições sejam colocadas, garantindo que haja pré-condições para sua disseminação no mercado. Exemplos de como governos podem executar esse passo são: incentivos econômicos para a produção de materiais ecologicamente corretos, que não causem mais problemas (há substitutos que podem ser ainda mais poluentes que o plástico, se usados em larga escala); incentivos fiscais; liberação de fundos para pesquisa e desenvolvimento; parcerias público-privadas; suporte a iniciativas relacionadas à reciclagem desses produtos, entre outras
  7. Incentivar a indústria a partir da redução de impostos ou outros mecanismos para auxiliar a sua transição. O relatório reitera que os governos enfrentarão resistência de diversos setores da  indústria do plástico e é necessário dar tempo para que se adaptem
  8. Utilizar a receita decorrente de impostos sobre os plásticos descartáveis para maximizar o bem público, dando suporte a projetos ambientais, incrementando a reciclagem local, gerando empregos no setor de reciclagem de plástico, entre outras possibilidades
  9. Certificar-se que as medidas estão sendo implementadas efetivamente, garantindo que haja a alocação clara de funções e responsabilidades para fazê-las funcionar
  10. Monitorar e ajustar as medidas, se necessário, e atualizar as pessoas sobre como está o andamento e eventuais progressos

 

Há outros tipos de recomendações que podem ser feitas ao consumidor. Por exemplo, a pesquisa exibida no Fórum Econômico Mundial de 2016 reforça a necessidade de se usar mais plásticos reutilizáveis. Segundo ela, o foco deve ser em negócios entre empresas, mas também devem ser considerados os plásticos usados por consumidores, como é o caso das iniciativas de restrição ao uso de sacolas plásticas e canudos.

 

 

 

Outro aspecto ressaltado pela pesquisa é que é necessário investir em pesquisas de diferentes setores, com o objetivo de se criar um protocolo global, com orientações e formatos específicos para que o plástico seja mais bem reaproveitado. Segundo o estudo, o problema da  “economia do plástico” é a sua fragmentação. A carência de padrões e coordenações por meio da cadeia de produção viabilizou a proliferação de materiais em formatos que acabam dificultando a reciclagem e o reaproveitamento.

 

Há cada vez mais incentivo também para a conscientização individual e a mudança de hábitos. Um exemplo disso é a adoção de um estilo de vida lixo zero, que tem sido disseminado na internet há poucos anos, no qual o objetivo é produzir o mínimo de lixo possível e, consequentemente, não utilizar plásticos descartáveis.

 

NO BRASIL: muito plástico, pouca reciclagem

O Brasil é um dos maiores produtores de lixo plástico no mundo. Ocupa o 4º lugar como gerador de resíduo plástico e apenas 1,2% desse material é reciclado.

O país é, inclusive, um dos que menos recicla no mundo, ficando atrás do Iêmen e da Síria e muito abaixo da média mundial, que fica em torno de 9%.

 

 

 

“[Esse fato] é resultado da falta de políticas públicas adequadas que incentivem a reciclagem em larga escala”, afirmou Anna Carolina Lobo, coordenadora do Programa Mata Atlântica e Marinho do WWF-Brasil, em entrevista ao portal G1, em março de 2019.

 

11,3 milhões de toneladas

é a quantidade de lixo plástico gerada no Brasil por ano, segundo dados do WWF divulgados em 2019

 

145 mil toneladas

é a quantidade desses resíduos que é reciclada no Brasil, segundo o WWF

 

7,7 milhões de toneladas

é a quantidade de material plástico descartado que fica em aterros sanitários, segundo o WWF

 

1 kg

é quanto de lixo plástico um brasileiro produz por semana, segundo o WWF

 

EM ASPAS: o plástico em debate

“O plástico é um material milagroso. Graças aos plásticos, inúmeras vidas foram salvas no setor da saúde, o crescimento de energia limpa de turbinas eólicas e painéis solares foram amplamente facilitados, e o armazenamento seguro de comida foi revolucionado. Mas o que faz o plástico tão conveniente no nosso cotidiano – é barato – também o faz onipresente, resultando em um dos maiores desafios ambientais do nosso planeta. Nossos oceanos têm sido usados como lixeira, obstruindo a vida marinha e transformando algumas áreas em uma sopa de plástico"

Erik Solheim

líder da ONU Meio Ambiente, em relatório divulgado em 2018

 

“Normalmente, quando você faz uma pesquisa aérea de grupos de golfinhos ou baleias, você faz um avistamento [de lixo] e o registra. Esse era o plano para essa pesquisa. Mas quando abrimos a porta [do avião] vimos lixo por todo lado. A cada meio segundo você avista algo. Por isso tivemos que tirar fotos – era impossível registrar tudo. Foi bizarro ver tanto lixo no que deveria ser oceano límpido”

Boyan Slat

fundador da ONG Ocean Cleanup, em entrevista concedida em outubro de 2016 ao jornal britânico ‘The Guardian’, sobre a Grande Porção de Lixo do Pacífico

 

“[A adoção de leis para a redução de consumo de plástico] parte da constatação pelos cientistas de que há um alto nível de contaminação dos oceanos e dos animais dos oceanos, e da conclusão da ONU de que esse é um dos temas mais complexos e ameaçadores para a biodiversidade dos oceanos. As pessoas estão preocupadas com a própria saúde, ninguém quer comer plástico”

Rachel Biderman

diretora-executiva da WRI (World Resources Institute) no Brasil, em entrevista ao Nexo, em 14 de junho de 2018

 

NA ARTE: filmes e música

“Oceanos de Plástico” (2013), documentário de Craig Leeson

 

“Plástico” (2018), música de Edgar

 

“Estamos criando um oceano de plástico?” (2017), episódio do projeto Mares Limpos, da ONU Meio Ambiente

 

“Triste Oceano” (2017), filme selecionado para a 7ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental

 

 

VÁ AINDA MAIS FUNDO

 

  • “Cork Wars: Intrigue and Industry in World War II”, livro de David A. Taylor (Johns Hopkins University Press, 2018)
  • “Quanto plástico está flutuando em nossos oceanos?”, mapa interativo dos oceanos, feito pela agência neozelandeza de divulgação de dados Dumpark
  • “O que acontece com o plástico que jogamos fora?”, matéria especial feita pelo jornal National Geographic
  • “Dois adultos, duas crianças, zero lixo”, palestra de Bea Johnson, pioneira no movimento Lixo Zero, no TED Talks
  • “Produção, uso e destino de todos os plásticos já criados ”, artigo publicado na revista Science, em 2017

 

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