‘Banzeiro òkòtó’: relatos sobre a devastação amazônica


O ‘Nexo’ publica trecho de livro que trata da destruição situada na maior floresta tropical do planeta. A obra destaca como raça, classe e gênero se entrelaçam ao impacto causado pelo grupo minoritário que guia essa assolação a níveis irreparáveis

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Tempos atrás me perguntaram o que o rio falaria se pudesse falar. Mas se o rio fala, a gente não entende. Há que se habitar a pele do rio para escutá-lo. Mas o branco que o habita é apenas um micróbio, às vezes uma micose, uma pequenez vivendo nos poros do rio. Andamos sobre a carne do rio, mas não o habitamos de fato. Porque não alcançamos a linguagem do rio. Para nós tudo é ruído que não se distingue.

E então o rio é explodido por dinamite.

Essa linguagem, nós, brancos, a identificamos.

E há um longe que dói.

E tudo silencia.

O rio não está morto por completo. Soa, porém, como morte. Porque deixamos de ouvir até mesmo o ruído. O silêncio do Xingu faz um som terrível. Ele nos deixa em suspense, em suspenso. O silêncio do Xingu é uma iminência de algo. Um à beira de.

É nesse ponto que estamos.

Na véspera.

O Xingu hoje é uma véspera.

Os indígenas sabem. Os beiradeiros sabem. Os brancos não sabem.

Eu conto histórias de vidas barradas porque não entendo o rio. Minhas reportagens nascem dessa impossibilidade de alcançar a linguagem do Xingu. Há quase duas décadas eu deito o meu corpo na língua desse rio, esfrego minha pele na dele, tento arranhá-lo com as minhas unhas, e sei que o Xingu é mulher.

Mas não há linguagem para mim. Então eu escuto as pessoas que mais perto chegaram de habitar o rio. Escuto as pessoas humanas, aqueles que compartilham as mesmas cordas vocais que eu.

O primeiro a me mostrar que as palavras podem ter a mesma sequência de vogais e consoantes, e mesmo assim não serem as mesmas, foi um homem chamado Otávio das Chagas. Esse nome, eu saberia em seguida, era profecia.

Otávio das Chagas nasceu na ilha de Serra, uma das centenas de ilhas do Xingu. E seu corpo foi determinado por essa experiência, a de viver sobre a terra, entre águas.

Otávio se fez pequeno, metro e meio de altura, para se mimetizar na floresta e não pesar sobre a barriga do rio ao deslizar sua canoa. Quando Otávio voltava para a terra, ele sabia que o rio tinha menos peixes para fazer cócegas em seu corpo de água. E agradecia pela generosidade do alimento.

Eu já conheci o homem depois de arrancado por Belo Monstro. É terrível. O horror não está na sua imagem, mas na sensação que ele provoca, porque o corpo está inteiro lá, mas faltam-lhe partes.

Otávio já estava com sua família na periferia de Altamira, numa casa alugada. Era o ano de 2014 e ele, aos mais de sessenta, descobria sua primeira fome. Belo Monte o convertera num pescador sem rio e sem peixe.

Otávio falava, mas não encontrava a linguagem. Desapareceu então no corredor apertado da casa e voltou de lá com uma pasta de plástico. Nela guardava as palavras dos brancos. Presas nos papéis que ele não decifra, elas vão tirando nacos da sua vida. Otávio estava ali, naquela periferia, encurralado entre a violência e o lixo, porque assinara um papel que não era capaz de ler. As manchas no papel, essas que ele não pôde decifrar, roubaram-lhe tudo.

Dentro daquela pasta estão as balas perdidas de Otávio das Chagas. As balas achadas. É isso que são palavras escritas desferidas pelos donos das canetas contra o corpo dos sem letras.

Otávio me mostra porque acredita que eu possa decifrar os documentos e explicar como foi possível que folhas de papel lhe roubassem tudo e também a vida que sabia dele. Eu, porém, não sou boa leitora de sentenças de morte perpetradas em letra de advogado. Sem saber como explicar o impossível, pergunto da vida. E Otávio quer me dizer algo, mas as palavras que chegam até mim se desencontram. Elas alcançam meus ouvidos, mas nada dizem. São palavras esburacadas.

Perdemo-nos uns dos outros naquela casa do desespero.

Ao redor de nós, Altamira ruge. Ela já é a cidade mais violenta do Brasil. Mas nós ainda não sabemos.

Seu filho Francisco então faz um gesto. Ele aponta para o próprio corpo. Aqui. Essa cicatriz foi quando um machado caiu no meu pé lá na ilha. Eu tinha dois anos.

Passo então a percorrer seus corpos com meus ouvidos e passo a escutar as cicatrizes de Otávio das Chagas.

Finalmente começo a entender.

São as chagas de Otávio que me contam, porque as chagas são tudo o que lhe restou.

Seu corpo é seu nome.

Otávio das Chagas é um refugiado do seu próprio país.

É um refugiado em seu próprio país.

Entendam o que eu demorei a entender.

Quando alguém é obrigado a deixar seu país, sua pátria ou sua mátria, sua terra por causa de fome, guerras ou epidemias, quando alguém é arrancado do seu país pela geopolítica dos que detêm o poder e os privilégios no planeta, há algo que fica.

Há um resto.

Há uma materialidade que conta que essa pessoa viveu. Mesmo que sejam ruínas, mesmo que sejam seus mortos.

Mas quando alguém tem sua ilha afogada, como aconteceu com Otávio das Chagas, a memória vira água.

Não há nada que dê materialidade à sua existência.

Tudo o que dizia que ele teve uma vida, amou Maria, fez nove filhos, foi alegre e triste, foi quase violento mas se amansou, tudo isso se liquefez. Até os ossos do seu pai se perderam, sepultado no exato ponto em que décadas depois seria erguido o paredão de Belo Monte. E então Otávio descobriu que um corpo, o do seu pai, poderia ser ao mesmo tempo perdido, esmagado e afogado. E assim também o pai morto já não tinha mais nem lugar nem matéria.

Eu volto para aquela casa que jamais será casa, a de nosso primeiro encontro em Altamira. Otávio e o filho Francisco estão apontando para a própria geografia. Desenham um mapa nos ossos, na carne e na pele. Contam a história de cada cicatriz.

Entendi, naquele momento, que o horror dos refugiados de Belo Monte é o horror de ser reduzido ao território do próprio corpo.

Otávio já tão frágil, tão pequeno, um homem encolhendo no lado de fora de si, teria ainda que fazer do seu corpo um túmulo para o pai. E com essa enormidade de espaço que ocupa um pai, o território de Otávio comprimiu ainda mais.

O pescador sem rio só podia contar com as cicatrizes das suas chagas para dizer que existia. Era um homem à deriva na sequidão da cidade, ancorado apenas em si mesmo.

Qual é o nome dessa violência?

Entendi ali que se tratava de palavras-cicatrizes. E desde então eu escuto palavras-cicatrizes também com meus dedos.

Os corpos dos refugiados de Belo Monte são livros de cabeceira.

Tempos atrás eu fui com Otávio das Chagas e sua família até a ilha de Serra, onde ele nasceu. A ilha hoje está debaixo do paredão de Belo Monte. Sobrou apenas uma ponta. Navegamos até lá depois de transpor a barreira com nossos pés. Mas os seguranças nos expulsaram da ilha porque são eles agora os guardas diante de todas as portas.

Expulsaram Otávio das Chagas do lugar que antes haviam tomado dele pela força e pela fraude. Infligiram mais essa violência e anunciaram que o faziam em nome da segurança do corpo de Otávio das Chagas. Os seguranças escondidos atrás dos crachás da empresa garantiram que o arrancariam mais uma vez de lá para, adivinhem, proteger Otávio das Chagas. O monstro que engoliu a ilha de Otávio das Chagas então o vomitou. Não o queria nem na barriga, lá onde a vida de Otávio, assim como os ossos de seu pai, já haviam sido triturados e dissolvidos em aço e concreto.

O paredão esmagou literalmente a existência de Otávio junto com os ossos de seu pai.

E ao ser devolvido ao rio em agonia, ele já não sabia se era mortovivo ou vivomorto.

O rio agora tem banzeiro.

Desde que construíram ruínas sobre o corpo do Xingu, há horas do dia em que ele se levanta, contorce seus braços e pernas nos braços e pernas do vento, há também bunda e seios, essa dança furiosa é quase erótica. O banzeiro não deixa ninguém passar.

É redemunho, vórtex.

O rio expulsa a todos do seu corpo barrado.

Nessas horas o rio quer ter raiva sozinho.

As palavras-cicatrizes de Otávio das Chagas me lançaram num banzeiro de águas interiores, e é lá onde estou até hoje. A escrita, esta que faz marcas no papel, esta que está na pasta de Otávio e de tantos outros refugiados de Belo Monte, esta que arranca tudo, esta que é

assassina, é uma das principais armas das elites em toda a trajetória do que chamamos Brasil.

A escrita é muito de um muito. É também uma arma para oprimir, subjugar, escravizar e destruir todas as outras pessoas que narram a vida pela oralidade, pelo corpo do rio, das árvores, das pedras, de mapas feitos de outra matéria.

Eu conheço os mortos dessa escrita. Vi o seu sangue. Senti o cheiro de seus cadáveres. Escutei os gritos de dor daqueles que os amavam.

Eu estava no seu enterro.

A escrita no Brasil é essa que escreve para deixar de fora — e escreve para expulsar. Essa escrita apaga enquanto escreve, apaga os que não quer que existam. Essa escrita é também a dos poderes do direito e da medicina, que estupram os ouvidos para manter os muros, forjando uma língua cujo código só os iniciados conhecem, mas que impacta todas as vidas.

Como então eu, que fiz da escrita meu ser e meu estar no mundo, uso esse instrumento violento para denunciar a violência? Ao fazê-lo não estou também eu legitimando a supremacia de uma narrativa sobre a outra e, assim, consumando um ato violento?

Silenciei horrorizada.

Aprendi como repórter que só podemos andar pelo mundo carregando nossas contradições. Tentar contorná-las em geral significa produzir mais apagamentos. Otávio das Chagas me ensinou que devo seguir com meu gesto de escrever, mas sem negar a violência desse gesto.

Escrever é fazer marca também no meu corpo. Há também em mim palavras-cicatrizes. Também eu me torno um livro de cabeceira.

Nessa posição testemunhei Otávio das Chagas peregrinar por três casas diferentes.

E nenhuma delas é a sua casa. Os homens da Norte Energia S.A., a empresa concessionária de Belo Monte, decretaram sobre sua casa na ilha, sobre a de tantos outros beiradeiros: “Isto não é uma casa”. Para eles, o conceito de casa é o do Leblon ou da Vila Madalena, o dos bairros bacanas das grandes cidades do sul. Casa, descobrimos ali, era um conceito também determinado por quem tinha o poder de determinar aquilo que é. Se a empresa tem o poder de afirmar que a casa não é casa, pode afirmar também que não há construção, não há gente morando e, portanto, não há indenização devida aos que não são na casa que também não é. Os que existem mas não são reconhecidos são condenados à fome. E a fome é.

Para Otávio das Chagas, casa é o telhado de babaçu e também o ar que entra pela porta jamais trancada, são as fruteiras da floresta e os peixes no rio, é a roça e a liberdade de não ir pra roça. É a cotia e a paca no mato. O canto dos macacos guaribas na madrugada.

Casa também são os vizinhos e as brincadeiras no pôr do sol. É o futebol dos meninos e das meninas. É onde se amarra a rede para quem chegar.

Mas essa casa não estava inscrita nos papéis dos homens da empresa.

Quem diz o que é uma casa?

Quem diz o que é aquele que é?

Eles dizem: “Isto não é uma casa”.

Onde então Otávio viveu, onde então os antes de Otávio viveram, onde então Otávio amou Maria, onde então nasceram os filhos de Otávio?

Expulsos da casa e também das palavras, expulsos de um mundo inteiro, Otávio das Chagas e sua família foram do aluguel para o reassentamento, do reassentamento para uma casa doada por um grupo de austríacos horrorizados com a violência produzida nos trópicos.

Nunca chegaram em casa.

Não chegarão enquanto não houver rio.

Beiradeiros como ele chamam a cidade de “rua”. Vou para a rua. Vim da rua. Alguns deles tinham uma segunda casa na rua para pousar quando vendiam o peixe ou quando precisavam resolver alguma burocracia do governo. Era uma casa de apoio, esta da cidade, onde chegavam já de partida, porque o rio não gostava de tê-los longe e seu chamado lhes causava aflição nas pernas e no coração. A cidade lhes dava dor de barriga. Suspeitavam que era a água, a comida com muito sal para esconder que não era fresca, a zoada.

Otávio nunca teve essa segunda casa, era um homem avesso a todas as ruas.

Belo Monte fincou Otávio das Chagas na rua, o que significa que foi colocado pra fora.

Otávio das Chagas está um habitante do fora. Do fora também de si mesmo.

É por estar fora dentro que Otávio das Chagas e tantos são refugiados em seu próprio país.

Beiradeiros como ele contêm no corpo uma longa saga que começou na seca e se encharcou. Seus antepassados foram carregados do sertão do Nordeste do Brasil, no fim do século 19, para cortar seringa e fazer borracha na Floresta Amazônica. Fugiam da aridez da terra, da fome e de séculos de jugo nas mãos aneladas dos coronéis. Na selva foram submetidos pelos patrões a relações de trabalho muito semelhantes às da escravidão.

Na Segunda Guerra Mundial, outro exército de nordestinos pobres foi levado até a floresta para produzir borracha, naquele momento para os Aliados. Em cada uma das vezes em que se despejou gente da seca na umidez da floresta, os trabalhadores eram abandonados na mata pelos patrões assim que os lucros despencavam. Criaram ali um modo de viver que fez da margem — a do rio e a do país oficial — não uma experiência de exclusão, mas de liberdade. Essa experiência, a de subverter a margem, é o modo de vida que chamamos beiradeiro ou ribeirinho, o povo do entremundos.

Navegar entre os mundos tendo por fronteira apenas o corpo do rio tornou-se uma estratégia de sobrevivência. No rio, o que é fronteira é movência. Não barra, não limita, não fere. É fronteira fluida. Os beiradeiros pescam e caçam, quebram castanha, tiram açaí, plantam roça, fazem farinha, às vezes criam galinhas. Podem cortar seringa se o preço estiver bom, garimpar um pouco quando aparece uma fofoca de ouro, no passado caçaram muita onça e gatos do mato porque os brancos queriam peles. Vivem entre a floresta e a rua, no entre dos mundos.

Não há “ou” na vida beiradeira, apenas “e”. O que há é soma. Ser beiradeiro é estar aqui e ali. É ser isto e também aquilo. É ser indígena e também não ser. É ser quilombola e também não ser. É e não é — e quando não é mesmo a subtração é soma, porque o que não é também acrescenta, passa a fazer parte do corpo.

Ser ribeirinho, habitante das beiras, é ser múltiplo.

Eles, que eram pobres, ao serem abandonados na floresta pelos patrões como carne barata e já exaustivamente usada, apropriaram-se do próprio corpo.

É comum ouvir os descendentes desses primeiros seringueiros proclamarem com orgulho:

“Nunca ninguém mandou em mim.”

Ou: “Nunca tive emprego”.

A liberdade está em se mover.

Pelo rio, pelas lidas, pelos desejos.

Mas como se mover num rio agora barrado?

Quando a pressão pela terra aumentou na Amazônia, e os invasores brancos avançaram até as margens com seus pistoleiros, muitos beiradeiros migraram da beira do continente para as ilhas do Xingu.

Era o último reduto de resistência.

Não de uma vida, mas de uma saga. Da sequidão do sertão nordestino aos excessos dos rios amazônicos.

E então Belo Monte afogou as ilhas.

E os beiradeiros foram reconvertidos em pobres, agora urbanos.

Perguntei a alguns deles:

O que é ser pobre?

“Ser pobre é não ter escolha. Do que comer, de onde ir e de onde vir, do que fazer ou não fazer.”

Ser pobre é não ter escolha sobre o desejo.

Perguntei a eles o que é ser rico.

“Ser rico é não precisar de dinheiro.”

É preciso entender também isso.

Os beiradeiros não são apenas vítimas de uma ideia de desenvolvimento que mata.

Esse é um olhar redutor para a enormidade do que são.

Os beiradeiros do Xingu, e de outros rios amazônicos, carregam no corpo uma insurreição.

São a encarnação de um levante.

Enquanto o Brasil vivia diferentes períodos de sua história oficial — duas ditaduras, a do Estado Novo (1937-45) e a civil-militar (1964-85), iniciada pelo Golpe de 1964, e as duas redemocratizações —, os beiradeiros esquecidos na floresta fizeram uma revolução literalmente na margem e também à margem do Estado.

Tornaram-se uma experiência singular.

Não como entes da floresta. Mas como entres.

E então o Estado, o mesmo que há mais de cem anos havia jogado seus antepassados na floresta, voltou para expulsá-los de lá.

O Estado voltou não para garantir direitos, mas para construir ruínas. E as ilhas- quilombos viraram água. Árvores mortas estendem seus braços esquálidos em direção ao céu, tornadas estátuas de desespero. E a pele do rio apodrece. A água agora cheira a cadáver.

Eu escuto as vidas barradas do Xingu. E fracasso em convertê-las em palavras. Fracassar é uma condição de quem escreve. A vida sempre escapa. A vida transborda, a vida é maior.

A vida flui na palavra, mas não aceita ser barrada por ela. A vida é rio que não se submete a hidrelétricas.

Quem me ensinou que escrever é um ato do corpo e no corpo foi o rio Xingu. Desde então, eu sei. Só o que tenho para oferecer sou eu mesma, esse corpo feito de palavras-cicatrizes que, ao escrever sobre outres, tatuei em mim. Como uma transmutação, a sina inescapável da contadora de histórias que, ao escrever no papel ou na tela, escreve também no próprio corpo, com tinta de sangue. É esse corpo esburacado por letras, tragicamente insuficiente, que inscrevo aqui.

Este meu corpo presente.

Eliane Brum é gaúcha de Ijuí e nasceu em 1966. Jornalista, escritora e documentarista, com uma série de livros publicados aqui e no exterior, é a repórter mais premiada da história do Brasil. Colunista do espanhol El País, é colaboradora de vários jornais e revistas da Europa e dos Estados Unidos.

Capa do livro "Banzeiro òkòtó" mostra imagem focada no tronco de uma árvore queimada

Banzeiro òkòtó: Uma viagem à Amazônia Centro do Mundo

Eliane Brum

Companhia das Letras

448 páginas

Lançamento em 29 de outubro

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