‘Paris–Palestina’: o Oriente Médio segundo os franceses


O ‘Nexo’ publica trecho de livro que analisa o tratamento dado pelo jornal francês Le Monde Diplomatique a questões relativas ao Oriente Médio — dos conflitos entre Israel e Palestina aos atentados terroristas do Estado Islâmico em Paris. Na passagem abaixo, a autora discute o papel social atribuído à imprensa e à classe intelectual ao longo da história

Histórica é a discussão sobre o papel dos intelectuais. Uma história, desde seu marco inicial, intrincada à imprensa.

Foi nas páginas do literário L’Aurore que o escritor francês Émile Zola publicou a carta aberta J’accuse!, endereçada ao presidente Félix Faure. Zola manifestou na famosa missiva, divulgada no dia 13 de janeiro de 1898, sua indignação diante do julgamento de Alfred Dreyfus — segundo a acusação de traição, o oficial judeu estaria atuando como espião alemão na artilharia francesa. Inocente, Dreyfus foi condenado. Apesar das evidências de inocência do oficial, a armada francesa ocultou o erro jurídico e fez permanecer a sentença condenatória no seu segundo julgamento.

Nos dias seguintes à carta de Zola, outros manifestaram solidariedade a Dreyfus, mediante pequenos protestos no jornal L’Aurore, posteriormente lembrados como Manifeste des intellectuels. O escritor francês Maurice Barrès, por sua vez, retrucou a Zola nas páginas de Le Journal, criticando a reivindicação dos “intelectuais” — à época, a expressão cunhada pela ala antidreyfusard (direita conservadora) para designar os autores dreyfusards (esquerda progressista) era especialmente negativa.

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