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‘O coração do mundo’: a História revista pela rota da seda


O ‘Nexo’ publica trecho de um livro que questiona a história do mundo narrada através dos triunfos do Ocidente. Peter Frankopan recupera a grandeza dos territórios da ‘rota da seda’, no centro da Ásia – hoje vistos como sinônimo de miséria e autoritarismo, mas que já foram ‘sistema nervoso’ da civilização. Leia, abaixo, o prólogo

Quando era criança, uma das minhas posses mais queridas era um grande mapa-múndi. Ele ficava dependurado na parede ao lado da minha cama, e eu o observava toda noite antes de dormir. Em pouco tempo, sabia de cor os nomes e a localização de cada país, suas capitais, oceanos e mares, e os rios que corriam por eles; e também os nomes das grandes cadeias de montanhas e desertos, escritos num imponente itálico, vibrando de aventura e perigos.

Já adolescente, sentia um desconforto com o foco geográfico sempre muito estreito das minhas aulas na escola, que se resumiam apenas à Europa Ocidental e aos Estados Unidos e deixavam a maior parte do resto do mundo intocada. Ensinava-se algo a respeito dos romanos na Bretanha; da conquista normanda de 1066; Henrique VIII e os Tudor; a Guerra de Independência Norte-Americana; a industrialização da era vitoriana; a batalha do Somme; e a ascensão e queda da Alemanha nazista. Olhava meu mapa e via que tínhamos passado em silêncio por imensas regiões do mundo.

Quando completei 14 anos, meus pais me deram um livro do antropólogo Eric Wolf, que acendeu o estopim. A história preguiçosa e aceita da civilização, escreve Wolf, é aquela em que “a Grécia Antiga gerou Roma, Roma gerou a Europa cristã, a Europa cristã gerou o Renascimento, o Renascimento o Iluminismo, o Iluminismo a democracia política e a Revolução Industrial. A indústria, por sua vez, cruzou com a democracia e produziu os Estados Unidos, que incorporaram os direitos à vida, à liberdade e à busca da felicidade”. Reconheci de imediato que era exatamente essa a história que haviam me contado: o mantra do triunfo político, cultural e moral do Ocidente. Mas era um relato falho; havia maneiras alternativas de olhar para a história, que não envolviam tratar o passado sob o enfoque dos vencedores da história recente.

Fui fisgado. De repente ficou óbvio que as regiões que não nos eram ensinadas haviam se perdido, sufocadas pela insistente história da ascensão da Europa. Pedi que meu pai me levasse para ver o Mapa-Múndi Hereford, que colocava Jerusalém como seu foco e ponto médio, com a Inglaterra e demais países ocidentais deslocados para o lado, absolutamente irrelevantes. Quando li sobre geógrafos árabes, cujas obras eram acompanhadas por mapas que pareciam de cabeça para baixo e que colocavam o mar Cáspio no centro, fiquei atônito – como também fiquei ao descobrir um importante mapa medieval turco em Istambul, que tinha no centro uma cidade chamada Balāsāghūn, da qual eu nem sequer ouvira falar, que não aparecia em nenhum mapa, cuja localização era incerta até recentemente e que, no entanto, já havia sido considerada o centro do mundo.

Queria saber mais sobre a Rússia e a Ásia Central, sobre a Pérsia e a Mesopotâmia. Queria entender as origens do cristianismo quando visto a partir da Ásia; e também como os cruzados viam as pessoas que viviam nas grandes cidades da Idade Média – Constantinopla, Jerusalém, Bagdá e Cairo, por exemplo; queria aprender sobre os grandes impérios do Leste, sobre os mongóis e suas conquistas; e compreender de que modo as duas guerras mundiais eram entendidas quando olhadas não a partir de Flandres ou do front oriental, mas do Afeganistão e da Índia. Assim, foi muito auspicioso ter a oportunidade de aprender russo na escola, onde fui ensinado por Dick Haddon, um homem brilhante, que trabalhou nos serviços de inteligência da Marinha e acreditava que a maneira de compreender a língua russa e a dusha, ou alma do país, era por meio de sua cintilante literatura e música folclórica. Me senti mais afortunado ainda quando ele se ofereceu para dar aulas de árabe a quem tivesse interesse, apresentando a uma meia dúzia de alunos a cultura e a história islâmica, e mergulhando-nos na beleza do árabe clássico. Essas línguas ajudaram a desvendar um mundo que estava à espera de ser descoberto, ou, como logo compreendi, ser redescoberto por alguns de nós no Ocidente.

Hoje, dá-se muita atenção a avaliar o provável impacto do rápido crescimento econômico da China, onde se prevê que a demanda por bens de luxo irá quadruplicar na próxima década, ou acompanhar a mudança social na Índia, onde as pessoas que têm acesso a celular superam em número as que dispõem de privada com descarga. Mas nenhum desses dois países oferece um ponto de vista privilegiado para enxergar o passado do mundo e seu presente. Na realidade, durante milênios, a região entre o Oriente e o Ocidente, ligando a Europa ao oceano Pacífico, foi a que constituiu o eixo em torno do qual girava o globo.

O ponto médio entre Leste e Oeste, que em linhas gerais estende-se das praias orientais do Mediterrâneo e do mar Negro até o Himalaia, pode parecer uma posição pouco promissora para se avaliar o mundo a partir dela. A região hoje abriga Estados que evocam o exótico e o periférico, como o Cazaquistão e o Uzbequistão, o Quirguistão e o Turcomenistão, o Tadjiquistão e os países do Cáucaso; é uma região associada a regimes instáveis, violentos e que representam uma ameaça à segurança internacional, como Afeganistão, Irã, Iraque e Síria, ou malversados nas melhores práticas da democracia, como Rússia e Azerbaidjão. No conjunto, parece ser uma região de estados falidos ou em vias de falir, conduzidos por ditadores que conseguem maiorias inconcebivelmente altas em eleições nacionais e cujas famílias e amigos controlam vastos interesses comerciais, são donos de imensos ativos e exercem grande poder político. São lugares com índices baixos em direitos humanos, onde a liberdade de expressão em questões de fé, consciência e sexualidade é limitada, e onde a mídia é controlada.

Embora tais países possam parecer desertos para nós, não são áreas desconectadas, ou locais obscuros, devastados. Na realidade, a ponte entre Oriente e Ocidente constitui a própria encruzilhada da civilização. Longe de estarem à margem dos assuntos globais, esses países estão bem no seu centro – como têm estado desde o início da história. Foi aqui que a civilização nasceu, e onde muitos acreditam que a humanidade foi criada – no Jardim do Éden, “plantado pelo Senhor Deus” com “toda sorte de árvores agradáveis à vista e boas para alimento”, que acreditava-se estar localizado nos ricos campos entre o Tigre e o Eufrates.

Foi nessa ponte entre Oriente e Ocidente que grandes metrópoles se estabeleceram há cerca de 5.000 anos, onde as cidades de Harapa e Mohenjo-daro no vale do Indo eram maravilhas do mundo antigo, com populações que chegavam a dezenas de milhares e ruas ligadas a um sofisticado sistema de esgotos que não teria rival na Europa por milhares de anos. Outros grandes centros da civilização, como Babilônia, Nínive, Uruk e Acad na Mesopotâmia, eram famosos por sua grandiosidade e inovação arquitetônica. Um geógrafo chinês, escrevendo há mais de dois milênios, observou que os habitantes da Báctria, centrada no rio Oxus e hoje localizada no norte do Afeganistão, eram legendários negociadores e comerciantes; sua capital abrigava um mercado onde uma imensa gama de produtos era comprada e vendida, proveniente de vários locais distantes.

Essa região é onde as grandes religiões do mundo ganharam vida, onde judaísmo, cristianismo, islamismo, budismo e hinduísmo abriram caminho aos empurrões. É o caldeirão onde grupos linguísticos competiam, onde línguas indo-europeias, semíticas e sino-tibetanas insinuavam-se entre aqueles que falavam altaico, túrquico e caucasiano. É onde grandes impérios surgiram e entraram em colapso, onde os efeitos dos choques entre culturas e rivais eram sentidos a milhares de quilômetros de distância. A partir dessa posição, abriram-se novas maneiras de enxergar o passado e descortinou-se um mundo profundamente interconectado, onde o que ocorria num continente tinha impacto em outro, onde as repercussões do que acontecia nas estepes da Ásia Central podiam ser sentidas no Norte da África, onde eventos em Bagdá ressoavam na Escandinávia, onde descobertas nas Américas alteravam os preços de produtos na China e criavam um surto na demanda dos mercados de cavalos no norte da Índia.

Esses abalos eram transmitidos ao longo de uma rede que se abre em todas as direções, em rotas por onde peregrinos e guerreiros, nômades e mercadores viajaram, bens e produtos foram comprados e vendidos, e ideias foram intercambiadas, adaptadas e refinadas. Tais rotas levaram não só prosperidade, mas também morte e violência, doenças e desastres. No final do século 19, essa ampla rede de conexões recebeu um nome, dado por um eminente geólogo alemão, Ferdinand von Richthofen (tio do exímio piloto da Primeira Guerra Mundial, o “Barão Vermelho”), que desde então se firmou: “Seidenstraßen” – Rotas da Seda.

Essas trilhas são como o sistema nervoso central do mundo, ligando povos e lugares, mas ficam sob a pele, invisíveis a olho nu. Assim como a anatomia explica de que forma o corpo funciona, compreender essas conexões nos permite entender como o mundo opera. No entanto, apesar da importância dessa parte do mundo, ela tem sido esquecida pela corrente principal da história. Em parte, isso se deve ao que tem sido chamado de “orientalismo” – a visão estridente, predominantemente negativa do Oriente, como subdesenvolvido e inferior ao Ocidente e, portanto, não merecedor de um estudo sério. Mas também decorre do fato de que a narrativa do passado tornou-se tão dominante e bem estabelecida que não há lugar para uma região que há muito tempo é vista como periférica em relação à história da ascensão da Europa e da sociedade ocidental.

Hoje, Jalalabad e Herat no Afeganistão, Faluja e Mosul no Iraque ou Homs e Alepo na Síria parecem sinônimos de fundamentalismo religioso e violência sectária. O presente varreu o passado: vão longe os dias em que o nome Cabul despertava imagens de jardins plantados e cuidados pelo grande Bābur, fundador do Império mogol na Índia. O Bagh-i-Wafa (“Jardim da Fidelidade”) incluía um tanque rodeado de laranjeiras e romãzeiras e uma campina de trevos – dos quais Bābur era extremamente orgulhoso: “Esta é a melhor parte do jardim, uma visão belíssima quando as laranjas ganham cor. Sem dúvida, este jardim tem uma localização admirável!”.

Do mesmo modo, as impressões modernas a respeito do Irã têm obscurecido as glórias de sua história mais distante, quando seus predecessores persas eram sinônimo de bom gosto em tudo, desde as frutas servidas no jantar aos impressionantes retratos em miniatura produzidos por seus legendários artistas, ou ao papel sobre o qual os eruditos escreviam. Uma obra de belíssima confecção, escrita por Simi Nīshāpūrī, um bibliotecário de Mashad no leste do Irã por volta de 1400, registra em meticulosos detalhes o conselho de um amante dos livros que compartilhava sua paixão. Qualquer um que pense em escrever, recomendava ele de modo solene, deve ser informado de que o melhor papel para caligrafia é produzido em Damasco, Bagdá ou Samarcanda. Papel de outros lugares “em geral é tosco, mancha e é impermanente”. Tenha em mente, adverte ele, que vale a pena dar ao papel um leve matiz antes de aplicar-lhe a tinta, “porque o branco ofusca os olhos e os melhores exemplos caligráficos que temos observado são feitos todos sobre papel matizado”.

Lugares cujos nomes estão quase esquecidos eram antes proeminentes, como Merv, descrita por um geógrafo do século 10 como uma “cidade encantadora, refinada, elegante, brilhante, ampla e agradável” e como “a mãe do mundo”; ou Rayy, não distante da moderna Teerã, que para outro escritor mais ou menos da mesma época era tão gloriosa que merecia ser considerada “a noiva da Terra” e “a mais bela criação do mundo”. Pontuando a espinha da Ásia, essas cidades eram ligadas como pérolas, conectando o Pacífico ao Mediterrâneo.

Centros urbanos incentivavam-se mutuamente, com as rivalidades entre governantes e elites dando lugar a arquiteturas cada vez mais ambiciosas e a monumentos espetaculares. Bibliotecas, locais de culto, igrejas e observatórios de escala imensa, assim como influências culturais diversas pontuavam a região, ligando Constantinopla a Damasco, Isfahan, Samarcanda, Cabul e Kashgar. Cidades como essas tornaram-se sede de eruditos brilhantes, que fizeram avançar as fronteiras de suas disciplinas. Conhecemos hoje apenas um punhado deles – homens como Ibn Sīnā, mais conhecido como Avicena, al-Bīrūnī e al-Khwārizmi – gigantes nas áreas de astronomia e medicina; mas havia muitos outros. Durante séculos antes dos primórdios da era moderna, os centros intelectuais de excelência do mundo, as Oxford e Cambridge, as Harvard e Yale, não ficavam na Europa ou no Ocidente, mas em Bagdá e Balkh [Bactro], Bucara e Samarcanda.

Havia boas razões para que as culturas, cidades e povos que viviam ao longo das Rotas da Seda se desenvolvessem e avançassem: à medida que comerciavam e trocavam ideias, aprendiam e emprestavam umas das outras, estimulando mais avanços em filosofia, ciência, idiomas e na religião. O progresso era essencial, como sabia muito bem há mais de 2.000 anos um dos governantes do reino de Zhao, no nordeste da China. “Talento para seguir os caminhos de ontem”, declarou o rei Wu-ling em 307 a.C., “não é suficiente para melhorar o mundo de hoje.” Líderes do passado entendiam o quanto era importante ficar em dia com a própria época.

Mas o manto do progresso deslocou-se no início do período moderno como resultado de duas grandes expedições marítimas no final do século 15. No decorrer de seis anos, na década de 1490, foram lançadas as bases de uma grande ruptura no ritmo de sistemas de intercâmbio consagrados. Primeiro, Cristóvão Colombo cruzou o Atlântico, abrindo caminho para duas enormes massas de terra até então intocadas e ligando-as à Europa e a locais além dela; depois, poucos anos mais tarde, Vasco da Gama conseguiu contornar a ponta sul da África, continuando dali até a Índia, abrindo com isso novas rotas marítimas. As descobertas alteraram padrões de interação e comércio e efetuaram uma notável mudança no centro de gravidade político e econômico do mundo. Repentinamente, a Europa Ocidental foi transformada e deixou sua posição de região periférica para se tornar o fulcro de uma onda de comunicação, transporte e de um sistema de comércio abrangentes: num único golpe, tornou-se o novo ponto médio entre Oriente e Ocidente.

A ascensão da Europa disparou uma feroz batalha por poder – e pelo controle do passado. À medida que os rivais se posicionavam um em relação ao outro, a história foi sendo remodelada para enfatizar eventos, temas e ideias que pudessem ser usados nos confrontos ideológicos travados com furor, ao lado da luta para obter recursos e controlar as rotas marítimas. Foram erguidos bustos de políticos e generais destacados vestindo togas, para fazê-los parecer heróis romanos do passado; novos edifícios magníficos construídos em grandioso estilo clássico apropriaram-se das glórias do mundo antigo como se fossem seus antecedentes diretos. A história foi distorcida e manipulada para criar uma insistente narrativa, na qual a ascensão do Ocidente era não só natural e inevitável, mas uma continuação do que havia ocorrido antes.

Muitas histórias me fizeram olhar para o passado sob uma ótica diferente. Mas uma delas se destaca. Segundo a mitologia grega, Zeus, o pai dos deuses, soltou duas águias, uma em cada canto da Terra, e ordenou que voassem para se encontrar. Uma pedra sagrada, o ônfalo [omphalos] – o umbigo do mundo –, foi colocada no ponto em que se encontraram, para permitir a comunicação com o divino. Aprendi mais tarde que o conceito dessa pedra tem sido há muito tempo uma fonte de fascínio para filósofos e psicanalistas.

Lembro que fiquei olhando para o meu mapa da primeira vez que ouvi essa história, tentando imaginar onde as águias teriam se encontrado. Imaginei que uma teria partido das praias do Atlântico ocidental e a outra da costa do Pacífico na China, indo para o interior. O local preciso mudava, dependendo de onde eu colocasse meus dedos para começar a medir distâncias iguais de leste a oeste. Mas sempre terminava em algum ponto entre o mar Negro e as montanhas do Himalaia. Eu ficava acordado à noite ponderando a respeito do mapa na parede do meu quarto, das águias de Zeus e da história de uma região que nunca era mencionada nos livros que eu lia – e que não tinha nome.

Não faz muito tempo, os europeus dividiram a Ásia em três grandes zonas – o Oriente Próximo, o Oriente Médio e o Extremo Oriente. Mas sempre que eu ouvia falar ou lia sobre problemas contemporâneos enquanto crescia, parecia que a segunda dessas zonas, o Oriente Médio, havia mudado de sentido e até de lugar, sendo usado para se referir a Israel, Palestina e à área em volta, e ocasionalmente ao Golfo Pérsico. E eu não conseguia entender por que continuavam me falando da importância do Mediterrâneo como berço da civilização, quando parecia tão óbvio que não era ali que a civilização havia de fato sido forjada. O verdadeiro cadinho, o “Mediterrâneo” no sentido literal – o centro do mundo –, não era um mar separando a Europa do Norte da África, mas ficava bem no centro da Ásia.

Minha esperança é que eu possa encorajar outras pessoas a estudar os povos e lugares que têm sido ignorados durante gerações, ao colocar novas questões e abrir novas áreas de pesquisa. Espero estimular que novas questões sejam levantadas a respeito do passado e que os truísmos sejam desafiados e investigados detidamente. Acima de tudo, espero inspirar aqueles que lerem este livro a olhar a história de uma nova maneira.

 

Worcester College, OxfordAbril de 2015

 

Peter Frankopan é professor da Universidade de Oxford e autor best-seller no mundo todo. Ele é especialista em história do Mediterrâneo, Rússia, Oriente Médio, Pérsia/Irã, Ásia Central, além de literatura grega medieval. Peter escreve frequentemente em veículos como The New York Times, Financial Times e The Guardian, refletindo sobre temas atuais à luz do passado.

 

O coração do mundo

Peter Frankopan Editora Planeta688 páginasLançamento no final de novembro

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