‘Corpos em aliança e a política das ruas’: o impacto de ações coletivas


O ‘Nexo’ publica trecho da nova edição brasileira do livro da escritora americana Judith Butler. Na obra, a autora examina protestos recentes, como a Primavera Árabe e o movimento Occupy Wall Street, e analisa a influência de assembleias populares sobre transformações políticas.

Desde o surgimento de um número massivo de pessoas na Praça Tahrir [Cairo, Egito], durante o inverno de 2010, estudiosos e ativistas renovaram o interesse sobre a forma e os efeitos das assembleias públicas. A questão é, ao mesmo tempo, extemporânea e oportuna. A reunião repentina de grandes grupos pode ser uma fonte tanto de esperança quanto de medo e, assim como sempre existem boas razões para temer os perigos da ação da multidão, há bons motivos para distinguir o potencial político em assembleias imprevisíveis. De certa forma, as teorias democráticas sempre temeram “a multidão”, mesmo quando afirmam a importância das expressões da vontade popular, inclusive em sua forma de desobediência. A literatura é vasta e remete a autores tão diferentes quanto Edmund Burke e Alexis de Tocqueville, que se perguntaram de forma bastante explícita se as estruturas do Estado democrático poderiam sobreviver às expressões desenfreadas de soberania popular ou se o governo popular degeneraria em uma tirania da maioria. Este livro não pretende rever ou mesmo deliberar sobre esses debates importantes na teoria democrática, mas apenas sugerir que os debates sobre as manifestações populares tendem a ser governados pelo medo do caos ou pela esperança radical no futuro, embora algumas vezes medo e esperança se interliguem de modos complexos.

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