‘Do Amor’: um encontro entre autoficção, poesia e ensaio


O ‘Nexo’ publica trecho inédito do novo livro da escritora paulistana Ana Rusche. O texto a seguir é do capítulo “O amor nos tempos da câmara”, em que a autora reflete sobre relacionamentos contemporâneos combinando autoficção, poesia e ensaio.

Ando pelas calçadas por desperdício. Vesti pérolas falsas e rendas, contudo sou gasta entre ascensoristas, professores universitários e jornaleiros. O dia cinza faz-me pensar no amor. E o que será o amor nos tempos da câmera? Entro no banco para pagar contas que não foram aceitas no débito automático, despeço-me de todos meus metais em uma caixinha, sou inteira plástico e bijuterias. O olho repara nos cabelos arrepiados, ainda impregnados de sonhos e do lençol quente, larguei-os cedo demais como mães a deixarem os filhos com a televisão. A máquina segue-me. Entretanto, nem a câmera repara ao certo no desperdício de minha beleza bem maquiada para uma manhã de quarta-feira. Vira-se para o outro lado e meneia a cabeça com automatismo. Não há saldo suficiente para as contas, não tem problema, obrigada.

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