Anseios feministas do século 18 não perderam a validade


Confira abaixo o prefácio inédito escrito pela socióloga Maria Lygia Quartim de Moraes para o texto clássico da escritora inglesa Mary Wollstonecraft. Publicado originalmente em 1792, a obra foi fundamental para a inauguração do feminismo como movimento social

No Brasil do século XVIII, o Iluminismo era uma ideia fora do lugar, vale dizer, incompatível com o sistema colonial e escravagista que dominou o país até o século XIX. Dionísia Pinto Lisboa (1810-1885), conhecida como Nísia Floresta e apontada como uma das primeiras feministas brasileiras, também tem, assim como Mary e Olympe, o mérito de ter infringido as normas e convenções de sua época. Mas tinha o privilégio de ser uma filha das classes dominantes nordestinas a quem o pai, um português esclarecido para a época, casado com uma viúva de família poderosa no Rio Grande do Norte, presenteara com uma educação esmerada, possibilitando viagens constantes à França e a convivência com círculos positivistas. Auguste Comte, como se sabe, foi um ardoroso defensor dos direitos da mulher. Dionísia, aos treze anos, casa com Manuel Alexandre Seabra de Melo, dono de grandes extensões de terra, vizinhas ao Sítio Floresta, onde ela morava, mas o casamento não dura muito e logo ela volta a viver com a família. Inconformado com a separação, Manuel persegue a ex-mulher durante alguns anos, ameaçando processá-la por abandono do lar e, mais tarde, por adultério. Mas a grande tragédia que Nísia enfrentou, aos dezoito anos, foi o assassinato do pai a quem ela admirava muito, um homem generoso e defensor dos mais fracos, que foi morto da mesma maneira como hoje são assassinados os que se opõem aos grandes proprietários rurais: por obra de um pistoleiro contratado por uma família poderosa.

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