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A cantora, compositora e poeta carioca Ana Frango Elétrico indica cinco livros para abrir a cabeça para a poesia

Compor e escrever, para mim, são dois processos quase simbióticos. Eu só consigo compor quando estou escrevendo, rabiscando, fazendo anotações de frases próprias e alheias, listas, fragmentos... A busca é sempre na direção do corpo, da sensação, do cheiro, da cor, do sabor, da temperatura — a palavra como possibilidade e seu poder de sugestão.

Dos cinco livros que selecionei, só dois são considerados livros de poesia, propriamente. Os outros três são considerados, segundo a Wikipedia, um livro infantil, um livro de artista e um livro de contos. Essa foi a forma que encontrei para falar da poesia que move a mim e meu trabalho, que transcende gêneros, nichos ou classificação etária e transborda os limites do poema, ainda que seu lugar esteja guardado.

A vida não me assusta

Maya Angelou (Trad. Anabela Paiva, DarkSide, 2018)

A trajetória de Angelou é fantástica, e este livro-poema infantil, ilustrado pelo magnífico Jean-Michel Basquiat, é um aprendizado sobre as possibilidades da poesia e sobre como apresentar essa expressão artística às crianças. É uma obra incrível para mim, que direciono muito da minha pesquisa ao nosso inconsciente, à nossa criança. É lindo o poder do som, da palavra e da imagem, de erguer a cabeça das crianças em face de seus medos.

Grapefruit

Yoko Ono (Simon & Schuster, 2000)

“Grapefruit” abre nossos olhos para toda uma pesquisa poética da Yoko Ono, que tem a ver com proposições. É basicamente um livro de instruções, um exercício poético até bastante didático, em sintonia com as infinitas possibilidades da palavra na construção de um imaginário sensitivo.

Histórias de cronópios e de famas

Julio Cortázar (Trad. Gloria Rodríguez, BestSeller, 2013)

Cortázar entra nesse mesmo parâmetro da Yoko, no sentido das instruções, das possibilidades... São livros que, pelo tipo de proposição, me aproximam do raciocínio poético: a ação de revelar outros mundos neste.

Haverá festa com o que restar

Francisco Mallmann (Urutau, 2018)

Repleto de questões decoloniais e LGBTQI+, o livro de estreia do curitibano Francisco Mallmann foi superbem recebido pela crítica e pelo público e aproximou muita gente que não estava habituada a consumir poesia brasileira contemporânea. Sua escrita é pop e sensível, sem abrir mão de uma inteligência fina e rigorosa. Muito bom flagrar um poeta em plena atividade.

Cenas de abril

Ana Cristina César (Companhia Brasileira de Artes Gráficas, 1979)

O primeiro livro da Ana Cristina César é simples, composto de anotações cotidianas, frases — o que é essencial para se aproximar da poesia no seu estado bruto.

Ana Frango Elétrico é uma compositora, poeta e artista visual carioca. Em 2019, lançou seu segundo álbum de estúdio, “Little Electric Chicken Heart” (selo Risco), pelo qual foi eleita Revelação do Ano na categoria Música Popular pela Associação Paulista de Críticos de Arte. No mesmo ano, teve poemas publicados no livro “Explosão feminista” (Companhia das Letras), organizado por Heloisa Buarque de Hollanda. Seu primeiro livro de poemas, “Escoliose: Paralelismo miúdo”, tem lançamento previsto para 5 de setembro de 2020, pela Garupa Editorial.

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