Foto: Divulgação

O escritor e historiador Luiz Antonio Simas indica cinco obras sobre o Carnaval que mostram por que essa festa é chave essencial para entender o Brasil

Por aqui o Carnaval é gira de caboclo. Os entrudos, corsos, batalhas de confetes e flores, a festa da Penha, as rodas de capoeira, os bailes, blocos, rodas de pernada, ranchos, cordões, grandes sociedades, bailes de mascarados e escolas de samba foram os espaços de invenção da vida no precário e viração da morte em alegria e arte.

A festa é espaço de subversão de cidadanias negadas. Inventou-se na rua a aldeia roubada nos gabinetes. Disciplinar a rua, ordenar o bloco, domesticar os corpos, sequestrar a alegria e enquadrar a festa, por sua vez, foi a estratégia dos senhores do poder na maior parte do tempo. O Carnaval é seminal para que se entenda o Brasil.

Ecos da folia

Maria Clementina Pereira Cunha (Companhia das Letras, 2001)

Talvez o melhor livro sobre a formação do Carnaval. Maria Clementina Pereira Cunha passeia pelo entrudo, cordões de mascarados, Zé Pereiras, Grandes Sociedades Carnavalescas, ranchos etc. E mostra que, longe de ser uma festa alienada, o Carnaval é o mais politizado dos fuzuês brasileiros. Quer começar a estudar a sua história? Aqui está o ponto de partida.

No fio da navalha

Giovanna Dealtry (Casa da Palavra, 2009)

Giovanna Dealtry escreveu obra de referência para entender a cultura da malandragem. Ao não falar explicitamente sobre o Carnaval, acaba falando — já que não há como entender, por exemplo, a formação das escolas de samba sem entender certa ontologia do malandro. Na encruzilhada em que samba e literatura se encontram, Giovanna escreveu um livro incontornável para quem pretende entender os fuzuês das ruas.

A subversão pelo riso

Rachel Soihet (Edufu, 2008)

Obra prima! Os estudos da professora Rachel Soihet mergulham no Carnaval, discutem as festas de inversão e mostram como o riso subverte o projeto de horror e exclusão que a República tentou estabelecer no Brasil. O capítulo sobre a Festa da Penha, uma espécie de furdunço que antecedia o Carnaval, foi para mim um texto de formação. Nunca mais encarei a cidade da mesma maneira depois de lê-lo.

O Brasil do samba-enredo

Monique Augras (FGV Editora, 1998)

Obra de referência sobre o gênero épico mais impressionante da música brasileira. Monique Augras dá um baile. Sua visão arguta revela as escolas de samba como agremiações que operam na lógica da negociação constante com os poderes instituídos e o samba-enredo como gênero que se adequa ao canto coral e aos desejos de legitimidade das comunidades do samba. Referência!

Serra, Serrinha, Serrano

Rachel Valença e Suetônio Valença (Editora Record, 2017)

Em parceria com Suetônio Valença, a professora Rachel Valença escreveu o melhor livro sobre uma escola de samba que conheço. Entendendo o Império Serrano inserido em Serrinha, comunidade que lhe originou, pensando as sociabilidades, identidades e redes de proteção social que o samba e o Carnaval proporcionam, “Serra, Serrinha, Serrano” é um estudo seminal.

Luiz Antonio Simas é escritor e historiador. Com 18 livros publicados, vários deles sobre Carnaval e escolas de samba, ganhou, em parceria com Nei Lopes, o Prêmio Jabuti de Livro de Não Ficção do ano de 2016, pelo “Dicionário da história social do samba”.

Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project.

Já é assinante?

Entre aqui

Continue sua leitura

Para acessar este conteúdo, inscreva-se abaixo no Boletim Coronavírus, uma newsletter diária do Nexo: