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O cofundador e editor-chefe da agência de jornalismo Alma Preta indica cinco livros para entender o debate sobre racismo no Brasil

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A dimensão do racismo no Brasil é profunda, e não são cinco livros que vão esgotar o tema. Entender os principais pontos históricos e os mecanismos do seu funcionamento pode servir para melhor compreender o cotidiano do país e as desigualdades aqui existentes.

Mais do que isso, a leitura pode contribuir para que os interessados conheçam outras obras, participem e se engajem em espaços de discussão política e teórica.

Dialética radical do Brasil negro

Clóvis Moura (Anita Garibaldi, 2020)

Obra clássica de um dos principais sociólogos do país, o livro distingue e descreve dois momentos do escravismo brasileiro: o “pleno” e o “tardio.

A partir do conceito da “modernização conservadora”, Clóvis Moura explica como o Brasil optou por fazer a transição do escravismo para um incipiente projeto de industrialização da nação sob as bases de uma estrutura escravagista. A obra colabora para entender os mecanismos utilizados pelo Estado brasileiro para manutenção de mulheres e homens negros na base da pirâmide social do país no pós-escravidão, processo que se perpetua até os dias de hoje.

Primavera para as rosas negras

Lélia Gonzalez (União dos Coletivos Pan-Africanistas, 2018)

Lélia Gonzalez é uma das mais profundas pensadoras brasileiras, com a habilidade de traduzir tudo a partir de uma escrita leve. Na obra, organizada de maneira independente por coletivos pan-africanistas do movimento negro, há uma coleção dos principais ensaios e artigos da intelectual.

Ao longo do texto, é possível melhor compreender conceitos chaves de Lélia Gonzalez, como a dimensão da “Améfrica Ladina”, como ela descreve o continente marcado por referenciais indígenas e africanos. Lélia também explica a dinâmica das opressões de raça e gênero sobre o cotidiano de mulheres negras em diferentes perspectivas e ângulos.

O genocídio do negro brasileiro

Abdias do Nascimento (Perspectiva, 2016)

Abdias do Nascimento, fundador do Teatro Experimental do Negro, é um dos ativistas nacionais mais respeitados do século 20. Exilado durante a ditadura militar, ele foi o responsável por formular de maneira categórica a noção de “genocídio negro”, posição bastante utilizada pelo movimento do qual fez parte durante a vida.

O conceito de “genocídio negro” de Abdias do Nascimento, contudo, é diferente daquele impregnado nos dias de hoje, mais próximo do campo da segurança pública e da violência urbana. O intelectual aborda aspectos como a mestiçagem, o embranquecimento físico e cultural, e o apagamento de referenciais como formas de exterminar física e simbolicamente mulheres e homens negros.

Corpo negro caído no chão

Ana Flausina (Brado, 2019)

O conceito de “genocídio” mais difundido nos dias pode ser bem compreendido a partir da leitura da obra de Ana Flávia Flausina, importante pensadora contemporânea.

Flausina foca no genocídio negro a partir da dimensão da violência, seja por meio das altas taxas de homicídio entre pessoas negras, seja por meio dos elevados índices de aprisionamento entre pretos e pardos. Além de trazer os aspectos defendidos por Abdias do Nascimento, a socióloga apresenta uma dimensão mais completa e atual do conceito.

Racismo estrutural

Silvio Almeida (Pólen, 2019)

Recente, o livro de Silvio Almeida é peça importante para quem quer compreender a complexidade do racismo na sociedade brasileira. Para além da segurança pública, ele é uma ideologia e um mecanismo que atua na perpetuação das desigualdades do país em todas as esferas.

Silvio Almeida apresenta uma série de argumentos e conceitos com a generosidade digna do professor que é para explicar para todos os leitores a profundidade do racismo no Brasil.

Pedro Borges é cofundador e editor chefe do Alma Preta. Jornalista formado pela Unesp (Universidade Estadual Paulista), compõe a Rede de Jornalistas das Periferias, a Coalizão Negra por Direitos e a diretoria de comunicação da escola de samba Camisa Verde e Branco. Colunista da Mídia Ninja e colaborador do Yahoo Notícias e Uol.

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