A senadora Mara Gabrilli estreia em 21 de março como nova colunista do ‘Nexo’, no espaço de opinião ‘Tribuna’. Ela indica cinco livros para conhecer a obra do neurologista Oliver Sacks

Oliver Sacks era um neurologista brilhante, que dedicou a vida a estudar transtornos da mente humana. Mas, muito além de médico, era um entusiasta da diversidade humana, relatada por ele em obras deliciosas. Sua prosa é leve e a leitura de seus livros é um exercício de empatia e que nos coloca fora do lugar comum. Em tempos de intolerância e crenças unilaterais, Sacks é um convite a desconstruir nossas próprias ideias sobre o que acreditamos ser o “normal”.

Sempre em movimento, uma vida

Oliver Sacks (Trad. Denise Bottmann, Companhia das Letras, 2015)

Logo de cara, já me identifico com o livro só pelo título. Afinal, sou uma tetra em busca de constante movimento. Nessa obra, Sacks mostra como a mesma energia que motiva suas paixões “físicas”, como levantamento de peso e natação, alimenta suas paixões cerebrais. “Sempre em movimento” motiva o leitor a se mexer em vários sentidos e aspectos. É inspirador!

O homem que confundiu sua mulher com um chapéu

Oliver Sacks (Trad. Laura Teixeira Motta, Companhia das Letras, 1997)

Aqui, Sacks relata casos verídicos de pessoas que vivem os mais variados transtornos neurológicos, como uma mulher que perde o controle sobre o próprio corpo e um autista e sua luta pela inclusão. Apesar de trazer informações da medicina, a narrativa de Sacks é leve e de fácil compreensão a todos, médicos ou não. Além disso, em todos os casos, há, sobretudo, um olhar carinhoso e humano para as diferenças.

O olhar da mente

Oliver Sacks (Trad. Laura Teixeira Motta, Companhia das Letras, 2010)

Sacks dizia que aprendeu a olhar para o sofrimento em termos humanos mais amplos ao olhar para dilemas e situações, não apenas para doenças. Em “O olhar da mente”, sua narrativa é concentrada em quase todos os casos de pessoas com problemas de visão. O curioso é que o próprio Sacks teve câncer em um dos olhos, o que o fez sair da condição de médico para enfrentar as angústias e inseguranças de um paciente. Um mergulho na empatia de um neurologista que, acima de tudo, é um grande contador de casos.

Um antropólogo em Marte

Oliver Sacks (Trad. Bernardo Carvalho, Companhia das Letras, 1995)

Nesta obra, Sacks nos convida a olhar para determinadas situações sob a perspectiva de um antropólogo. Ou seja, sempre de fora. O livro conta casos clínicos extraordinários, como o de um pintor que sofreu um acidente e passou a enxergar o mundo em preto e branco. É um convite para desconstruirmos nossas próprias visões de mundo para entender o outro.

Gratidão

Oliver Sacks (Trad. Laura Teixeira Motta, Companhia das Letras, 2015)

“Não consigo fingir que não estou com medo. Mas meu sentimento predominante é a gratidão. Amei e fui amado, recebi muito e dei algo em troca, li, viajei, pensei, escrevi. Tive meu intercurso com o mundo, o intercurso especial dos escritores e leitores.” Durante os últimos meses de sua vida, Sacks escreveu uma série de ensaios onde explorou seu percurso pessoal para concluir a vida e enfrentar a própria morte. Neste livro, ele traz quatro comoventes textos publicados no New York Times entre julho de 2013 e agosto de 2015, pouco antes de ele morrer.

Mara Gabrilli foi eleita senadora pelo PSDB de São Paulo em 2018. Neste mesmo ano, também foi eleita para representar o Brasil no Comitê sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência da ONU (Organização das Nações Unidas). É publicitária, psicóloga e fundadora do Instituto Mara Gabrilli. Já foi secretária municipal da capital paulista, vereadora da cidade de São Paulo e deputada federal por dois mandatos.

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