Foto: Bruna Bernardo/Divulgação

A poeta e tradutora Stephanie Borges indica cinco livros de ficção especulativa recentemente publicados no Brasil. Num momento de anormalidade mundial, a seleção conjuga obras com tramas distópicas, sobrenaturais ou povoadas por alienígenas

A curva do sonho

Ursula K. Le Guin (Trad. Heci Regina Candiani, Morro Branco, 2019)

Num futuro impactado por uma grave crise ambiental, George Orr desconfia de que seus sonhos sejam capazes de alterar a realidade. Após uma tentativa de suicídio, ele é encaminhado para um tratamento obrigatório com Dr. William Haber, um psiquiatra que decide investigar a hipótese de que seus sonhos afetem sua percepção do real. Harber decide usar a hipnose para induzir os sonhos de Orr e mudar as condições do planeta. No entanto, a vaidade e as ambições do médico criam um verdadeiro pesadelo. Orr precisa controlar suas habilidades e enfrentar suas inseguranças para intervir em favor de uma realidade que favoreça a vida, as diferenças e a possibilidade de as pessoas serem felizes.

A parábola do semeador

Octavia E. Butler (Trad. Carolina Caires Coelho, Morro Branco, 2018)

Lauren Olamina vive em um condomínio com seu pai, sua madrasta e seus dois irmãos. Fora de sua comunidade, os Estados Unidos se tornaram um país dominado pela pobreza e por uma filosofia altamente individualista e violenta, com a população armada, multidões migrando em busca de péssimas condições de trabalho e grupos de viciados atacando casas e comunidades para satisfazer necessidades imediatas. Quando o condomínio é atacado, Lauren é obrigada a fugir, acompanhada por um vizinho. Na estrada, ela encontra outras pessoas que desejam criar outra forma de viver, mas que terão que sobreviver a diversos riscos antes de adotarem um modo de vida, fortemente influenciado pela fé na mudança.

Quem teme a morte?

Nnedi Okorafor (Trad. Mariana Mesquita, Geração Editorial, 2014)

Onyesonwu não é uma adolescente comum. Além de seus traços revelarem suas origens, fruto de uma história violenta relacionada a uma guerra sangrenta que dividiu o país onde vive, ela tem poderes mágicos. Suas habilidades a tornam uma das poucas pessoas capazes de enfrentar um feiticeiro poderoso que estabeleceu um sistema de dominação que condena milhares de pessoas à discriminação e à pobreza. Ao aprender a lidar com seus poderes e descobrir o amor, Onye descobre que sua raiva e seus traumas são inimigos internos que precisa derrotar antes de tentar salvar sua terra.

Despertar

Octavia E. Butler (Trad. Heci Regina Candiani, Morro Branco, 2018)

Lilith Iyapo um dia acorda numa sala branca sem saber como foi parar ali. Isso se repete inúmeras vezes, até o dia em que uma voz lhe explica que a Terra foi devastada pela guerra e que apenas algumas centenas de seres humanos sobreviveram, salvos por alienígenas. Após séculos de hibernação humana, os Oankali estão prontos para devolver o planeta, mas as condições envolvem desistir do uso de armas, abandonar a escrita e trocar de material genético com os aliens. Algumas dessas exigências fazem com que Lilith e os demais sobreviventes questionem quais concessões são válidas para repovoarem a Terra, se é possível cooperar e resistir, e o mais importante: o que significa “ser humano”.

A quinta estação

N.K. Jemisin (Trad. Aline Storto Pereira, Morro Branco, 2017)

Quietude é um planeta com uma estrutura geológica instável, dominado por um império estruturado a partir de um sistema social de castas que explora diferentes espécies. Embora sejam mais frágeis, os humanos dominaram os orogenes, que têm o poder de interferir no planeta, fechando falhas geológicas e acalmando terremotos e vulcões. O controle é mantido pelos guardiões, que neutralizam os poderes dos orogenes, obrigando-os que a trabalharem para regime que governa Quietude. Farto de seguir a um governo cruel, um homem tenta destruir o império, ainda que isso resulte no fim do mundo. Uma mulher, Essun, busca vingança após perder seu filho e ter sua filha sequestrada. Em meio a disputas políticas, histórias de amor e de luto, as raças de Quietude estabelecem alianças e disputas para redefinir o que pode ser um futuro comum.

Stephanie Borges é jornalista, tradutora e poeta. Publicou poemas nas revistas Garupa, Pessoa, Escamandro e A Bacana. Traduziu “Olhares negros: raça e representação”, de bell hooks, “Irmã outsider”, de Audre Lorde, e “Um outro Brooklyn”, de Jacqueline Woodson. Seu livro “Talvez precisemos de um nome pra isso” venceu o 4º Prêmio Cepe Nacional de Literatura.

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