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Foto: Arquivo pessoal

O convidado da seção 'Favoritos' desta semana é o livreiro Rui Campos. Ele indica cinco obras para pensar sobre o que é um livro e uma livraria – e para ajudar a cultivar o desejo de leitura

A pessoa pode passar a vida sem leitura. Certamente uma vida menos ilustrada. Mas não morrerá de inanição ou sede como se se abstivesse de comida ou água. Cultura, cultivo... a leitura precisa ser cultivada. Precisamos cultivar o desejo de conhecimento, o desejo de leitura.

A grande ferramenta que a possibilita é o livro, seja em que suporte for. Durante séculos, o impresso veio sendo cultuado, reverenciado, aprimorado. Um produto multissensorial. Nas livrarias é onde se dá o encontro do livro com o leitor.

As de hoje evoluíram de um depósito onde buscávamos um livro desejado para um local criador de demandas. Verdadeiras praças, bibliotecas, locais de lazer e pesquisa.

Diante de tantas novidades disponíveis hoje em dia de entretenimento, acessibilidade e leitura, o livro segue como a grande ferramenta, nos proporcionando momentos de reflexão, desconexão e baixa velocidade. O que é um livro, o que é uma livraria, são temas comuns às obras que recomendo. 

Se um viajante numa noite de inverno

Italo Calvino, Companhia das Letras, 2003

A descrição que Calvino faz de uma livraria, o que nos espera ao entrar, das possibilidades de escolha, da grande diversidade, ilustra bem o mundo maravilhoso da leitura. Prossegue com instruções muito adequadas de como se ler um livro e os preparativos necessários para usufruir dele adequadamente.

Rua do Odéon

Adrienne Monnier, Autêntica, 2017

É a saga da livraria La Maison des Amis des Livres, que Adrienne criou na legendária Rue Odeon em Paris. Seus clientes incluíam Joyce, Cocteau, Valéry, Breton entre outros tantos. Trabalhando também como editora, nos mostra o fascinante ambiente cultural da cidade,  dos “anos loucos” à ocupação nazista.

Ser feliz

Will Ferguson, Companhia das Letras, 2003

Os bastidores e os percalços da vida de um editor às voltas com pilhas de originais remetidos à editora. Ao selecionar um texto de “autoajuda” percebe que a epidemia de felicidade provocada pelo livro é uma ameaça à civilização. Destilando um humor cínico, o autor faz um retrato cruel do mercado editorial.

Marca do Z: A vida e os tempos do editor Jorge Zahar

Paulo Roberto Pires, Zahar, 2017

“Marca do Z” é mais que o perfil de um grande editor. A vida de Jorge Zahar se confunde com a história das ideias no Brasil. Livreiro que se tornou editor, inaugurou entre nós a edição profissional de ciências humanas, colaborando decisivamente para a formação de sucessivas gerações de leitores.

Tia Julia e o escrevinhador

Mario Vargas Llosa, Alfaguara, 2007

Livro em que acompanhamos a história de Pedro Camacho, autor excêntrico de radionovelas cujos enredos mirabolantes nos fascinam. As novelas vão muito bem, até o dia em que Pedro Camacho, sobrecarregado, começa a confundir enredos e personagens. E, ao mesmo tempo, através do romance entre Varguitas e Tia Julia, conhecemos a América Latina e o Peru dos anos 1950.

Rui Campos é livreiro há mais de 40 anos e diretor-fundador da Livraria da Travessa.

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