Foto: Nora Lezano

A escritora argentina Mariana Enriquez indica cinco romances que têm meninos e meninas como personagens principais, mas não se destinam especificamente para esse público. Ela participa da edição de 2019 da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), que ocorre entre 10 e 14 de julho

Os romances sobre adolescentes são, com frequência, chamados de "romances de iniciação". É um lugar-comum como tantos outros na literatura, mas para mim, que sempre fui fascinada pelas histórias que acontecem nessa idade limítrofe, naquela transição meio louca e sempre triste, sempre achei histórias encapsuladas, fechadas sobre si mesmas, um universo com sua linguagem e suas regras, tão distante do mundo adulto, como uma galáxia desconhecida que às vezes visitamos em sonhos.

As virgens suicidas

Jeffrey Eugenides, Companhia das Letras, 2013

As irmãs Lisbon são a obsessão de seus vizinhos adolescentes que não entendem as cinco irmãs apaixonadas pela morte. Narrado na primeira pessoa do plural pelos jovens, o romance tem como protagonista Lux, a linda menina que toma banho de lua no telhado de sua casa e se deixa morrer como as árvores do subúrbio, afetada por uma doença tão incurável quanto seu desassossego…

O brinquedo raivoso

Roberto Arlt, Iluminuras, 2013

Publicado em 1926, este romance central da literatura argentina tem como protagonista Silvio Astier, um adolescente de 16 anos que quer ser ladrão. Rouba para poder ler, para ter acesso aos livros; mas também porque a vida urbana pouco mais oferece a um jovem como ele, inteligente e marginal humilhado cada vez que consegue um trabalho mal pago.

Coin Locker Babies

Ryu Murakami (Várias edições)

Poucos autores captam a insanidade da adolescência como Ryu Murakami. Este é um de seus romances mais extremos. Dois adolescentes abandonados que viviam em orfanatos retornam à cidade que os expulsou. Eles ficam em uma área chamada Toxitown: um se torna uma estrela de rock bissexual; o outro, atleta, decide se vingar daqueles que os rejeitaram. A escrita é tão alucinada quanto o enredo.

Carrie, a estranha

Stephen King (Várias edições)

O primeiro romance de Stephen King se passa em uma escola secundária e a protagonista é Carrie, uma menina que sofre o mais selvagem bullying, filha de uma fanática religiosa: ela está desesperada e é incapaz de fugir. Carrie tem telecinese, capacidade que usará para matar seus companheiros. Foi publicado em 1974, quando ainda não havia ocorrido nenhum massacre escolar nos Estados Unidos.

Foxfire

Joyce Carol Oates, Penguin USA, 1994

 

Nos anos 1950, em uma pequena cidade no estado de Nova York, um grupo de meninas, liderado pela fascinante e raivosa Legs, decide se vingar de um mundo de homens que não as leva em conta, as machuca e humilha. Escrita como um diário por Maddy, uma das integrantes, é acima de tudo uma história de fraternidade entre mulheres, sustentada entre abusos e violência.

 

Mariana Enriquez nasceu em Buenos Aires em 1973. Escreve histórias góticas, de terror e de ficção científica, situadas em bairros periféricos e lugares ermos da Argentina — semelhantes àqueles onde a própria autora cresceu durante a ditadura militar. “Bajar es lo peor”, seu livro de estreia, foi publicado em 1995, quando tinha apenas 22 anos. Também é autora de “As coisas que perdemos no fogo” (Intrínseca, 2016) e “Este é o mar” (Intrínseca, 2019). Atua como jornalista, contribuindo com diversos veículos argentinos. 

 

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