Sabine Righetti

15 Set 2018

Foto: Bruno Santos/Folhapress

A jornalista Sabine Righetti indica cinco livros para pensar sobre a prática científica

Comecei a ler sobre ciência durante a graduação em jornalismo na Unesp-Bauru por indicação de um professor. O físico britânico Stephen Hawking foi o primeiro e me despertou a vontade de escrever sobre o tema como jornalista da área. A coletânea abaixo traz as obras que me fizeram refletir sobre a prática científica e sobre a ciência em si —tão presente em nossas vidas, tão encantadora, tão transformadora e muitas vezes tão imperceptível.

O homem que confundiu sua mulher com um chapéu

Oliver Sacks

Considerado o “poeta da medicina”, o neurologista Oliver Sacks é um dos principais divulgadores de ciência dos últimos tempos. No livro, ele relata casos reais de pacientes que viviam submersos em percepções fantásticas do mundo por causa de patologias como tumores cerebrais. A cada caso, ele nos leva à reflexão de que todos nós somos capazes de, algum dia, entrar em um universo próprio conduzidos pelo nosso próprio cérebro.

Uma breve história do tempo

Stephen Hawking

Escrito por um dos cientistas mais célebres do século 20, o físico teórico da Universidade de Cambridge Stephen Hawking, “Uma breve história do tempo” é considerado um marco na divulgação científica mundial. A obra aborda temas como origem do universo e contagem do tempo —e o que fazer quando ele terminar. Escrito quando o cientista já estava em estágio avançado de esclerose lateral amiotrófica (ELA), na década de 1980, o livro transborda a paixão de Hawking pela própria ciência que, como ele dizia, o manteve vivo por décadas após o diagnóstico da doença.

A vida imortal de Henrietta Lacks

Rebecca Skloot

A autora revela, aqui, a história de Henrietta Lacks, famosa no meio científico por ter sido doadora involuntária de células usadas há décadas em pesquisas científicas mundo afora — as células HeLa. Rebecca Skloot, ao contar como foi a vida dessa mulher negra e pobre dos EUA, cujas células cancerígenas que se multiplicavam em velocidade assustadora foram coletadas por pesquisadores sem consentimento prévio, aborda bastidores, conflitos e questões éticas intrínsecas do mundo da ciência.

O mundo assombrado pelos demônios

Carl Sagan

Apesar de ter sido publicado em 1995, um ano antes de o astrônomo Carl Sagan morrer, a obra parece ter sido escrita na semana passada. Assombrado pela maneira como informações pseudocientíficas ganhavam força na sociedade, inclusive em políticas públicas, Sagan convida o leitor a conhecer e a se apaixonar pela ciência que pode trazer benefícios à sociedade. Na publicação, Sagan já era famoso pela facilidade com a qual falava sobre ciência — o que ficou evidenciado na série “Cosmos”, da década de 1980.

Sapiens, uma breve história da humanidade

Yuval Noah Harari

O autor passa por biologia, antropologia, economia e outras áreas para contar a história da humanidade desde o surgimento do homo sapiens — o primata bípede, conhecido como ser humano, que surgiu há cerca de 300 mil anos (de acordo com novos estudos; até 2017 os cientistas achavam que o homo sapiens tivesse surgido há 200 mil anos). Notada pelo tamanho parrudo (cerca de 450 páginas), a obra está entre as mais vendidas do Brasil.

Sabine Righetti é jornalista especializada em ciência, colaboradora da Folha de S.Paulo, âncora do programa Ciência Aberta (Folha-Fapesp) e doutora em política científica e tecnológica pela Unicamp. Dá aula no Programa de Treinamento da Folha, no Labjor-Unicamp e no Departamento de Gestão Pública da FGV-SP.

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