Rashid

01 Set 2018

Foto: Moysah Conceic/Divulgação

O rapper paulistano Rashid

O rapper Rashid indica 5 obras que mudaram a forma como ele vê o mundo

Sou um leitor assíduo e aplicado na busca por conhecimento. Como rapper, sou apaixonado por descobrir novas palavras e histórias, que me ajudam a enriquecer meu vocabulário na hora de rimar.

Não tenho dúvida ao dizer que o hábito da leitura foi tão importante quanto a música na minha vida. Um me deu voz e o outro me deu embasamento, um me deu uma espada e o outro me ajudou a afiá-la.

Dito isso, trago para vocês algumas indicações de livros que tiveram um grande impacto na minha forma de ver o mundo.

Meu nome é Rashid e estes são os cinco livros essenciais na minha biblioteca:

Como a Música Ficou Grátis

Stephen Witt

O autor traça a rota das mudanças no mercado (e nos formatos) da música nas últimas décadas. Desde o desenvolvimento do formato MP3, numa época em que os CDs batiam recordes históricos de venda, ao momento em que a pirataria virtual tomou conta da forma como consumimos música, por meio do download. A ascensão e a queda de gigantes da pirataria virtual e como os discos “vazavam” e iam parar na web.

Hagakure

Yamamoto Tsunetomo

Tsunetomo foi um samurai (por volta do ano 1700) e o Hagakure é algo como a visão dele da prática do Bushido, que é o código de ética e conduta dos samurais. Embora hoje haja livros que falam sobre o Bushido, na época, era um código não escrito, transmitido pelo boca a boca.

O autor resolveu colocar muitos daqueles ensinamentos neste livro, além de falar de outros princípios éticos e questões cotidianas dos samurais. Sou apaixonado pela cultura dos samurais por ver uma grande semelhança com o mundo dos MCs, especialmente os que vieram das batalhas de rima, como eu.

Quarto de Despejo – Diário de uma favelada

Carolina Maria de Jesus

Carolina Maria de Jesus foi uma das primeiras escritoras negras do Brasil e esta obra é considerada pioneira na literatura marginal, além de um best-seller mundial já traduzido para mais de 14 línguas. Ela foi uma catadora de papel durante boa parte da vida e vivia na Favela do Canindé (em São Paulo, 1950). Durante um grande período de sua vida, ela manteve um diário, onde escrevia sobre as questões do seu dia a dia com tamanha sensibilidade que, mais tarde aquele diário se tornaria este livro, que além de referência, continua atual e condizente com a realidade (infelizmente).

Astrofísica Para Apressados

Neil DeGrasse Tyson

Uma ótima forma de entender mais sobre o universo, de um jeito claro e contando ainda com o carisma de Neil DeGrasse. Um livro bem leve que fala do cosmos, de matéria escura e de teorias de Einstein de uma forma muito tranquila e esclarecedora. Se você tem a mínima curiosidade sobre nosso lugar e tamanho perante o universo, e de como as coisas funcionam além do alcance dos nossos olhos, a leitura deste título vale muito a pena. Você passará a enxergar a poesia presente na astrofísica (rsrs).

Estação Carandiru

Drauzio Varella

Quando peguei para ler, já sabia que o filme “Carandiru” (um baita filme!) havia sido inspirado neste livro, mas é incrível a quantidade e profundidade das camadas a mais que se desdobram pelo livro. A escrita do Drauzio é ótima e envolvente e você é pego pelas histórias dos presidiários e a luta do doutor contra as doenças que se propagavam com facilidade dentro da cadeia, em especial a Aids. A história se desenrola até o fatídico dia do acontecimento que ficou conhecido como o “massacre do Carandiru”. Este é daqueles livros que você termina com um nó na garganta.

 

Rashid é um rapper paulistano, nascido em 1988, como Michel Dias Costa. Formou-se em batalhas de improviso e tomou para si o nome Rashid, “justo” em árabe. Lançou seu primeiro álbum, "A Coragem da Luz", em 2016. O segundo, "Crise", é de 2018, ano em que publicou também o primeiro livro, "Ideias que rimam mais que palavras".

 

ESTAVA ERRADO: a primeira versão deste texto informava que Rashid lançou cinco álbuns em 2018. Na verdade, lançou dois álbuns na carreira. O mais recente é de 2018. A informação foi corrigida no dia 3 de setembro de 2018, às 13h17.

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