Foto: Arquivo pessoal

A pesquisadora em direito e internet Natália Neris indica 5 obras para pensar a sociabilidade na rede

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A produção bibliográfica sobre a relação entre marcadores sociais da diferença e internet é crescente e seus temas, muito variados. Para essa seleção de cinco livros estabeleci dois eixos. Obras que servem como introdução ao campo e obras que se debruçam sobre temas atuais e mais específicos, a saber: novas formas de sociabilidades e novas formas de violência.

Antropologia do Ciborgue: as vertigens do pós-humano

Donna Haraway, Hari Kunzru e Tomaz Tadeu (org e trad.)

O início da mobilização feminista pela internet nasceu nos anos 1990 sob o guarda-chuva do ciberfeminismo, um conjunto de produções intelectuais e artísticas influenciadas pela metáfora do ciborgue de Donna Haraway. O ciborgue é para a autora uma metáfora para a superação de essencialismos baseadas em limites rígidos entre dualidades, e inspirou abordagens otimistas (depois contestadas) do potencial da tecnologia para superação de desigualdades. O livro (e seu capítulo central “O Manifesto ciborgue -­ ciência, tecnologia e feminismo­ socialista no final do século XX”), é portanto bastante importante para a compreensão da ideia de ciberfeminismo e da literatura posterior sobre a relação entre marcadores sociais da diferença e tecnologia (de forma mais ampla).

Internet em Código Feminino

Graciela Natahnson (org)

O livro é composto de uma coletânea de artigos que aborda a relação entre mulheres e tecnologias digitais. Publicado em 2013, a obra é interessante do ponto de vista da diversidade de temas abordados (de software livre, passando por mulheres desenvolvedoras, brecha de gênero, até a temática da violência on-line) e se mostra como um bom começo para quem deseja se aproximar do campo, já que por meio da leitura é possível mapear interesses mais específicos.

No Emaranhado da Rede: gênero, sexualidade e mídia; desafios teóricos e metodológicos do presente

Larissa Pelúcio, Heloisa Pait e Thiago Sabatine

O livro tem como foco central a reflexão sobre a relação entre internet e sociabilidades - principalmente sexuais e afetivas. Constitui-se de artigos sobre uso de aplicativos e sites de relacionamentos abordando temas como masculinidades e conjugalidades e se apresenta como uma obra importante principalmente para interessados no tema do ponto de vista acadêmico e científico, já que explora também questões éticas no estudo sobre os temas. 

O Corpo é o Código: estratégias jurídicas de enfrentamento ao revenge porn no Brasil

Mariana Valente, Natália Neris, Juliana Pacetta Ruiz e Lucas Bulgarelli

Publicado pelo InternetLab em 2016, o livro é resultado de pesquisa sobre o fenômeno da disseminação não consentida de imagens íntimas (conhecido como revenge porn ou pornografia de vingança). O problema é reconhecido pelas autoras como um tipo de violência de gênero e é abordado de forma multifacetada: são analisadas decisões judiciais sobre o tema, projetos de lei  tramitando no Congresso Nacional e políticas públicas propostas pelo Poder Executivo. O livro apresenta ainda um estudo de caso sobre o fenômeno do “TOP 10” (conhecido também como a “lista das mais vadias” e que são elaboradas no contexto escolar no Brasil). Por meio das análises, o livro desafia diagnóstico da inexistência de leis para lidar com o problema e complexifica as respostas comumente oferecidas para solucioná-lo, como a criminalização.

Guia Prática de Estratégias e táticas para a segurança digital feminista

Blogueiras Negras, MariaLab, CFMEA e Universidade Livre Feminista

Esta publicação em formato de cartilha explora os temas da violência (racista, gordofóbica, misógina, transfóbica e lesbofóbica, principalmente) e vigilância on-line e oferece às leitoras (mulheres e  ativistas ou não) ferramentas relacionadas à proteção de privacidade. O guia é importante do ponto de vista prático e a leitura é recomendável por abordar temas complexos de forma bastante didática.

Natália Neris é doutoranda em direitos humanos na USP, mestra em direito pela FGV e bacharel em gestão de políticas públicas pela USP. Atualmente é coordenadora da área Desigualdades e Identidades no InternetLab - Pesquisa em Direito e Tecnologia.

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