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Foto: Divulgação

O cineasta e romancista franco-afegão Atiq Rahimi indica cinco obras que falam sobre a experiência de afastamento da terra natal

O escritor e diretor franco-afegão Atiq Rahimi esteve no Brasil em junho para lançar “A Balada do Cálamo”, pela editora Estação Liberdade, livro em que retoma o passado de desterro e o processo de autodescoberta como artista. O autor parte das memórias da infância em Cabul, narra a fuga para a Índia e chega ao presente na França, onde mora desde que obteve asilo político, na década de 1980. A convite do Nexo, ele indicou cinco livros que ajudam a pensar sobre a condição do exílio.

Ce que c’est que l’exil

Victor Hugo

É um texto bem curto sobre a experiência dele de exílio. Um texto magnífico, uma meditação sobre essa questão. Em seguida ao golpe de Estado de 2 de dezembro de 1851, aplicado por Luís Napoleão Bonaparte, e seu banimento por um decreto em 9 de janeiro de 1852, Victor Hugo se estabelece primeiro na Bélgica, depois nas ilhas do Canal. Ele só voltou à França em setembro de 1870! Há versão online gratuita do texto (em francês).

Cartas Pônticas

Ovídio

Alguns anos antes da nossa era, este grande poeta foi condenado ao exílio por Augusto (fundador do Império Romano), possivelmente porque ele havia publicado o livro “A Arte de Amar”! Seus poemas sobre o exílio são angustiantes, desoladores.

The man who never stopped sleeping

 Aharon Appelfeld

Erwin, o personagem principal, é um adolescente que sobreviveu aos campos de concentração nazista na Segunda Guerra Mundial. Desde o fim da guerra, ele vagueia e dorme, como se buscasse exilar-se em seus sonhos. [O livro do autor israelense foi escrito em hebraico, tem versão em francês e em inglês, mas não em português].

Correspondência a três: verão de 1926

Marina Tsvetaieva, Boris Pasternak e Rainer Maria Rilke

Durante alguns meses, três dos maiores poetas de seu tempo trocaram cartas de uma paixão extrema. Pasternak  ficou preso a Moscou pela revolução (ele é o Dr. Jivago), Tsvetaieva, na França, para onde imigrou e Rilke na Suíça, onde morreu lentamente. O exílio, o isolamento, a ausência e o amor apaixonado são inegavelmente misturados ao ardor poético.

Kafka: por uma literatura menor

Gilles Deleuze et Félix Guattari

Um grande livro sobre a questão do exílio, da língua, da escrita. [Publicado em 1975 pelos dois filósofos franceses, foi traduzido e lançado no Brasil em 2014].

Atiq Rahimi é escritor e cineasta nascido em 1962, em Cabul. Frequentou a escola franco-afegã Esteqlal e estudou letras na universidade da capital afegã. Em 1984, durante a guerra, deixou o país rumo ao Paquistão. Obteve asilo político na França, onde realizou doutorado em comunicação audiovisual na Sorbonne. Publicou “Terra e cinzas” e “As mil casas do sonho e do terror”, escritos em persa e posteriormente vertidos por ele para o francês. Sua primeira obra literária escrita em francês, “Syngué sabour — Pedra-de-paciência”, foi publicada em 30 países, venceu o prêmio Goncourt em 2008 e foi adaptada para o cinema em direção do próprio autor, assim com “Terra e cinzas”.

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