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Foto: Arquivo pessoal

Paula Pinto e Silva é doutora em antropologia social pela USP e autora de “Farinha, feijão e carne seca. Um tripé culinário no Brasil colonial” (Senac, 2005)

Cronistas, etnógrafos, poetas e escritores fazem e fizeram, desde sempre, registros sobre alimentação. Por meio da descrição de hábitos alimentares desconhecidos, sensações e lembranças, receitas culinárias ou ingredientes, a escrita sobre alimentação é um eixo transversal que perpassa diversos gêneros literários, muitas vezes de maneira explícita, outras vezes escondida nas entrelinhas. 

A escrita sobre alimentação pode ser técnica, poética, sensível, analítica, didática. Ela nos permite acessar o conhecimento sobre a vida cotidiana (atual ou passada), sobre hierarquias invisíveis, sobre gênero, corpo, medos, tabus e fobias, aplacando a fome que sentimos todos os dias e a fome simbólica de conhecer outras maneiras de pensar.

Livros sobre alimentação podem ficar na cozinha, cheios de anotações e respingos de comida; na prateleira dos livros clássicos, consultados à exaustão; na cabeceira da cama, para a leitura inspiradora dos bons sonhos; ao lado do computador, junto à pilha de livros da semana.

Livros de comida nos levam para a cozinha no sentido literal ou figurado e falam de arquitetura, de origem, de técnicas e modas, de ensinamentos tradicionais e outros nem tanto. Falam do que se come, do que não se come e do que se gostaria de comer. Falam de política, de história, de receitas, de memória, de presente e de futuro. Vamos a eles – alguns dos meu favoritos!

Fundamentos da cozinha italiana clássica

Marcella Hazan

Com receitas simples e boas histórias, Marcella Hazan apresenta as diferenças das culinárias italianas explicando quando e como se deve usar manteiga, gordura de porco ou azeite, sugerindo cardápios que variam conforme as estações do ano e os ingredientes disponíveis, incitando combinações que não fazem parte do repertório culinário brasileiro. Mergulhe sem medo nas receitas: são garantia de casa cheirosa e salva de palmas à mesa.

Não é sopa e O frango ensopado da minha mãe

Nina Horta

A maior cronista de comida do Brasil, Nina mostra que é possível escrever sobre comida sem dar receitas e sem prender o leitor ao fogão. Seus textos partem de acontecimentos cotidianos, de memórias, de livros, filmes ou de pequenas perguntas, e trazem alma e emoção para os assuntos domésticos e culinários. Nina publica crônicas semanais no blog do jornal Folha de S.Paulo.

Formação da culinária brasileira – escritos sobre a cozinha inzoneira

Carlos Alberto Dória

Pesquisador incansável, crítico, detalhista e rigoroso, Carlos Alberto Dória é, sem dúvida, o grande pensador brasileiro da alimentação. Misturando erudição e ótimo texto, este livro nos mostra que é possível desconfiar das fontes, confrontar informações há muito tidas como verdadeiras e refazer continuamente o pensamento sobre alimentação no Brasil. Os textos publicados no seu blog também são leituras recomendadíssimas.

O dilema do onívoro

Michel Pollan

Jornalista e escritor, Pollan investiga a alimentação americana partindo dos alimentos à mesa e seguindo-os até o solo, origem e final de todo processo alimentar. Neste livro, conversa com pequenos e grandes produtores orgânicos, engenheiros, ecologistas e cientistas trazendo uma visão crítica da produção de alimentos em escala industrial e realizando um diagnóstico sobre a desordem alimentar global. Desde então, se dedica a pensar as implicações políticas e cidadãs do ato de comer. Seu último livro foi transformado numa série incrível produzida pela Netflix, “Cooked”.

Comer – A alimentação dos franceses, outros europeus e americanos

Claude Fischler e Estelle Masson

Resultado de um projeto de pesquisa realizado pelo Ocha (Observatório Cniel dos Hábitos Alimentares) da França, os autores coordenaram este estudo comparativo sobre hábitos alimentares, corpo e saúde em seis países. Com duração de dois anos, contando com um universo de 7.000 entrevistas e pesquisadores de diversas partes do mundo, o livro se propõe a estudar diferentes contextos, compará-los e assim construir um debate livre de preconceitos. Afinal, nada mais universal e particular que a alimentação humana.

Paula Pinto e Silva é mestre e doutora em antropologia social pela Universidade de São Paulo. Professora de Antropologia na pós-graduação da ESPM – SP, professora convidada da Casa do Saber e sócia-diretora da TEKÔ – Antropologia Criativa. Especializada no tema Antropologia e Alimentação, é autora de “Farinha, feijão e carne seca. Um tripé culinário no Brasil colonial” (Senac, 2005), organizadora do livro “Arte de Cozinha de Domingos Rodrigues” (Senac, 2008), entre outros artigos e projetos sobre o assunto. É fundadora do C5 – Centro de Cultura Culinária Câmara Cascudo, entidade sem fins lucrativos que tem como principal objetivo pesquisar e difundir a culinária brasileira a partir de um olhar renovador e criativo.

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